----BIOTH. VANDORA.PERÍODO DO GRANDE CHOQUE CULTURAL. 53H72 DA NOITE. FESTA NOTURNA. BEBIDAS E SUBSTÂNCIAS. CONFLITO DE APARÊNCIAS. IMINÊNCIA DE SURTO DE "HIBRIDEZ"------
Medo e apreensão. Luzes pulsantes. Música límpida, forte e grave. Comprimidos caídos envolta de um homem esparramado no chão.
..........." Tony...!" — [se mostra severamente preocupado].
Visão turva, sons abafados. Chiados no ouvido. Sensação de estado
flutuante. Olhos paralisados e um sorriso estúpido. Música caótica. Sua alma já não estava mais lá.
[Homem 01] — "Tony!" — [clama apavorado].
“Hey, vocês dois, limpem essa bagunça...” -
[fala em língua vandoriana]. Um dos passantes que atravessa o corpo do homem de
terno marrom, calça rosê, gravata preta e camisa branca, repreende os dois
festeiros pelos comprimidos recreativos espalhados no piso. Era uma mulher de
vermelho, escandalosamente bela, mas extremamente desconfiada do cenário que
via. Sem entender absolutamente uma única vírgula do que a moça havia dito, o
amigo de Tony se mostra ainda mais agoniado e receoso de ser rechaçado pelos
frequentadores. A Dama de Vermelho, se dirige até o balcão por onde estão os
funcionários do estabelecimento para alertá-los some a tensão que se instalava
na Boate.
[Mulher] — "Sabem aqueles caras ali? ... são os
forasteiros. Esses dois aqui vão nos dar problemas...." — [mostra incômodo].
[Funcionário] — "Não adianta, tem vários deles
aqui... não posso expulsá-los assim..."
[Mulher] — "Mas o bar não deveria abrir espaço pra eles... um deles até colocou a mão no ácido agora há pouco..." — [exibe um olhar fixo, falando por entre dentes].
O
funcionário cede um olhar de espanto para a mulher, que balança lentamente a
sua cabeça para cima e para baixo. Aquela declaração deixou o rapaz mudo por longos
segundos.
Os
olhares de reprovabilidade e estranheza sem dizerem uma única palavra, já eram equivalentes
a um julgamento inquisitório. Apesar de calmos, suas feições denunciavam.
Estavam contrariados. Nervoso e envergonhado com a exposição, o amigo de Tony
tenta tirá-lo do transe de imediato.
[Homem 01] — "Acorda, Tony! Caramba, faz um esforço,
caralho!" - [estapeia o rosto do amigo por diversas vezes].
Embriagado
e dopado de balas, Tony começa aos poucos retomar a consciência e se esforça para se
levantar permanecendo sentado no piso. De expressão um pouco zonza e letárgica,
sentia como se sua audição estivesse voltando gradualmente à velocidade normal.
[Tony] — "...Nossa..." - [esfrega o rosto].
[Homem 01] — "..." - [mostra-se indignado] — "Sério isso, Tony"?
[Tony] — [meio letárgico, coloca uma das mãos na
cabeça].
[Homem 01] — "Você sai da Terra para um Planeta em uma galáxia que fica no beco do INFERNO pra fazer uma estupidez dessa??" - [cede um leve empurrão em sua cabeça] — "O que acha que tá fazendo cara??" — [salta os olhos de indignação] — "Você acha que tá em casa??" — [repreende].
Tony,
não sabendo muito bem o que responder, apenas mostra um sorriso tolo e balança
o queixo de seu amigo com dois de seus dedos, lançando logo em seguida sua
escorregadia justificativa:
[Tony] - "... Eu tô no paraíso, cara..." - [sorriso
relapso, olhar de torpor].
Aborrecido,
o amigo afasta a mão de Tony sobre seu queixo e o levanta de forma enérgica do
chão para levá-lo embora dali.
[Homem 01] — "Anda, vamos embora, você já abusou da minha boa vontade, chega de festa...!" — [pega no braço de Tony].
Tony
porém, se esquiva bruscamente do agarrão de seu amigo e insiste em permanecer
na festa.
[Tony] — "Hey, qual é, Nolan...!" — [ergue] — "Eu tô me divertindo, cara...!" — [fala gradual].
Nolan
não mais consegue responder uma única palavra para Tony, mostrando aparente
decepção e preocupação com o amigo inconsequente.
[Nolan] — Cara, pelo menos pare de ficar bebendo esse negócio, isso aqui não é cerveja do bar da sua esquina... — [tira a garrafa das mãos de Tony].
[Tony] — [levemente tonto e letárgico] — "Mas é muito melhor que a cerveja da minha esquina..." — [pausa por alguns momentos, ainda de um lado para o outro] — "ow! Nolan! Você ainda tem água? Eu tô com sede..." — [olhar besta].
[Nolan] — [olhar de reprovação] — ... Eu tenho... me espere aí. - [vai até a mesa buscar as garrafas d’água].
Tony
estava fascinado com a Ilha-País. Lá, era tudo que ele almejava para suas metas
mais impossíveis de vida. Um belo paraíso riquíssimo em fauna, flora e
tecnologia, com extrema abundância de cores vivíssimas, quase cegantes. O mais
arrepiante luar estrelado, o mais divino pôr-do-sol, os mares mais cristalinos,
e os habitantes de tirar o fôlego daqueles pobres olhos que, até então, nunca
esteve acostumado a conviver com o auge do que ele entendia como a perfeição incontestável.
O ápice da Epifania. O excesso de fascínio e prazer iria levá-lo logo ao
Inferno. Não sabia lidar com tanta bonança e beleza posta à sua disposição. Era
muito mais do que sua pífia existência poderia suportar. Imparável e com sede
de estímulos, Tony iria muito em breve, se afundar.
Enquanto o festeiro se divertia como se não
houvesse amanhã, as pessoas próximas a ele admiravam seu estado de embriaguez.
Muitas até se entretiam com as futilidades e as besteiras de Tony e dançavam
junto com ele. Apesar de sua preferência por homens, Tony pela primeira vez
conseguia sentir algo a mais pelas mulheres da Ilha. Uma delas, uma dourada de
olhos laranjas e cabelos brancos, se aproximou de Tony oferecendo uma garrafa
de água que estava em suas mãos. Sem hesitar, o festeiro retira o lacre e bebe
todo o conteúdo da garrafa cedida pela moça.
[Flerte] — "Estava morrendo de sede, não é?" — [sorri].
Admirado
pela beleza da mulher, Tony, apesar de não ter entendido a linguagem da moça,
já estava se sentindo bastante revigorado. Suas energias foram recarregadas e a
secura de sua garganta já não o deixava agoniado.
[Flerte] — "Você fala inglês, querido?" — [olhos vibrantes]
[Tony] — [apaixonado] — "Eu falo a língua que você quiser, doçura..." — [sorri].
O
homem arranca risos genuínos da mulher, que começa a aproximar seu corpo ao de
Tony. O felizardo jamais havia tido uma atração tão inesperada quanto naquele
momento. Àquela altura, o festeiro já havia consumido todas as substâncias que
poderia colocar na corrente sanguínea. A mulher, dançava conforme o ritmo lento
e gentil de Tony, que já estava completamente encantado pela dama. Ousado, o
homem logo toca na cintura da moça, que tacitamente consente com o primeiro
passo. Sem muita cerimônia, a mulher sobe gradualmente as mãos de Tony até a
região entre suas axilas e seios. Tony acompanha o ritmo de seu flerte e roça
seus dois polegares nas laterais dos bustos da moça. Os olhares se mantinham
fixos um para o outro por pelo menos 10 minutos.
Em
pouco tempo, sua letargia já havia chegado ao fim com o ardente beijo roubado
pela moça de miniblusa rosa choque e calça vinil esverdeada metálica de cintura
baixa. Tony esfregava suas mãos no abdômen da mulher enquanto esta alisava seus
ombros e trazia seu rosto para junto de si. As unhas violeta da moça espremiam
as nádegas de Tony. O pobre louco começa a ficar em transe com o finíssimo
perfume da Super-Humana. Os dentes de Tony ameaçam roubar o brinco amarelo da
mulher. O batom da moça tinha gosto de frutas cítricas. Nolan, volta com as
garrafas d’água em mãos quando se depara com a cena inesperada junto a mais 03
colegas.
[Nolan] — "Meu Deus...". — [admirado]
[Homem 02] — "Ué... ele não era gay?" - [incrédulo]
[Homem 02] — [Assustado] - "Tony!" — [assobia].
Tony
escuta o chamado, mas o ignora momentaneamente, aproveitando cada segundo com a
moça por quem suas mãos não paravam de manipular os seios.
[Nolan] — "Oh, seu palerma! Sua água aqui!" — [chama, irritadiço].
Por
alguns momentos Tony teve de interromper seu momento mágico para dar atenção
aos amigos enciumados, preocupados com sua falta de noção das consequências da
realidade que o Boêmio estava se deparando.
[Flerte] — "Eu vou ficar a noite toda. Se quiser ir me ver, vou estar no quarto 305..." — [sorri, falando em inglês].
[Tony] — Ah, eu não vou perder isso por nada, querida... — [sorriso apaixonado].
A
mulher rouba um último beijo de Tony antes do felizardo fazer companhia aos
seus amigos. Os colegas, ao contrário do que Tony esperava, não parecia estar
muito empolgados com o que viram, haja vista a surpresa coletiva.
[Homem 02] — "Tony... você ficou maluco?" — [movimentar de olhos e expressão receosa, fala gaguejante] — "Isso... isso pode te matar, cara..."
[Tony] — "Qual é, gente, vocês acham que eu vim pra festa só pra ficar mocozando?" — [ergue os braços] — "Sejam menos ranzinzas pelo menos..." - [expressão de aborrecimento].
[Homem 03] — "Qual parte da aula de História você perdeu no Ensino Médio, cara?" — [espantado].
[Tony] — [senta-se e despeja bebida em seu copo] — "A parte do “Foda-se a DST, vou transar com a mulher mais perfeita da Galáxia”"? — [sorri].
[Nolan] — "Você é um inconsequente, Tony, não viu o que aconteceu com o cara que teve o rosto deformado? É nessas gostosonas que aparecem em expedições colonizadoras que moram as piores moléstias..." — [aponta].
[Homem 03] — "Esse aí não aprendeu nada sobre a descoberta da América do Sul..." — [encara o outro colega].
[Homem 02] — "Não é à toa que o símbolo da Morte é uma bela mulher nua..." — [leve feição de sarcasmo].
[Tony] — "Porra..." — [feição de leve seriedade] — "até parece que vocês nunca nem passaram a mão nelas...! O dedo de vocês caiu, por acaso?" — [exibe uma das mãos] — "Pô, senta aí, me deixa e esquece essa porra, cambada...!" — [leve irritabilidade] — [volta a beber].
[Nolan] — "Os nossos dedos não, mas o seu pau vai cair logo, logo..." — [feição irônica, braços cruzados].
Entre
uma discussão e outra, os amigos se acertam entre si e terminam aceitando
momentaneamente a situação em que se encontram. 50 minutos locais após os
amigos se juntarem à mesa redonda, Tony começa a sentir uma leve dor no peito e
uma brusca rigidez em uma de suas pernas. Sua expressão facial subitamente se
converge e seu olhar adquire um semblante frio e vazio, momento em que sua
mudança de comportamento começa a estranhar os presentes. O homem, em um
estranho acesso de raiva, se levanta da mesa já visivelmente irado com eventos
pretéritos. Sem entenderem o que se passava com Tony, um dos colegas impede que
Nolan se levante para ir atrás do amigo transtornado.
[Homem 03] — "Espera, senta aí, deixa ele se acalmar um pouco... ele tá agitado..."
[Nolan] — "Esse é o problema... ele vai acabar se matando..." — [negação com a cabeça] — "Eu tô preocupado com ele, mano... ele nunca foi assim." — [negação com a cabeça] — "Eu vou lá..." — [sai de cena].
O
homem termina, a contragosto, deixando Nolan se entender com Tony. Enquanto o
Boêmio sentia os efeitos das substâncias que ingeriu durante a festa, uma
mulher loura, de olhos esverdeados e aparentemente discreta, estava solta pela
festa, aproveitando-se de um bom drink de dose mais fraca do que a
costumeiramente usada pelos SH’s. No campo de visão da moça, havia a alguns
metros, um elegante homem togado pela qual a mulher imediatamente se encantou.
De cabelos pretos, rosto simétrico e olhos tão vermelhos que mal pareciam
existir pupilas, a moça não conseguia parar de encará-lo. Da mesma forma, o
charmoso visitante da casa, de olhar sério e com uma taça de bebida em mãos,
situado a alguns degraus acima de uma plataforma prateada fosca, também a
fitava diretamente em seus olhos por logos minutos. Sem acreditar muito de que
estaria sendo espiada pelo Super-Humano, a dama exibia rápidos desvios de olhar
para parecer o mais desapercebida possível. Àquela altura, nenhum dos dois já
não escutavam mais o som que vinha das músicas. Pareciam invisíveis.
Do
outro lado, um grupo de rapazes de olhares devassos e caráteres duvidosos não
paravam de fitar a mulher estrangeira, que era espiada pelo charmoso homem alto
de olhos vermelhos. Uns comentavam sobre a moça com um tom de desprezo, outros
de deboche. Faziam juízos de valor sobre o corpo da hóspede enquanto
desfrutavam de suas taças de bebidas azuis. A mulher tinha sobrepeso, mas não
era obesa. Em meio a um mar de corpos esbeltos e simetricamente alinhados nos
mínimos detalhes, ela e seus compatriotas Norte-Americanos eram os únicos a
chamar a atenção da casa pelo estranhamento.
[Rapaz 1] — "... Aquela ali... estão vendo aquela mulher? Então... é a de vestido púrpura, logo ali atrás..." — [aponta].
[Rapaz 2] - "Eu tô vendo... aquela ali é uma “Sub”. É da tropa da expedição de cientistas extraterrenos." — [olhar de estranhamento].
[Rapaz 3] — "O que é aquilo no abdômen dela? Ela tá muito inchada... parece uma geleia..." — [fita a moça].
[Rapaz 4] — "Não sei, mas essas criaturas estrangeiras são todas deformadas, nenhuma escapa..." — [negação].
[Rapaz 3] — "Caramba, que coisa mais horrível...." — [feição de repulsa].
[Rapaz 1] — "Santa Mãe... depois dessa, eu vou precisar de um digestivo." — [sorriso de gozação].
Ambos
os homens riem dos comentários abusivos, exceto um deles, que se distrai
fitando para a moça. Um dos soberbos do grupo tendeu-se totalmente ao oposto de
seus companheiros, mostrando-se desprezivelmente atraído pela loura vulnerável.
[Rapaz 2] — "Como é que tem gente que ainda se mistura essa coisa?" — [desprezo].
[Rapaz 4] — "Isso é punição Divina, só pode... me vê aí algo pra não vomitar no piso, sério mesmo." — [debocha].
[Risos coletivos].
[Rapaz 5] — "Eu tô passando mal, mas é de amor..." — [olhos fixos como a de um gato].
Todos
os presentes param por alguns minutos para tentar entender a fala de um dos
rapazes do círculo de amizades. Um dos homens começa a suspeitar do
comportamento do colega:
[Rapaz 4] — [aproxima o rosto até o apaixonado] — "Hey." — [estala os dedos] — "Por que tá alucinado?" - [olhar de julgamento sério].
[Rapaz 5] — [vira o rosto para frente] — "Nada... eu pareço alucinado?" - [tenta disfarçar].
Um
breve silêncio paira por alguns segundos enquanto os 04 jovens fitam o rapaz de
forma suspeitosa, gerando um breve constrangimento no ar.
[Rapaz 4] — "Amigo..." — [sorriso de canto] — "você não tá encantado por aquela moça, tá?" – [feição irônica].
O
jovem deixa escapar algumas risadas.
[Rapaz 4] — "Porque se tiver, você tem uma parafilia meu bom..." - [feição irônica].
[Rapaz 5] — "Prrffs...! Parafilia por quê...?" — [aos risos] — "Eu achei ela bonita, qual o problema?"
[Todos Simultaneamente] — "O QUÊ...?!?" — [incrédulos].
[Rapaz 5] — [feição de surpresa e sorriso de canto] — "Ué, vocês estão surpresos? Eu já falei que meu estilo de beleza é outro, não sei qual a novidade..."
[Rapaz 3] — [espantado] — "Aquela criatura abjeta é “beleza” pra você??"
[Rapaz 5] — "Ela não é uma abjeta, cara, ela só é estranha... eu adoro mulheres estranhas! Qual o problema disso?" — [feição de timidez, mas descontraído].
[Rapaz 2] — "Caramba, mas com tantos homens e mulheres perfeitos aqui na Ilha-País, você vai se engraçar justamente com uma estrangeira que mal tem a própria cara no lugar da face?" — [semblante de repulsa].
[Rapaz 5] — "Ah, qual é gente, eu tô entediado de ver sempre o mesmo tipo de beleza, nunca tem novidade nesse lugar! Entendam, eu adoro mulheres lindas, nunca vou abandoná-las... mas mulheres feias são uma verdadeira peça de arte...!" — [ressalta e gesticula, em fala gradual] — "Caos, desordem, desequilíbrio, corpos assimétricos, ISSO é que me atrai!" — [reforça] — "Quanto mais feia, mais sexy!" — [empolgado] — "Homens... IDEM!" — [semblante de confiança] — "Desde o primeiro dia em que eu vi esses estrangeiros aqui, eu nunca fiquei tão fissurado quanto eu estou agora nessas belezuras..." — [bebe a taça de drink].
[Rapaz 1] — [irônico espanto] — "É muita coragem, viu...."?
[Rapaz 3] — "Ainda bem que não sou eu..." — [surpreso e decepcionado].
Enquanto
os cinco jovens se entretiam alvejando a mulher, a moça tentava disfarçar a
vergonha ao beber o drink em suas mãos, mas não consegue deixar de exibir o
desconforto quando vira alvo de simbólicos ataques vindos dos cidadãos
vandorianos. Notando a micro perseguição que a mulher estava sofrendo por parte
dos garotos, o homem finalmente sai da plataforma e vai até a moça para garantir
que a mesma se sentisse um pouco mais segura. Assustada, a visitante disfarça
seu olhar por não saber que o elegante homem se dirigiria a ela. De forma
gentil, o SH se aproxima da mulher, depositando um pouco de seu champanhe em
sua taça quase vazia. De forma tácita, a moça aceita a gentileza, ainda um
pouco sem graça, mas apaixonada pelo galanteador.
[Vandoriano] — "Se importa?" — [pergunta em inglês].
[Mulher] — "De forma alguma..." — [sorri, dedos nos cabelos].
[Vandoriano] — "A bebida está muito forte?" — [voz imponente].
[Mulher] — "Não. Gosto muito dessa bebida. É a melhor que já provei."
[Vandoriano] — "Tem bom gosto." — [olhar fixo].
[Mulher] — "Você também..." — [confiante].
[Vandoriano] — [olha para o balcão] — "Com um bom morango, o sabor fica ainda melhor." — [olhar fixo].
A
mulher deixa escapar alguns risos e seus lábios ficam presos entre seus dentes
brancos.
[Vandoriano] — "Gostaria de provar uma amostra?" — [feição ambígua, atraente].
[Mulher] — "Claro... me surpreenda." — [sorriso expansivo].
O
homem pede permissão para coletar algumas unidades de morangos expostos em um
comprido vaso com ramos de plantas para a apreciação do público. A quantidade
de frutas era tamanha que a maioria delas eram disponibilizadas de forma
gratuita naquela Ilha. Nada lá poderia ser desperdiçado, por mais inútil que
fosse. O charmoso cavalheiro pega algumas amostras dos melhores frutos colhidos
em Vandora e os deposita em uma pequena cesta para presentear a moça. Com uma
de suas mãos, a dama pega um dos morangos e saboreia uma das melhores sensações
pelas quais a mesma nunca sentiu em sua existência. O sabor não deixou a
desejar por um único segundo.
[Mulher] — "Maravilhoso..." — [expressão de satisfação] — "Nunca experimentei nada igual antes."
[Vandoriano] — "Fico feliz que tenha gostado..." — [feição misteriosa e simpática].
O
vandoriano levanta uma das mãos esmaltadas da mulher e a beija gentilmente
antes de fitar o seu rosto. A moça tinha a certeza de que aquele seria seu
Grande Amor, mesmo que por uma única noite, que era infinita para ela.
[Vandoriano] — "Não ligue praqueles idiotas. Eles só querem chamar a atenção..." — [leve sorriso].
[Mulher] - "Obrigada, você é muito gentil..." -
[encantada].
Os
dois enamorados brindam com suas formosas taças e permanecem amavelmente
conectados um ao outro, sem se deixarem levar por quaisquer distrações
externas. O grupo de malfeitores, que até então estavam vandalizando a imagem
da moça, perdem gradativamente suas expressões de prazer para uma abissal
decepção pela interferência do nobre cavalheiro. O pobre jovem que estava
extasiado pela moça, perdeu a chance de se aproximar dela.
[Rapaz 5] — "Estragam a minha paquera, bando de Bocós...." — [aborrecido, se afasta do grupo de jovens].
[Rapaz 4] — [espantado] — "Hey, Cell, espera, não
fica assim, cara...!"
Percebendo
o estrago que fizera, um dos jovens vai atrás do jovem moço, frustrado pelo seu
fracasso. Os outros membros da roda observam os dois colegas se distanciando do
local de onde estavam.
[Rapaz 3] — "Éh... no final das contas, ele conseguiu o que queria..."
[Rapaz 1] — "Conseguiu o quê?" – [confuso].
[Rapaz 2] — "Ficar a sós com o Cell..." — [feição devassa].
[Rapaz 1] — [pasmo] — "Oh... Oh quê... vocês armaram isso"??
----------[I
Fink U Freaky - Die Antwoord].
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Enquanto
uns se divertiam, outros estrangeiros são encontrados com partes de seus corpos
danificados e com severas queimaduras nas mãos devido à invasão dos quartos
reservados ao tratamento de beleza e cosméticos peculiares. Gritos de dor
mesclados a sons de vidros quebrados começaram a assustar os SH’s, que não
estavam acostumados a lidar com imagens de ferimentos, especialmente os mais
graves. Como forma de disfarce para não espantarem os convidados da festa,
paramédicos foram imediatamente chamados, e pelos menos três pessoas saíram do
local levadas em uma maca, já completamente desmaiadas de tanta dor. O alerta
de que os forasteiros estavam se intoxicando e até sofrendo lesões graves, já
havia sido espalhado por toda a casa. Cochichos espalhavam-se como telefone sem
fio, e um misto de desconfiança e contrariedade já haviam começado a se
instalar no estabelecimento. Os colegas de Nolan, nada podiam fazer além de
aproveitar a bebida e se compadecerem de Tony.
[Homem 02] - "..." — [receoso] — "O que houve com aqueles dois"?
O
visitante avista 03 pessoas sendo imediatamente retiradas da boate com parte de
seus corpos tampados.
[Homem 03] — "Aqueles são dos nossos?" — [preocupado].
[Homem 02] — "Eu não sei..." — [observa] — "não dá pra ver direito..."
[Homem 03] — "Bom, eu não conheço nenhum dos três, então deixa quieto..." — [levantar de ombros, despeja a bebida no copo].
[Homem 02] — "Que coisa estranha..." — [desconfiado].
[Homem 03] — "Cara, você sabe o que houve com o Tony? Ele tá despirocando..." — [bebe o drink].
[Homem 02] — "... Ele tá assim por causa daquela mulher maluca que comparou a sexualidade dele com a de um primata..."
[Homem 03] — "Tá falando de quando a gente foi naquele Casarão que mais parece um cenário de Gang Bang?"
[Homem 02] — "Aquele mesmo..."
[Homem 03] — "Ela é muito patética, cara... a vida dela se baseia e subir na carreira fazendo assédio moral."
[Homem 02] — "É, só que o Tony mandou ela à merda também... não sei como ele ainda era amigo dela." — [bebe o drink] — "Hum!" — [expressão séria de deleite] — "Eu quero mais um drink." — [bate o copo na mesa] — "Isso aqui tá bom demais...!"
[Homem 03] — "Concordo! Já provou o de frutas cítricas? É DIVINO..."
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Os
dois amigos estavam próximos a uma janela de finas cortinas sedosas que dava
acesso ao ambiente externo, na qual era exibido o panorama da grande praia de
areia furta cor que brilhava como néon naquela tarde da noite. O mar, adotava
uma coloração levemente lilás.
[Nolan] — "Hey.... tá passando bem, filho?" — [diz preocupado].
[Tony] — [com expressão de repulsa e raiva, suspira] — "Cara... me bateu uma vontade de matar aquela mulher..." — [desliza as mãos pelos cabelos].
[Nolan] — Como assim, cara? — [receoso].
[Tony] — [injuriado] — "Você viu o que ela falou de mim?" — [aponta para o lado] — "Quem ela pensa que é, cara? ... A filha da puta dependeu de mim pra fazer essa expedição funcionar, e ela vem e me faz um comentário MERDA daquele??" — [aponta o braço para o lado].
[Nolan] — "Ela não se referiu a você, mano, ela tava falando do Anfitrião do Casarão..." — [olhar de melancolia].
[Tony] — "Dá na mesma...!" — [enche o copo com um líquido rosa choque e o bebe por inteiro] — "Ela é muito ingrata. Metida, arrogante, exploradora..." — [feição de raiva] — "NUNCA MAIS quero saber da maldita cara dela..." — [aponta para Nolan] — "agora sou eu quem faço a minha carreira aqui..." — [bebe o drink].
[Nolan] — "Esquece essa mulher, cara... vocês já vinham brigando muito antes dessa viagem..." — [apoiado sobre a janela].
[Tony] — "Se não fosse aquele cara do Casarão, eu não teria percebido a cobra que é essa mulher..." — [raiva] — "ela é tão fracassada que se gaba por ser hétero, mas não teve a competência de gerar um filho no planeta...!" — [dedo indicador para cima].
[Nolan] — "E você acha que uma Bruxa daquela tem capacidade de cuidar de uma criança?" — [feição irônica] — "Aquilo ali vai é matar o filho dela...!"
Nolan
consegue arrancar risos genuínos de Tony, que ao bater de palmas de suas mãos,
acende um charuto saborizado que havia comprado de uma das bancadas da festa.
Satisfeito com alívio que a resposta de Nolan lhe proporcionou, volta a ficar
alegre e devasso como nos momentos anteriores. Seus óculos prediletos são
colocados em seu rosto, e sua raiva parecia ter sido cortada de súbito. O homem
não sabia mais distinguir se o que ele sentia era raiva ou euforia.
[Tony] — "Você tem razão, cara... eu tô pilhado por algo que não me custa caro..." — [traga o cigarro] — "Eu vou dar uma fumada e vou tomar um banho, me vê uma água?"
[Nolan] - "..." — [receoso] — "Tá tudo bem mesmo, ou eu vou ter que te carregar?"
[Tony] — "Eu tô ótimo." — [confiante] — "Só preciso me hidratar..." — [cede uma nota de dinheiro vandoriana para Nolan] — "não sei o que tá escrito nessa porra, mas só sei que eu consegui comprar uma água com ela..."
[Nolan] — "Rshah... você é um idiota mesmo..." — [sorri] — "isso aqui é uma nota de 10, oh bocó..." — [sacode a enorme nota de dinheiro].
Tony
movimenta a cabeça de lado como forma de demonstrar jogo de cintura e volta a
demonstrar seu bom humor, tão súbito e efêmero como descargas elétricas. Os
ventos começavam a sinalizar aproximação de chuvas para a região próxima à
praia. A noite parecia infinitamente maior do que a disposição dos outros
visitantes Norte - Americanos que ali estavam. Uns já aparentavam estar
sonolentos. Outros, se sentaram sobre as grandes mesas de acrílico rosado
cintilante. Algumas camas dispostas no local chegaram a ser ocupadas por pelo
menos três pessoas, que ficavam protegidas por uma fecha transparente que
percorria por todo o largo leito em que ninguém poderia incomodá-las.
Já
com o paladar sensibilizado e atiçado por distrações, Tony sai a procura de
terrinas dispostas nos balcões da festa em que continham alguns “doces”. Todos
eles com embalagens de alfabeto totalmente desconhecido para Tony. A aparência
engana: eram drogas, e das mais fortes. No armário de vidro de um dos balcões,
um vidro de bebida azulada e doce era vendida gelada para os consumidores. Tony
joga uma nota de dinheiro vandoriana sobre a superfície acrílica brilhante e
aponta para a tal bebida que estava em sua frente. O líquido azul claro
cintilante era um dos mais atrativos e prediletos pelos cidadãos da Ilha-País.
Era brilhoso, era bonito, era gelado, viscoso na medida certa. Gravava na mente
e no paladar. Era o Azul da Morte. O
estado de relaxamento de Tony dá lugar a um nível de satisfação e confiança do
homem que o tornam imparável. Alguns sentimentos paralisantes que até então
eram comuns para o Colombiano, começam a desaparecer. Em meio a passos
descolados de dança, o Boêmio só conseguia pensar na mulher de olhos laranjas de
que havia esbarrado. As batidas das músicas eram atraentes, fortes, graves e
constantes, não havia um minuto de calmaria nos corpos musicais. Quando os
“doces” já haviam derretido e cigarro totalmente consumido, o homem já havia se
perdido de Nolan. Sem saber onde o amigo estava, sacou uma garrafa de água
aleatória que estava disposta em uma das mesas e a bebeu por inteira sem olhar
para trás. Àquela altura, já não mais sabia onde estavam seus amigos.
Em
zig e zag por entre as elegantes cortinas, ligadas por rígidas estruturas
cobertas de tecidos na qual lembravam “dobrinhas” de belos vestidos, todas de
cores muito bem combinadas, Tony atravessava salas e corredores emaranhados de
joias, roupas e perfumes. Confuso, mas crendo de que poderia prosseguir em
frente, o festeiro se familiariza com um dos quartos de que tinha ouvido falar
anteriormente: o de número 305. O local estava de porta entreaberta, e parecia
ser um ambiente destinado ao uso de chuveiros e banheiras.
Ao
entrar no local, todas as paredes de azulejos alaranjados pareciam substituir
as lâmpadas, de tão brilhantes e formosas que eram. Os pisos, de profundidade
ilusória, já vinham inundados de águas quentes e ofurôs cheios de madeira rosa
polida lotadas de enfeites e flores, e algumas mulheres que ali passavam,
costumavam deixar joias das mais variadas cores dispostas, seja para enfeitar
as banheiras, seja para que outras mulheres pudessem usar e compartilhar umas
com as outras. Junto às banheiras, haviam pequenas fontes de cachoeiras
artificiais que despejavam águas quentes, e as pias, todas amadeiradas e
rodeadas de flores. Haviam sabonetes, óleos e cosméticos dispostos em enormes e
compridas cestas, para todos os gostos. Homens e Mulheres se cobriam apenas com
tangas de banho para se manterem minimamente vestidos. Com receio de pisar na
água do piso por estar de sapatos, logo chega uma mulher alta, com tanga
transparente e olhos verdes para alertar o festeiro sobre não usar calçados
para entrar no quarto de banho.
[Mulher 02] — "Tire os calçados, Senhor... retire os sapatos." — [fala em língua vandoriana].
Espantado
pela beleza da mulher e sem entender muito o que ela dizia, Tony apenas a
deixou tirar as suas roupas por completo e guardá-las em um dos armários do
quarto para que pudesse recepcioná-lo. Já nu e sem graça, Tony pisa pela
primeira vez no tapete que mais parecia com uma textura de pelúcia esponjosa.
Percebendo a cautela de Tony, a moça o pega pelo braço e o trás para dentro,
fazendo-o pisar nas águas quentes que compunham o piso de profundidade
ilusória.
[Mulher 02] — "Por que está tão abobado? Vamos, entre...!" — [mostra-se impaciente].
Em
linguagem vandoriana, a mulher orienta o Colombiano a usar o banheiro antes de
se lavar e refrescar. Olhando de um lado para o outro, Tony não sabe como
proceder diante da fala da mulher até que ela aponte o caminho direto para as
cabines. Sem muito o que falar, o festeiro segue sua orientação com um sorriso
sem graça.
Estranhamente,
o Boêmio não parecia estar apertado mesmo tendo ingerido bastante líquido.
Parecia que a maior parte da água de seu corpo tivesse sido absorvida de seu
corpo. Tony começa a se sentir desconfortável, pois apesar da ausência de
vontade de urinar, sentia que havia algo precisaria ser eliminado de seu corpo.
Com um leve sintoma de tontura e dirigindo-se para uma das cabines próximas, o
homem tenta se aliviar em um dos mictórios por alguns minutos, mas nada nele
desce água abaixo. Sem nenhuma sensação de dor ou de peso, mas com algo
bloqueando sua bexiga, o desafortunado olha para cima, respira fundo e cerra os
olhos, torcendo para que aquele desconforto saia de uma vez por todas de seu
corpo.
Quanto
menos espera, Tony escuta som de água corrente descendo pelo mictório, mesmo
sem nada sentir sendo esvaziado de seu ventre. A urina estava completamente
transparente, mas seu aspecto era “tintoso” e vinha com algumas películas de
tonalidade furta cor. Foi uma das cenas mais dantescas que o festeiro
presenciou até então, o que lhe causou uma breve curiosidade, mas uma ponta de
desconfiança. Foi só após alguns segundos que o homem começou a adquirir
sensibilidade em sua bexiga e começou sentir um pouco menos de tontura. Quase
se desequilibrando de forma lateral, Tony se apoia à parede, e sem querer,
termina deixando vazar um pouco de urina no piso brilhante do local. Com uma
mão na testa e fechando os olhos por diversas vezes para tentar se recompor, o
Boêmio limpa o chão com algumas folhas de papel higiênico, se seca com um lenço
umedecido e sai nu da cabine para tentar relaxar em um dos ofurôs daquele quarto
a fim de se recuperar do breve colapso que teve.
Ainda
tonteado, mas fascinado pelo quarto de banhos, o homem escuta o canto de uma
mulher e acaba preferindo caminhar até uma das cabines com chuveiro devido a
sua familiaridade com a voz. Ambíguos e confusos, ao abrir a porta de uma das
cabines, lá estava a bela mulher de olhos alaranjados e cabelos brancos que
havia flertado na pista de dança. Surpreso e encantado, o Boêmio não esboça uma
única palavra diante da beleza da moça, que fica feliz ao vê-lo. Admirando-o de
cima em baixo, e em uma súbita explosão de desejo, a mulher se aproxima de Tony
tomada por uma hipnótica fixação pelo charme e vulnerabilidade do homem.
---------------[Model Citizen - Male Tears].
[Flerte] — [linguagem vandoriana] — "...Você veio, doçura... nossa, já ficou pronto assim pra mim? Que honra..." — [admirada] —Como você é um pêssego..." — [sedenta] — "vem aqui!" - [puxa Tony com força].
A moça puxa o homem pelo braço e o toma de paixãoquando o tranca na mesma cabine em que estava. A vandoriana o beija e o absorve como um fogoso amante consome todo o amor de uma mulher. Tony entra imediatamente no ritmo de seu flerte e a abraça intensamente aos beijos. Sentindo a imensa força bruta da mulher, o Boêmio se sentia vulnerável como um inseto, mas abençoado como um bebê. A mulher estimula Tony de frente e trás sem pudor e o faz se sentir em posição de submissão na qual lhe atiça fantasias ainda nunca descobertas. Louco pela mulher e sem pensar duas vezes, a conduz para dependurar-se em uma bancada junto ao chuveiro, enquanto a dama empurra o quadril de Tony para si, já prendidas uma de suas pernas nas mãos do afortunado. O homem ficou tão excitado que parecia que iria explodir a qualquer momento. A mulher força as nádegas de Tony. O homem se apoia nos seios da moça e a mulher estremece. A intensa paixão dura por 20 minutos, e no piso, começam a pingar fluidos corporais de ambos os lados. Tony nunca gozou tanto em toda sua mísera vida. O que era uma gota de tempo para a Super-Humana, para Tony, o tempo daquele planeta parecia uma eternidade.
Exausto
e dolorido após o ato, Tony termina depositado em cima do corpo da mulher, que
àquela altura já havia deixado vários hematomas em seu corpo. Impressionado com
a performance da moça, o festeiro devolve um intenso beijo na mulher, que
percebe os membros inferiores de seu amante envolto de tremores. Com o coração
quase estourado de seu peito, Tony se encanta de vez pela dama que havia se
envolvido tão intensamente pela primeira vez.
[Flerte] — ... — [toca na nuca e nos cabelos de Tony] — Você gostou, damasquinho? — [fala em inglês].
[Tony] - Nossa.... — [sorriso de fascínio] — Você acabou comigo, Dona... Até me deixou roxo... - [feição de desejo e ingenuidade].
[Flerte] — Deixei, foi? — [cede vários beijos em Tony] — Você tem uma pele tão frágil, querido... — [prossegue as carícias] — Mas eu cuido de você, vou sarar seus hematomas rapidinho...
Durante
a troca de carinhos, Tony nota sua genitália ficar em frangalhos como se
tivesse tido contato com ácido, após retirá-la de dentro da Super-Humana. Com
ardência e sensibilidade, o festeiro cessa seu gemido de prazer, dando lugar a
uma aflição de dor.
[Tony] — "...Ssss, ah...!" — [feição de dor] — "...Ah... droga, tá ardendo... ssss....!" — [rosto contorcido].
A
mulher, percebendo o incômodo de Tony, saca de uma pomada posta entre seus
pertences atrás do balcão e presta um auxílio para o homem, que estava sentindo
bastante o ardor.
[Flerte] — "Vem cá, calma, eu vou te ajudar..." — [esfrega o produto nas mãos e passa suavemente em toda a genitália do Boêmio].
[Tony] — "Ai, cuidado...! Ssss...." — [feição de incômodo].
[Flerte] — "Ssshhh... tudo bem. Meu Grande, chega tá todo vermelho, pobrezinho..." — [expressão de angústia].
Aflito,
Tony realiza uma série de movimentos de respirações para compensar a dor e
ergue o rosto para cima, cerrando os olhos por alguns segundos.
[Flerte] — [olha para o amante] — "Isso vai passar a dor logo logo... sua pele vai se restaurar daqui a alguns minutos... está se sentindo melhor?" — [olha para Tony].
Eu
poucos segundos, a ardência passa e o homem começa a se sentir um pouco melhor
após a aplicação da medicação. O homem, já mais aliviado, apenas responde
positivamente com a cabeça.
[Flerte] — "Ótimo. Espere um pouquinho aqui na bancada e fique quieto até passar a dor, “ko kuên”?"
[Tony] — [sorriso tímido] - "Ko kuên..." — [linguagem vandoriana].
[Flerte] — [sorriso gradual] — "Aprendeu um pouco da nossa língua?" — [alisa as pernas de Tony].
[Tony] — "Aprendi algumas expressões." — [sorriso] — "Você é muito linda, sabia?"
O
homem arranca risos da mulher, que vendo o rapaz de forma ingênua, se mostra
ainda mais atraída por ele.
[Flerte] — "Você é uma graça, moço ingênuo..." — [encantada] — "Parece tão perdido no meio de tanta mulher..." — [feição sedutora].
[Tony] — "Essa é a primeira vez na vida que eu me apaixono por uma mulher..."
[Flerte] — "Sério?" — [surpresa].
[Tony] — "Uhum..." — [rosto inclinado, cabeça encostada à parede] — "até então, eu só curtia homens... mas isso foi até encontrar você." — [piscada de olho].
[Flerte] — "Mas que honra..." — [beija Tony].
[Tony] — "Me diz, qual o seu nome?" — [encantado].
[Flerte] — "Fléa. E o seu?"
[Tony] — "Pode me chamar de Tony." — [olhar afetuoso].
[Fléa] — "Prazer, Tony." — [sorridente].
[Tony] — "O prazer é meu, gata..." — [beija intensamente a mulher].
.
.
.
Saindo
da cabine aos tropeços e com as pernas bambas, Tony mal conseguia segurar a
toalha que estava envolta em sua cintura. Todo marcado de hematomas como se
tivesse sofrido um espancamento, o Boêmio acaba se desequilibrando e caindo na
piscina de água que cobria a maior parte do piso do quarto de banho, que não
fossem o local das cabines com privadas e chuveiros. Outros homens SH’s que
estavam nos ofurôs, riram da forma desajeitada de Tony e aproveitaram para
tecer comentários depreciativos contra ele:
[SH 1] — [risos] - "Oohh...! Esse aí não aguenta uma trepada, hein? Já tá morrendo, filho?" — [sorri].
[SH 2] — "Segura a marcha aí, amigo...!"
[SH 3] — "Olha isso, cara...! O sujeito tá todo marcado..." — [risos coletivos].
[SH 4] — "Transou com um tanque, foi?" — [feição irônica].
[SH 1] — "Tá fraco, hein jovem... não aguenta uma mulher, imagina duas..." — [dirige-se a Tony].
[SH 3] — "Imagina se fosse um cara, esse aí tava morto..." — [mastiga uma pequena barra de doce de frutas, mostrando desdém].
Risos
foram se acumulando até que por algum momento estes se cessassem por completo.
Constrangido e sem muito o que saber o que dizer diante de uma língua
totalmente desconhecida de seu povo, Tony apenas sorri de forma sem graça e se
levanta novamente para ir até uma das pequenas banheiras para relaxar os pés.
Ao se sentar próximo a um dos ofurôs, Tony pega um objeto oval embalado na qual
lembrava uma espécie de sabonete. Com os pés na água quente, o homem saca de um
recipiente de óleo de essências e o despeja na água. Olhando para os lados, as
cores começam a ficar cada vez mais confusas para Tony, e o seu cérebro, já
estava criando uma série de alucinações. Não entendendo a língua dos hóspedes
da festa, preferiu ficar calado por um tempo enquanto observava a água cobrindo
os seus pés e apreciava o ambiente. Em uma das banheiras próximas, 05 homens
lotavam as águas quentes e pareciam até mesmo estarem tirando um tempo de sono.
Dois deles aproveitaram a oportunidade para se beijarem e trocarem carícias
lascivas sem se preocuparem com quem estivesse perto. Estavam de corpos tão
grudados que pareciam quase irem para as vias de fato. Um dos amantes, abriu os
olhos e se deparou com Tony os espiando enquanto se beijavam. Com um dos dedos,
o rapaz chama Tony para ir até onde eles estavam enquanto se emaranhavam de
prazer. Apesar do flerte, o olhar do rapaz era sério, maligno e de poucos
amigos.
Não
achando uma boa ideia a oferta de aproximação, Tony apenas vira discretamente o
rosto e volta a olhar exclusivamente para baixo. O suposto sabonete que estava
em suas mãos era na verdade, uma pedra de sal de banho aromatizado. Ao abrir a
embalagem, a imagem em sua frente se quebra como uma tela de um televisor na
qual torna a figura estática e perturbadora, o que faz Tony se assustar e
voltar ao mundo físico. Percebendo que não estava são, Tony joga o sal de banho
por inteiro na água e lava bastante seu rosto para tentar aliviar o sintoma.
O homem exibia um rosto relapso, confuso, como
se estivesse transitando por entre o sonho e a realidade. Dando dois tapas em
sua cabeça, o Boêmio limpa o suor de sua testa e começa a ter alterações na sua
percepção dos sons das músicas do local. Tony mergulha na banheira já cheia de
água corrente a fim de tentar voltar para si, mas a única coisa que o homem
enxerga debaixo d’água, é um intensa vermelhidão pela qual envolvia até a
superfície do banhadouro. De corpo anestesiado e sentidos suprimidos, luzes
derivadas de raios surgem em brilhantes flashes rápidos frente à visão de Tony,
e o rosto do homem se submerge de um imenso mar róseo-vermelho sob uma enorme
tempestade de chuva caindo do céu, coberto de nuvens negras e vermelhas. Tony
percebe que não estava dentro do estabelecimento e entra no mais completo
tormento.
.
.
.
[SONS DE TROVÕES. FLASHES DE RAIOS. MAR AGITADO.
TEMPERATURA GELADA].
[Tony] — "O que é isso, o que é isso...?!" — [o homem começa a retomar e sentidos e entrar em pânico].
Os
barulhos de colisões das águas ficavam gradualmente mais intensas e os mares
cada vez mais agitados à medida em que Tony tentava inutilmente fugir daqui. Suas
pernas ainda estavam meio fracas e só poderia contar com a força de seus
braços. O pobre louco estava perdido e amaldiçoado.
[Tony] — [escorrer das águas em seu rosto] — "Socorro... SOCORRO! Tem alguém aí?! Me ajuda, eu tô me afogando, porra!!" — [agoniado].
Nadando
desesperadamente para encontrar a terra firme, as ondas das águas a todo
instante impediam a sua visão e inundava o seu rosto. Aos intensos gritos de
socorro, o homem procura para todos os lados alguma possível saída para aquele
inferno. Por alguns milésimos de segundo, lembrou-se de ter tido uma
conversação com Nolan em frente a uma janela pela qual havia uma praia
distante, e naquele momento, o tempo denunciava uma aproximação breve de uma
queda de chuva. Aflito, Tony clama várias vezes por Nolan a fim de que seu
amigo o escutasse. Desesperado, o rapaz começa a procurar algum tipo de rocha
ou objeto em que pudesse se apoiar. Com luzes tremulantes em uma imensa
escuridão que brilhava em sangue quando iluminado pelos raios dos céus, o pobre
infeliz mal conseguia enxergar o caminho em sua frente, bem como mal podia
escutar nada além dos fortes ventos e agitações das águas rosadas do mar. As
luzes se cessam, tudo fica totalmente escuro, e os ventos começam a se tornarem
perturbadoramente mais intensos e fortes. Condenado, Tony não podia fazer mais
nada além de se proteger de eventuais choques com pedras e outros objetos que
poderiam matá-lo. Indefeso, o homem submerge novamente nas águas profundas e
permanece por pelo menos 03 minutos. São os minutos mais infernais da sua vida.
Quanto
mais forte eram as ventanias, maior era a velocidade que Tony ia sendo
empurrado. Pensando em se tratar de um furacão, o homem teve a certeza de iria
morrer naquele momento quando é fortemente colidido contra uma parede rochosa
rodeada de raízes e plantas espinhosas. Tony termina se machucando
relativamente devido ao choque e, após 15 minutos se apoiando sobre a mesma
para se proteger, a pujante ventania finalmente se cessa. Ainda com a chuva em
andamento, e as gotas de água caindo como se estivessem espetando os hematomas
de seu corpo, o homem sobe sobre a inclinação rochosa e fica em longa posição
fetal enquanto o sangue se espalha ao longo da superfície de pedra úmida,
derivado do ferimento de sua cabeça. As luzes voltam e os trovões puderam ser
novamente escutados. Aos poucos, o tempo se acalma. Recompondo-se novamente e
podendo abrir os olhos, Tony ergue-se trêmulo e com raiva pela horrível
experiência que tinha acabado de passar. Com uma latente revolta presa dentro
de si, o homem, com o corpo todo infestado de cascalhos, terra e folhas,
explode em um rompante de grito liberado aos 04 quantos da praia distante.
.
.
.
[VOLTA A CONSCIÊNCIA. BRUSCO DESPERTAR. SONS E
LUZES PULSANTES. SONS GRAVES. GRAVATA BAGUNÇADA. PISO MOLHADO DE BEBIDA
ALCOÓLICA].
“Cara, levanta...! A gente tava te procurando há décadas!” — [brusco movimento levantando o corpo de Tony pelo braço] — Onde você estava??" — [olhar fixo e sério].
[Tony] — [acorda tonteando, mostrando com um olhar perdido e atordoado] — "Nolan...?" — [confuso] — "Como que..." — [olha para os lados].
[Nolan] — "Anda, deixa eu te carregar, você tá uma bosta, cara...!" — [passa um dos braços de Tony pelos ombros] — "Parece que tiraram sua roupa, rasgaram e depois te vestiram de novo."
[Tony] — "Cara... agora a pouco eu achei que eu tivesse me afogando.... que merda foi essa?" — [olha para o amigo].
[Nolan] — "Claro, idiota, você se afogou de droga, agora tá alucinando... aliás... você tomou banho? Tá todo perfumado..."
[Tony] — "... Sei lá, cara... eu nem sei onde eu estive nesses últimos 30 minutos..." — [olhar tonteado e sério].
[Nolan] — "Já deu dessa sua forçação de barra com bebida, meu bom, é hora de ir pra casa." — [levemente preocupado].
Tony
escuta os sons da música da boate em ritmo lento e em tom mais melancólico que
o normal. Sua vista muda as cores do local, fazendo com que o homem sinta como
se estivesse vendo um filtro colorido e caótico. Tony sente dificuldade de se
conectar com a realidade. Um belo homem cujos olhos vermelhos cobriam até a
pupila, encara fixamente Tony, que acompanha o seu rosto desferindo um elegante
e descolado cumprimento gestual com seus dois dedos unidos para o rapaz,
simbolizando um doce tiro no coração. Interessado, mas mantendo o seu caminho,
o formoso homem cede um sorriso de canto para Tony. Nolan nota o desenrolar dos
olhares dos dois afortunados.
[Nolan] — "Tá demais, hein? A festa inteira quer te pegar..." — [sorriso irônico].
[Tony] — "Na moral, cara? Meu pau já tá em frangalhos... a vagina daquela garota parece que tem ácido..."
Nolan
quase cospe o coração pela boca.
[Nolan] — "Oii?? Você trepou com a SH??" — [espantado].
[Tony] — "Foi, mano...! Sério, se eu trepar com algum cara dessa festa, o meu rabo vai pro espaço! Tive que usar pomada. Caramba, deixei o meu relógio de cobre no armário..." — [mão na testa].
[Nolan] — "Você é louco?? Não tem medo de pegar uma moléstia desses SH’s?" — [sério e surpreso].
[Tony] — "Tenho, cara, mas tomei aquele “remédio”... aquilo aumenta a imunidade..."
[Nolan] — "Que remédio, mano?"
[Tony] — "Aquele, cara! O vermelho... é o que usam para a população em estado terminal daqui... consegui com um moleque de 30 anos da Ilha-País..."
[Nolan] — "Peraí!.... você tomou uma vacina clandestina, é isso??" — [surpreso].
[Tony] — "Se eu quisesse beijar alguém na festa e usar as balinhas, eu tinha que injetar, ué..."
Nolan
solta bruscamente Tony, que se equilibra para não cair. O amigo começa a
desferir um olhar de seriedade e irritabilidade para o amigo inconsequente.
[Nolan] — "Você precisa de juízo, cara...!" — [voz firme].
[Tony] — "E você precisa de diversão, Nolan, aproveitar um pouco mais a vida ao invés de reclamar...!" — [feição de irritabilidade] — "Se queixa demais. Você precisa é de uma vacina, isso sim." - [aponta brevemente para Nolan].
[Nolan] — "Não preciso de vacina porcaria nenhuma, você é quem precisa de um médico... tem tido comportamentos suicidas desde que pisamos aqui." — [aborrecido].
[Tony] — [explosão de raiva] — "E você não tem feito NADA nessa expedição desde que pisamos aqui." — [ergue os braços] — "Só perde tempo e não aproveita nada! Essa é sua vida, Nolan!" — [julga] — "Nem parece que está vivo, só sabe reclamar e tem medo de tudo! Olha o paraíso que você tá, chefe!" — [braços erguidos, movimento circular] — "Aqui ninguém precisa ter medo de nada porque aqui TUDO é garantido!" — [reforça].
[Nolan] — "Não fala asneira, seu palhaço, fui eu que te trouxe aqui! Você nem gosta de viajar, MORRE de medo de Aeronave...!" - [ressalta].
[Tony] — "E você MORRE de medo de viver, cara!" — [aponta e olha para Nolan] — "Você pode ter me trazido aqui, mano. Mas não dá valor... eu tô cansado de ser limitado, Nolan. Essa expedição só me ensinou a ter mais ambição e objetivo na vida...!" — [olhar firme, dedo para baixo] — "Nós conseguimos as coisas é pela conquista, e não implorando!" — [aponta para Nolan].
[Nolan] — [olhar de decepção] — "Se quer se destruir, cara, o problema é seu. Não vou ficar carregando seu corpo quando esse dia chegar." — [aproxima de Tony em tom de advertência e aponta para o mesmo] — "Mas é o seguinte: se você acha que viemos aqui pra expandir o Imperialismo e tomar a Ilha-País de assalto, você vai ser o primeiro a ser ferrar... lembre-se de que isso aqui não é um jogo, e diplomacia é a nova arte da guerra, seu cabaço." — [alerta Tony, virando as costas para o amigo] — "E vê se usa preservativo, seu porco..." — [parte em retirada].
[Tony] — "Vai em paz, seu bunda mole! Covarde!...." — [feição de desdém] — "Quem usa látex é chupeta...Idiota." — [irritado].
Ainda
fitando Nolan caminhar, o homem desaparece de rompante por três vezes frente à
vista de Tony, que se assusta com o estranho efeito de sua visão. Sem entender
o que estava havendo, Tony olha para baixo e observa o piso sendo rapidamente
inundado de água corrente vermelha. Rapidamente, o homem se afoga em uma
quantidade imensa de águas termais. Quando menos espera, é resgatado por uma
mão segurando seu antebraço. Tony é retirado à força por um dos seus amigos que
o acompanhava. O problema, era que o homem em sua frente tinha sido tomado por
uma cor azulada em sua pele, cabelos de cor de berinjela e olhos bastante
amarelados com a íris preta e pontiaguda. Tony olha para todos os lados sem
entender como foi parar novamente na casa de banhos. Desorientado e confuso
sobre a realidade em que estava, o Boêmio começa a ficar bastante assustado com
os eventos quebrados em sua mente. Tony não tinha mais certeza do que de fato
era um sonho ou realidade.
[Homem 03] — "Ow, Tony, você quase morre na banheira, meu chapa, tem que tomar mais cuidado...! Olha o seu relógio aqui, você quase perde ele....!" — [exibe o objeto para Tony, que o pega para si].
[Tony] — "Sua pele tá azul, cara..." — [lábios trêmulos, confusão].
[Homem 03] — "Ãhm?" — [olhar de dúvida, breve sorriso].
[Tony] — "Sua pele... tá azul..." — [breve sorriso de desespero].
[Homem 03] — "Que história é essa cara, minha pele sempre foi azul..." — [feição de estranhamento].
Tony
começa a rir de desespero e suas mãos trêmulas são levadas rente à sua cabeça
destruída. A pia amadeirada que estava bem ao seu lado, já tinha a consistência
de metal, e as cores do quarto, já aparentavam estarem mais puxadas para o
esverdeado. Tony, de tão confuso, estava com seus neurônios prestes a estourar de
tanto pensar se estaria vivo ou morto naquela realidade.
[Tony] — [desorientado e trêmulo] — "Não, não, não... isso é zoação, não éh? ...." — [entre sorrisos] — "Você tá me zoando, não tá?" - [sorriso de súplica].
[Homem 03] — [visivelmente sem graça e triste] — "Não, cara..." — [risos] — "Você não tá lembrando mim, "mermão"? Só vim saber como é que você tá, tá todo mundo preocupado contigo..." — [voz do homem começa a ficar grave e seu rosto começa a amolecer].
O
rosto do que seria seu amigo começa a rapidamente se derreter bem na frente de
Tony. Sangue, carne e pedaços moles caem como se tivesse se desmontando um
frágil boneco. Os dois olhos amarelos do homem também caem no piso, saltando
para a banheira de onde Tony estava. Em pânico, Tony se afasta bruscamente do
homem sem rosto e sai correndo aos gritos para fora do quarto de banho, sem nem
mesmo levar a toalha em mãos. O amigo do Boêmio, com o rosto destruído, não
parecia se importar muito com seu estado e esguicha alguns respingos de sangue
enquanto uma de suas mãos levantadas parece tentar procurar por Tony, a fim de
impedi-lo de sair do local. Os SH’s que estavam ali presentes, também começaram
a gritar em coletivo. Em total desespero, o infeliz, já nu, empurra todas as
portas que vê pela frente à procura angustiante pelo seu amigo Nolan.
[Tony] — "Que merda é essa?! Nolan...!! NOOOLAANNN!" — [grita em desespero].
Os
sons das músicas da boate assumiram um tom diagonalizado, como se fosse uma
descida de elevador com passagem de ida direto para o Inferno. O que era
alegre, torna-se maligno. O que era leve, torna-se pesado, profundo, sombrio. O
que era ordeiro, torna-se caótico. As batidas se misturavam e entrelaçavam
várias notas musicais uma sobre a outra. No meio de sua corrida nu pelo salão
da festa, Tony acaba tomando um esbarrão que mais lhe pareceu um soco em seu
rosto, que o faz cair no chão cobrindo o seu rosto e ficando em posição fetal:
“Veste uma roupa, Idiota!” — [linguagem vandoriana].
Um
Super-Humano desconhecido, joga um lençol de uma das camas de que havia usado
para transar com duas mulheres e um homem em cima do infeliz, a fim de que ele
se cobrisse. Com seu nariz sangrando e escutando diversos comentários em
linguagem que não era familiar a sua, Tony cobre seu rosto e limpa seu
sangramento com o lençol claro, cobrindo-se com ele no intuito de tentar
escapar daquele lugar, ainda rastejando em meio a vários pés de todos os
calçados possíveis.
[Tony] — "Que merda é essa... eu tô alucinado, cara... eu tô alucinando... meu relógio..." — [olha para o dispositivo quebrado] - "que desgraça tá havendo com o meu relógio?" — [olhar de choro].
O
relógio destruído de Tony sinalizava os números e letras “55XY55XY”, e o pobre
desafortunado não sabia o que significava aquele símbolo alfanumérico. Ao
verificar a paisagem pela janela, de longe, Tony observa o dia rapidamente se
tornar noite em uma velocidade muito alta, como se vários dias e meses
estivessem se passando em milésimos de segundo. Estapeando o seu rosto por mais
de uma vez, Tony volta a enxergar a praia escura com flashes de raios nos céus,
só que a visão panorâmica mostrou-se recheada de borrões pretos e
vermelhos.
Ainda
atordoado e assustado como um animal foragido, o Boêmio começa a manifestar os
primeiros sintomas de formigamento nos dois pés. Seu andar era travado e nenhum
dos rostos daquela festa eram mais reconhecíveis. Era como se Tony tivesse
mudado totalmente de ambiente, com pessoas totalmente distintas do que havia
visto até há pouco tempo. A casa de festa saiu de um ambiente rosado romã para
um avermelhado cor de terra, e nada mais era familiar para o pobre infeliz. O
homem parecia preso em um eterno loop no mundo dos sonhos. Ainda mais confuso e
desolado, o homem começa a novamente a correr pelo salão, tombando seu corpo
pelas portas e paredes.
Passando
por um dos corredores, com o piso escorregadio por conta da limpeza de rotina,
Tony se desequilibra e cai de corpo e alma no piso escuro de mármore. Perdido a
consciência por alguns segundos, o Boêmio vislumbra um corpo de um homem caído
no chão. Sabendo que este poderia ser de um de seus conterrâneos pelo fato dos
Super-Humanos possuírem altíssima resistência a efeitos nocivos das drogas, o
coitado se arrasta até onde está o homem desconhecido, o reconhecendo pelas
suas roupas. Era Nolan. Em ato contínuo, Tony pega o homem pelos ombros e o
vira para ficar em posição de abdômen para cima. Para a sua desgraça, no
entanto, o festeiro descobre que Nolan havia tido seu rosto completamente desfigurado.
Somente havia um enorme buraco sanguinolento na qual expunha uma boa parte de
seu cérebro.
[Tony] — "NÃÃOO...!!" — [exibe semblante de choro].
Lamentando-se
pela morte do que parecia ser seu melhor amigo, próximo do homem que estava
morto, havia um rastro de um líquido furta cor que havia sido acidentalmente
derramado no piso. Era um produto de beleza usado pelos SH’s especialmente para
o rosto e os cabelos. As pessoas que ali passavam ficavam horrorizadas com a
cena que viam, especialmente pelo estado deplorável de Tony. O pobre homem só
escondia a parte inferior do rosto enquanto chorava pelo seu amigo, aparentando
estar profundamente arrependido de ter discutido com o mesmo. Na verdade, Tony
sequer sabia se aquela discussão havia sido real.
[Tony] — "Nolan... me desculpa, cara.... eu não sabia que o Julian era azul.... ele não me parecia azul..." — [choro e soluços] — "Eu vou enlouquecer, cara, o que eu faço? O que eu faço... eu acho que esse amaciante me fez mal.... droga, eu não bebi água o bastante, eu não bebi...." — [longo soluço] — "... você não precisa de vacina, cara..." — [choroso e desorientado].
Em
delírio, de mãos na cabeça e testa sobre o piso, o pobre homem soluçava por
diversas vezes quando de repente, ele se ergue sentado sobre suas pernas e
exibe uma feição de neutralidade e cansaço por alguns minutos. As luzes
pulsavam e a música era trocada enquanto Tony permanecia em transe por alguns
minutos. Quebrado, o homem destila um súbito sorriso simpático para uma
garçonete que lhe oferece um copo de frutas cítricas, na qual o aceita
prontamente e o ingere como se nada tivesse acontecido. Ao consumir a bebida,
Tony nota suas pernas inundando de um líquido quente. Pensando se tratar
novamente da água do quarto de banhos, o desafortunado olha para baixo e se
depara com sua barriga totalmente aberta, com todo o suco de frutas cítricas de
que havia ingerido sendo totalmente eliminado para o ambiente exterior. O
sujeito sequer tinha mais o estômago.
De visão turva e audição
embaralhada, Tony exibe uma mescla de incredulidade e conformismo com sua
miserável situação. O misto de sangue e frutas cítricas infestava o salão junto
aos gritos de várias mulheres assustadas com a cena de horror que tinham acabado
de se defrontarem. Com suas pernas dormentes e uma gigantesca quantidade de
lama escura rompendo massivamente as janelas e entradas da Boate, o pobre
infeliz se afundou no mar de impurezas em poucos minutos. A lama obstrui tudo o
que habita naquele local. Uma tela escura que parecia uma fina película de
créditos de um filme, cai sobre o enorme lamaçal. A visão do salão se quebra
como uma tela da realidade tivesse se rompido.
............................
[Tony] — "...." —[<8/]
[???] — "Com licença, filho..."
[Tony] — [!] — "55XY55XY....!"
[???] — "Hey, calma rapaz, você não tá falando coisa com coisa... espere uns 15 minutos que logo você vai conseguir se comunicar..."
[Tony] — "Onde%$Eu(*&Estou...?" — [confuso].
[???] — "Você está aonde todo mundo vai, pode ficar sossegado... ah! À propósito, permita-me me apresentar... meu nome é @§-908¬¬£#$$%££¢º!... Ops! Desculpe... meu nome é Joseph Richard Priesley. O descobridor pioneiro da Ilha-País de Vandora e entusiasta do planeta BIOTH. Eu estive lendo toda a sua história desastrada até o presente momento, não se surpreenda se outros curiosos ficarem sabendo...! Hihi..." — [simpatia].
[Tony] — "Humpfss....!" — [!] — "CoM0 aSSi¨¬m, s4bËndo de q%UÊ??" — [assustado].
.
.
.
[LUZES AZUIS E VERMELHAS. TREMORES E CONSULSÕES.
AMONTOADO DE PESSOAS. MEDO E PÂNICO GERAL].
[Fléa] - "NÃO!!" — [desespero] — "TONYY...!"
Outros
hóspedes se assustam. Algumas pessoas acordam do sono. Outras deixam cair as
taças de bebidas. Os membros da festa escutam os gritos da mulher e correm
atrás para ver o que estava havendo nos corredores. Um dos homens que estavam
de terno pede ajuda imediata para alguns conterrâneos que estavam de prontidão
para atendimento de Pronto-Socorro. O paciente agonizava enquanto seus olhos se
enchiam de sangue e sua íris dava lugar a um tom azulado e escuro.
[Fléa] — "Meu Deus, ele tá morrendo, alguém me ajude!! Rápido, alguém acode ele!!" — [chorosa e horrorizada].
Mesmo
com todos os esforços para ajudar o paciente a tempo, já era tarde demais. O
Boêmio não mais apresentava sinais vitais e o veneno já havia consumido
totalmente o seu corpo. Pálido e seco, os olhos da vítima já estavam
completamente vermelhos. Sua íris brilhava como um azul cintilante. Era o Azul
da Morte. Ramificações roxas eram exibidas por diversas regiões do corpo do
morto. Sua gravata estava completamente desgrenhada, suas calças, destruídas de
tão rasgadas. Não havia sobrado nada de sua camisa e seu jaleco havia sido
roubado por um dos presentes. O homem delirou até morrer miseravelmente.
Tristes
e bastante sentidos com a tragédia, os SH’s mostram-se compadecidos do
estrangeiro na qual tinham o dever se zelar pela sua segurança, e acabou sendo
deixado para se matar de forma inconsequente. Uns tiraram seus chapéus para
colocá-los contra o peito, outros, fizeram algumas preces como forma de tentar
transmitir àquele homem, uma maneira oferecer uma passagem digna e justa para a
sua alma. A mulher com quem Tony se relacionou por um breve momento, nunca
havia ficado de coração tão partido. Até aquele momento, ninguém sabia por onde
andavam os amigos e Tony, nem mesmo Nolan. Os estrangeiros que se depararam com
a morte de Tony, ficaram todos consternados com o terrível fim de um de seus
colegas de expedição. Ao lado do corpo gelado, um recipiente de vidro mais
conhecido como “Amaciante”.
........................................................
Uma
festa que era para terminar com prazer e alegria, mostra na verdade a
verdadeira face da desigualdade brutal entre os corpos humanos e os dos
conterrâneos daquela Ilha-País. O que para uns apenas relaxa para dormir, para
outros, delira para matar.
...........................[Vessel - Red Sex].
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