------BIOTH. VANDORA. 47H66 DA NOITE. 24º MÊS. PERÍODO DO GRANDE CHOQUE. CASA DE BANHO-------

        O anoitecer. Era um período onde as flores desabrochavam, os bichos infestavam a ilha e os raios lunares gelavam os ossos. O cheiro do mar praiano se misturava com a rica vegetação exuberante e colorida, aliada a uma gigantesca área urbanizada cujo altíssimo desenvolvimento tecnológico se harmonizava com a natureza. Algum tempo antes de morrer, lembro-me de ter ficado vislumbrado com a beleza e a imponência dos edifícios e das plataformas acima da terra, composta por um asfalto feito exclusivamente de "películas" virtuais, que muito lembrava um dinâmico outdoor digital. As sinalizações, todas virtuais. Os veículos de transporte mais utilizados nem eram os que conhecíamos como carro, mas por plataformas motorizadas flutuantes, uma espécie de patinete com uma base sustentadora maior e mais robusta e um guidão cuja extremidade mais parecia um painel de controle para pilotos de aeronave profissional. 

        Mais afastado daquela imensidão de engenharia dos Deuses, existia casas de banho comumente frequentados pelos vandorianos, especialmente na hora do "rush", que é onde eles preferem parar para se refrescarem nas saunas e banheiras quentes. Numa delas, feita à base de madeira vermelha, era aonde um forasteiro frequentava às horas vagas. Fora da casa, uma longa inclinação até a porta de entrada ao estabelecimento, também feita de madeira, para que os visitantes pudessem caminhar até a porta. A casa era singela, bonita, arredondada e bem construída. Seu teto era todo à base de material fotovoltaico e uma linda chaminé enfeitava seu topo, mais à direita. No seu interior, pessoas entravam e saíam dos cômodos.

..................

        Interior da Sauna. Ambiente seco. Um homem alto, atlético entra pela porta após passar pelo chuveiro. Este senta em um banco com dois assentos, paralelo a outro, e espreme seus grandes e longos cabelos para secá-lo. No outro banco, um homem de aparência de meia idade, barba rasa, de cabelos empobrecidos e ralos que iam até as costas, só uma toalha em seu quadril. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Wesley corta o ambiente de mudez e começa a interagir com o homem:

[James Wesley]- Você tem horas...?-[encara o homem]

[Super-Humano]- ......São 47 e 66 da noite.-[olha com um ar desconfiado]

[James Wesley]- Hum....Obrigado.-[vira o rosto de volta para frente]

[Super-Humano]- Por nada...[o homem pega uma toalha improvisada e limpa o rosto. Wesley repara a pele do seu "colega" de quarto].

[Super-Humano]- Vem muito por aqui?-[puxa assunto]

[James Wesley]- De vez em quando...

[Super-Humano]-Hum...

        O homem saca de sua pochete uma espécie de creme para a pele, similar a um protetor solar. Ele espalha em seu rosto, peito, braços e pernas enquanto fala com Wesley:

[Super-Humano]-...Você não parece ser daqui...-[espalha pelo corpo]- é da ponta leste?- [olha curioso para Wesley].

[James Wesley]- Mais ou menos...Minha história é um pouco complicada...-desvia o olhar do homem, que repara na marca no pulso de James que denuncia ser um "sub-humano" ou um "especial". James transparece um leve receio.

[Super-Humano]- ......Compreendo. -Dá um leve e tímido sorriso com uma melancólica expressão no olhar do SH. Ele entende o que está acontecendo. E Wesley sabe disso, um tanto envergonhado.

[James Wesley]- Mas e você? Frequenta muito a sauna? -[tenta mudar de assunto].

[Super-Humano]- Todo final de semana. Trouxe minha esposa e a amiga íntima dela pra desfrutarem das praias juntas e levei meu estagiário junto. Ele foi promovido no trabalho e aproveitei pra levá-lo pra passear...- [bebe um pouco d'água de uma garrafa].

[James Wesley]- E pra onde vocês foram comemorar?- [pergunta Wesley curioso].

......................30/24-17h57 da manhã.

        A cena corta para um quarto de apartamento onde somente o sol bate entre os espaçamentos de uma cortina persiana horizontal. O SH, descamisado, usando um elegante chapéu TRILBY e uma calça social azul marinho, estava sentando a uma cadeira calçando um sapato social de dupla cor enquanto olhava em direção à cama "queen", com um cigarro preto em sua boca. Nesta, um jovem rapaz nu de cabelos pretos e levemente espetados. Um cobertor de cetim dourado cobria apenas uma parte de seu corpo. Apagado, dormia como uma pedra submersa ao mar enquanto abraçava um enorme travesseiro preto feito de plumas. Abrindo a porta do quarto, chega outro rapaz:

[Rapaz] -Psiu! Está pronto? Venha, senão vai se atrasar...

[Super-Humano]- Já já estou saindo, segura aí.

        O rapaz intrometido se depara com o jovem adormecido e pergunta:

[rapaz]- Esse aí vai dormir por quanto tempo...?

[Super-Humano]- Se deixar, vai à umas 20 horas de sono pesado.

[Rapaz]- Tssrrsrsh...! Caramba, você destruiu ele....-[diz com um sorriso irônico].

[Super-Humano]- Bom... Era pra ser uma comemoração, não era?- diz o homem com um sorriso de satisfação estampado no rosto enquanto desliza suas duas mãos na longa manga de seu terno. 

        Os dois se olham e começam a rir juntos, mas em sintonia com a satisfação. O rapaz não se contenta e lentamente se aproxima para ver o rosto do jovem de perto:

[Rapaz]- Nossa, mas ele é um "damasquinho"...-[diz admirado e com feições de prazer].

[Super-Humano]- Uma gracinha... Descendência de Vandora.

[Rapaz]- Uh...! Os vandorianos são os mais atraentes.

[Super-Humano]- Especialmente as mulheres...- [o rapaz concorda tacitamente].

        Os dois olham pelo relógio na parede. Ambos se apressam para sair do quarto e irem para algum destino para onde precisam estar de imediato.

[Super-Humano]- Anda, vamos dar logo um fora daqui.- antes que saísse pela porta, o amigo enxerido tenta tirar o cobertor dourado do jovem adormecido para espiá-lo. O SH o impede e o puxa pelo braço, ambos aos risos:

[Super-Humano]- Heeey...!Seu maluco...- [o rapaz solta o cobertor, aos risos e os dois saem do quarto, e fecham a porta].

.......................................De volta para a Sauna.

[Super-Humano]-Bom...Digamos que eu botei ele pra dormir. Arremesso de taco...- [diz com um sorriso irônico de canto para Wesley].

[Wesley]- Humm....- [dá um leve sorriso envergonhado].

        Os dois continuam a desfrutar a sauna por mais alguns segundos. O SH saca de um cigarro Vape e seu aroma pode ser sentido por Wesley. O homem aspira o cigarro eletrônico quando olha para James e percebe que este também poderia querer apreciar o produto:

[Super-Humano]- Aceita um?

[James Wesley]- Aceito sim.

[Super-Humano]- Qual sabor você quer?

[James Wesley]- O de limão siciliano.

        Wesley pega o cigarro e o aspira enquanto o SH expira uma massiva e encorpada fumaça rosa escura. O gosto e o cheiro para Wesley eram agradáveis. Já James, expelia uma fumaça azul-esverdeada pelas narinas. O mesmo se dispõe e dizer:

[James Wesley]- Olha...Tenho que admitir que essa Ilha é um paraíso. Não posso negar.

[Super- Humano]- E quem não fica encantado?-[dá um sorriso genuíno para Wesley]- Vandora é um dos pontos turísticos mais visados do planeta...Não é à toa que o epicentro econômico e cultural é aqui.

[James Wesley]- E você deve encontrar muitos estrangeiros por aqui...

[Super-Humano]-Na verdade eu sou de Bäiss. Vim a turismo junto com minha esposa, também Baisana. A amiga íntima dela é de Sagat. O meu estagiário é nascido aqui.

[James Wesley]- Ouvi dizer que já tiveram estrangeiros vindos fora de BIOTH...Como foi isso?

    O Super-Humano suspira...Surge uma expressão de desapontamento.

[Super-Humano]- Tempos de ouro, meu rapaz...Nós já tivemos muitos estrangeiros de outras civilizações, de outros planetas. Houve uma época que isso aqui era muito movimentado. Quase um caos. Mas depois da última guerra de 100 anos que tivemos, todas as relações foram cortadas e a vinda de visitantes que não fossem desse planeta foram interrompidas, sem previsão de término...-[conta o SH, com um ar de decepção].

[James Wesley]- Isso tem alguma coisa haver com o SITH?

[Super-Humano]-...Isso tem TUDO haver com SITH...- Diz olhando fixamente para Wesley, com um leve ar de seriedade em seu rosto. Logo em seguida, ele fita curioso para Wesley- Você conhece o STIH?

        James balança a cabeça positivamente:

[James Wesley]- Esse é o cara que eu quero trucidar...- [expressa raiva e seriedade].

[Super-Humano]- O que aconteceu entre vocês?

James Wesley responde com uma expressão de raiva e desprezo em seu rosto:

[James Wesley]- Ele matou minha noiva ainda grávida e me escrotizou de todas as formas....

    O silêncio paira a sauna e um clima sombrio domina momentaneamente o local. O SH fica perplexo com que acaba de escutar do colega e, com uma de suas mãos cobrindo parte de seu nariz e boca, pensativo e preocupado, faz uma pausa para ir ao chuveiro logo à frente da sala de onde estavam:

[Super-Humano]- Ahm...Com licença. Eu já volto.

[James Wesley]- Tudo bem...

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        Fora da Casa de Banhos, flores de pétalas com fôrmas de jarros assumiam um espectro brilhante ao cair a noite. Aos tons de azul e violeta que se se convertiam no percorrer das pétalas. Por dentro, estames vermelhos que se estendiam para fora dos jarros e se enrolavam na sua ponta foliculosa e pistilos amarelos, redondos e encorpados, muito atrativos para os bichos. Enormes mariposas peludas e rosadas cutucavam as flores, seja para se alimentarem, seja para polinizarem outras flores da região. Essas eram grandes e desengonçadas, com ferrões que dariam medo até no mais valente dos homens e corpos cuja silhueta mais parecia a de uma Hornet intimidadora, mas mansas e sonsas como carneirinhos. 

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        O homem se levanta do banco em direção ao chuveiro em frente à sala onde estivera. Ao fechar a porta, só dava para vê-lo da cintura para cima. O mesmo pendura a toalha que estava sem seu quadril em um suporte de madeira, por conseguinte sacando de um maçarico portátil que mantinha guardado em sua bolsa plana. Ele dispara uma grande quantidade de fogo pelo seu rosto, cabelos, pescoço, braços e por todo o restante de seu corpo, como se estivesse fazendo um tratamento de pele. Aquilo não era nada para ele. Wesley observa atônito pela cena, apesar de não o impressionar tanto como antes. Depois de se cobrir inteiro pelas chamas, o SH liga novamente o chuveiro para se refrescar. À medida que a água percorria seu corpo, essa rapidamente evaporava em fumaça. Ao finalizar, pega de volta sua bolsa, sua toalha, a espreme e cobre-se novamente enquanto entra de volta na sauna e senta-se ao banco. Wesley notou a brusca melhora na pele e cabelos do homem, que ainda exalava um pouco de fumaça, mas aparentavam reluzentes. Olhando para cima e suspirando, o SH pensa por alguns segundos por onde começar o assunto. Wesley o observa em silêncio e com expressão estática, neutra. Os cigarros vape estavam jogados em um suporte quadrado que ficava entre os bancos paralelos:

[Super-Humano]- Olha......-[hesita um pouco]- Aqui em Vandora, o SITH é visto como um completo Palhaço. Ninguém o leva à sério a não ser os poucos vagabundos que ele recruta...-[fuma um pouco]- Ele teve um drama pessoal envolvendo os Esmeraldinos, mas mesmo assim eu não tenho pena dele. Se não fosse a burrice desse, o país vizinho abaixo de Vandora não teria tido 75% do seu território transformado em deserto. Se existe um imbecil que deu início a uma guerra estúpida, esse alguém é o SITH -[conclui o homem, com expressão de insatisfação].

        James finalmente percebe que sua impressão pelo seu inimigo declarado não era algo isolado pela sua fama no próprio país que reside. Wesley balança a cabeça positivamente, concordando com a fala do SH, mas sem dizer uma única palavra a respeito. O mesmo se sente aliviado ao descobrir que não estava sozinho. Em um clima de silêncio, no buraco de entrada projetado para exalar vapores, entra uma das enormes mariposas rosadas e enxeridas:

[James Wesley]-Essa é perigosa? Parece uma vespa...-[pergunta desconfiado].

[Super-Humano]- Nada...!-[risos]- Elas são grandes, mas são mansas...Só afastá-las com o pé que elas vão embora...-O SH empurra a mariposa com um dos pés, mas essa fica insistente e começa a ferroá-lo no tornozelo, o que não parece surtir efeito:

[Super-Humano]- Não adianta meter esse ferrão em mim! Aqui não tem comida pra você, vai pra casa...!- [empurra novamente com o pé].

        A mariposa termina por ir embora pela mesma passagem por onde entrou. Depois disso, o Super-Humano corta radicalmente o assunto e questiona James:

[Super-Humano]- Então...Você aprendeu a língua vandoriana muito rápido. Estou impressionado...-[sorriso positivo].

[James Wesley]- [leve riso contido]...Tive que aprender na marra-[volta a fumar].

[Super-Humano]- Te entendo...Quando fui capturado e preso eu também tive a mesma sensação...-[os dois se olham, sem dizer nada]- Aceita um pouco d'água?-[pergunta o SH].

[James Wesley]- Sim, aceito, obrigado- O SH pega duas garrafas de água, uma para si e outra para o colega e entrega a Wesley. Os dois bebem até não sobrar nenhuma gota.

[James Wesley]- Essa tá bem gelada...E muito boa...

[Super-Humano]- Muito boa mesmo...São garrafas feitas de material térmico e a água é extraída direto das nascentes daqui.

[James Wesley]- Hum...

[Super-Humano]- Mas e então...Você tem algum trabalho? Ouvi dizer que você é contador de histórias...Não é? Pelo menos é o que eu escutei falar de você -[aspira o vape].

[James Wesley]- Bom, eu... Eu trabalho contando histórias para as pessoas. Na verdade foram elas que começaram a oferecer dinheiro para improvisá-las ou meter contos eróticos...-[volta a fumar].

[Super-Humano]- Você me teria uma prévia? Pagaria 50 Vünds se me contasse uma...[diz o SH empolgado].

        James observa as mãos do colega pegando algumas notas de tonalidade rosa choque com detalhes pretos que pareciam ser dinheiro vivo, e que por sinal, não haviam sofrido qualquer desgaste com o clima abafado da sauna.

[James Wesley]-Muito bem...-[sorri]...Aqui vai uma palhinha...

............................17 de Julho de 1.055 d.Z [NOVA ORDEM].

        1.055. Madrugada de 17 de Julho. Uma imensidão de estrelas em meio a ausência de luzes de postes, casas ou automóveis. O gramado e os céus, eram minha companhia naqueles tempos. Todas as noites antes de dormir eu me perguntava se existiam mais alguém para além aqueles astros. Quando estava com meu pai, nós parávamos para assistir aquelas estrelas enquanto me contava sobre um mundo no qual havia sido descoberto, e que muito em breve eu faria parte dele:

[James Wesley]- Pai, é verdade que existe o paraíso fora daqui?

[Stanley Wesley]- É muito mais do que um paraíso, filho. É uma Galáxia, bem do lado da nossa. Tudo que existe lá, você nunca verá por aqui.

[James Wesley]- O que tem de diferente lá?

[Stanley Wesley]- Tudo, James. Absolutamente tudo. Os raios lunares gelam como esquenta os raios de sol, os frutos nascem como pragas nas terras como nos mares, as areias tem cor de pêssego e parecem flutuar ao menor estímulo, as árvores e plantas reluzem como minúsculas películas pixelizadas em full HD, o sol é quase avermelhado, o céu varia entre tons de violeta, laranja, verde, rosa e azul, o solo é absurdamente fértil e o ar é mais denso quanto as águas são "leves" e "macias". A matéria, as partículas, as reações químicas, as formas de vida, tudo lá muito diferente daqui. Se eu pudesse te contar, demoraria dias. Até meses.

[James Wesley]- Será que um dia eu vou poder visitar esse lugar? Como será que faz pra viajar pra um lugar tão longe?

[Stanley Wesley]- Nós temos veículos de transporte com propulsões mais rápidas do que a luz e nós temos tecnologia com sinais de transmissão muito mais potentes como que nunca tivemos antes. E é por isso que, se você quiser seguir os passos desse rapaz aqui... -Entrega um grande livro de capa branca furta cor para Wesley- Você terá a chance de viajar para uma outra Estrela...- [sorri para o filho].

        Fiquei fascinado com o que vi. Era a cópia dos registros detalhados de Joseph Richard Priesley. O primeiro cientista a pisar em BIOTH e a catalogá-lo de ponta a ponta durante 30 meses que esteve hospedado. Primeiro e o único planeta descoberto que possui perfeitas condições de abrigar vida naquele mundo. Toda aquela obra realizada foi dedicada a uma mulher chamada Maria Isabel, a primeira pessoa a descobrir a existência de BIOTH aos 21 anos de idade, esposa de Joseph e idealizadora da Grande Expedição. No auge de seus 77 anos, Joseph ainda teve forças para viajar à outra Galáxia e voltar ainda mais rejuvenescido. O velho tinha uma saúde invejável apesar de muitas pessoas pensarem que ele não daria conta da expedição. Assinou um Termo de Responsabilidade caso sofresse um mal súbito, adoecesse ou fosse assassinado. Mas tudo que ele conseguiu, foi um legado, da qual eu segui à risca.

        Eu lia aquele livro todos os dias quando voltada da escola. Em uma vastidão de tablets e celulares, eu era a única criança que preferia pegar um livro a uma tela de vidro. Minha mãe me via distraído no quintal mergulhado na obra literária e perguntava:

[Yara Roberta Wesley]- O que tá fazendo aí, meu amor? Continua lendo o livro do seu pai?...Venha almoçar, a comida está deliciosa!

        Esse era o único momento em que eu parava de ler o livro e voltava à realidade. Nada melhor do que comida caseira à base de amor e carinho. Minha mãe tinha a comodidade de trabalhar em casa numa rádio das 16h às 23h, religiosa e disciplinadamente. O meu pai, era militar, mas um grande entusiasta da profissão de Astronauta. Estava pensando em trabalhar na NASA naqueles tempos. Minha mãe, queria expandir o negócio, sem afetar seu tempo com a família. Esse era um dos poucos tempos em que eu soube o que era ser feliz. Depois de vários anos de dedicação, pesquisa e preparação, cá estou aqui. Eu encontrei o paraíso. Mas perdi meus pais, a minha futura esposa e meu filho que iria nascer. O que restou de mim é um casco morto-vivo, marcado como um párea social, sedento de ódio e afundado no melhor dos luxos e hedonismos que jamais tive a oportunidade de experimentar na minha terra natal. É o meu antidepressivo. Um motivador para continuar vivo e tirar sangue e a sanidade de cada um dos vermes que aniquilaram a minha família e dizimaram, torturaram e escravizaram à sangue frio, os seres humanos que aqui hospedaram...

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[James Wesley]- Fim....-[conclui].

        O SH não consegue tirar os olhos por um segundo de Wesley. Uma expressão de admiração e surpresa subiam em seu rosto. Sem dizer uma única palavra por alguns segundos, o homem sorriu satisfeito e lhe disse:

[Super-Humano]- Você é realmente muito bom...Gostei de sua história.- Diz o SH enquanto entrega as duas notas de dinheiro para James- À propósito...Qual é seu nome?-[pergunta curioso].

[James Wesley]- James Wesley...-[responde com leve sorriso].

[Super-Humano]- James Wesley...Prazer, Vondano- [sorriso de satisfação].

[James Wesley]- O prazer é meu, Vondano.

        Antes que pudesse guardar o pecúlio, Wesley percebeu um cartão de visita com número de telefone e endereço de transmissão de dados entre as notas de dinheiro. Vondano aproxima levemente o rosto para Wesley, e com um sorriso irônico, mas positivo, lhe diz:

[Vondano]- Pode contar comigo...-[dá uma piscadela].




 



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