SUBSTITUIÇÃO. CRISES PROFISSIONAIS. ESPELHO D'ÁGUA. NOVOS INTERESSES. FALÊNCIA DE ANTIGOS SETORES. DESSENSIBILIZAÇÃO.NOVA ERA
As superfícies
da extensa sacada na qual exibem profundidade e infinitude em sua estrutura, se
confundem com o espelho d'água vinculado ao luxuoso quarto do septuagésimo
andar do maior edifício da cidade. Por ser escuro, mal se podia saber por onde
estaria pisando se não fosse pelas luzes em tons marinhos e simuladores de
velas. Suaves. Sob formas de pingentes brilhantes e trilhados ao longo do
espaçoso cômodo. Às paredes, havia lâmpadas sensoriais de formas geométricas
que mais pareciam adesivos digitais. Das fontes advindas de lindas cascatas sob
um enorme espelho, era por onde corriam as águas do quarto. Era quase intocável
aquele lugar.
Um homem se vestia com um terno degradê que descendia
de uma cor preta, até surgir um violeta escuro. Os sapatos eram de forma
reflexiva, ambígua. A camisa, vermelha escura, quase amarronzada. A única coisa
que brilhava, era a gravata branca e seu relógio de pulso cobreado. Mantinha
seu olhar altivo, centrado, postura irretocável. A visão fria e serena do homem
negro era um dos mais invejados pelas elites. Winston e Ashley, pareciam meros
palhaços perto do homem. De bom penteado e discreto comportamento, o sujeito
parece que que envelhecia como vinho, apesar de jovem.
Seu
olhar hipnotizante, traçado por singelos contornos pretos, atraíam muitas das
mulheres da cidade sem que fizesse o menor esforço para conquistá-las. De luvas
marrons - avermelhadas e um pingente prateado no meio de sua gravata, o magnata
ajeitava os últimos detalhes de sua aparência antes de descer para a Casa de
Shows que comandava. Aproveita mais uma taça do melhor Champanhe antes que um
de seus leais homens o chamasse através de um interfone anexado à parede:
[Homem
01] — "Senhor?"
[Omnus] — "...Diga."
- [olhar neutro].
[Homem
01] — "Tem um rapaz aqui que quer falar com o senhor. Ele é de
uma das bandas da Casa."
[Omnus] — "Mande-o
entrar." — [ajeita a gravata].
As portas se abrem. Um homem de
cabelos em tamanho médio e barba rasa, não parecia demonstrar ser de muitos
amigos. Estava insatisfeito, na verdade. Sua raiva e angústia foram alvos
imediatamente captados pelo discreto sorriso genuíno de Omnus, que parecia
sereno diante do semblante de revolta do rapaz. Suas roupas, ao contrário de
Omnus, eram mais vulgares, apesar de bonitas. Calça jeans azul escuro, camisa
xadrez verde, botas marrons e um colar prata. Enquanto consertava a gravata, o
homem parecia esperar algum posicionamento de Omnus sobre o fato de que suas
mostras artísticas vinham sendo lentamente trocadas por artifícios mais
"baratos e eficientes". Seu olhar, refletia a insatisfação de uma
pessoa que conquistou tudo o que precisaria para ter o reconhecimento e a
produtividade que desejava. Mas não era ele que ditava as regras do jogo.
[Omnus] — [finaliza
a gravata] — "Pelo visto o Senhor não me parece muito satisfeito
com o que aconteceu ao longo dos dias." — [vira-se,
sereno] — "O que é compreensível..."
[Artista] — "Isso
não vem acontecendo ao longo dos dias, isso vem acontecendo ao longo dos meses.
O que é aquilo lá embaixo, Omnus?" — [semblante de impaciência].
[Omnus] — [mudança
entre sorriso e leve decepção] — "'Aquilo' lá embaixo, é o que o
público quer consumir..." — [mãos para trás].
[Artista] — "O
Senhor fornece qualquer coisa para o público consumir? E quem passou anos se
dedicando pra exercer uma profissão? Como fica?" — [exibe feição
irônica].
[Omnus] — "Isso
não sou eu quem defino, John... eu tenho que fornecer o que o público decidir o
que é melhor ou não para seu entretenimento..." — [sorriso
sereno].
[Artista] — "Os
meus contratos estão TODOS sendo cancelados sem aviso prévio, o que você chama
de "decidir o que é melhor"?? Acabar com a carreira de pessoas que se
mataram de estudar e trabalhar pra chegarem onde estão??" — [indignado].
[Omnus] — "Isso
é uma questão de oferta e de demanda, Johnatan, não espere consciência social
dos seus consumidores...." — [semblante de leve desapontamento].
[Artista] — "Isso
é de questão de ética, Omnus, não de consciência social. Você está pegando a
história de vários artistas e jogando eles na lata do
lixo..." — [aponta para a lateral].
[Omnus] — "E
eu por acaso tenho cara de quem controla seus contratantes? Se o problema for
os cancelamentos, da minha parte eu nunca fugi das minhas responsabilidades com
o Senhor. A multa em cima de uma rescisão inesperada é altíssima, e tenho plena
consciência disso. Mas eu não posso obrigar ninguém a manter um contrato com
alguém se o que espera os MEUS espectadores for algo
melhor..." — [sereno].
[Artista] — "Se
pedofilia for de alta demanda o Senhor vai fornecer crianças
também?" — [raiva].
[Omnus] — [deixar
escapar um rompante de risos discretos, vira de cabeça, seguido de expressão de
desprezo e nojo] - "Ora, não fale asneiras, John... colocar um SH para
reproduzir músicas de múltiplos artistas nem de longe é um crime. Você insulta
minha inteligência quando faz uma comparação bárbara
dessa." — [desapontamento].
[Artista] — "'Insultar
a Inteligência' é colocar uma Inteligência Artificial que simula instrumentos
musicais e pegar um 'cantor' aleatório das ruas da cidade pra fazer TODOS os
shows em detrimento de centenas de pessoas que ficam jogadas de
lado." — [revolta] — "Antes de pensar no lucro, o
Senhor deveria zelar pelo tratamento honesto com esses
profissionais." — [aponta firmemente para o lado].
[Omnus] — "Desonesto
eu estaria sendo se eu contratasse vocês, John. O mundo é muito vasto para
ficar se lamuriando por conta da existência de SH's no planeta. Eu não estou
aqui para fazer favores para ninguém, eu estou aqui para selecionar o melhor
produto para o maior público interessado... qual o problema
disso?" — [olhar surpreso].
[Artista] — "Pelo
visto, a Meritocracia também é uma fraude..." — [o homem cruza
os braços].
[Omnus] — [entre
risos] — "Ora, você é um suplementado. Suplementos são caros, o
que faz com que o Senhor já esteja na frente de pelo menos 20 milhões de
pessoas em toda a América do Norte." — [o homem derrama uma dose
de champanhe em sua taça] — "Meritocracia não é caridade, se é
isso que você pensa..." — [leve levantar de ombros e semblante
confuso].
[Artista] — "Caridade??
Aquele Playboyzinho lá embaixo nunca fez UMA ÚNICA aula de
canto...!" — [exibe dedo indicador] — "Eu tive
que estudar 15 anos da minha vida para começar a achar que sei cantar alguma coisa...!" — [exibe
indignação].
[Omnus] — "Ele
nunca fez porque nunca PRECISOU, John...!" — [sorriso espontâneo
com surpresa e antebraços erguidos seguido de breve abaixar de
joelhos] — "Ele já foi geneticamente projetado para reproduzir
um canto de forma perfeita...!" — [pausa] — "E
ninguém mais quer gastar uma fortuna para preparar um profissional da música.
Os SH's são MUITO mais eficientes nesse aspecto."
[Omnus]
"Eficientes só por existir? Grande coisa, já temos os filhos de magnatas
como você só pra furar a fila, não precisamos de mais um pra estragar
tudo." - [semblante de repreensão].
[Artista] — "Furar
a fila? Ser uma criatura geneticamente superior a você é 'furar fila? Então nós
já deveríamos ter furado essa fila há muito tempo..." — [olhar
sereno, bebe o drink].
[Artista] — "Como
assim, Omnus?" — [confuso, cruza os braços].
[Omnus] — [entre
discretos risos] — "Ora, você ainda não percebeu? ... Acorda,
John..." — [olhar fixo] — "nós passamos a
história inteira criando, produzindo e aprimorando tecnologias que colocamos ao
dispor para melhorar as NOSSAS vidas." — [pausa,
sorriso] — "E nós NUNCA paramos para estudar uma forma de
aperfeiçoar o nosso próprio sistema biológico a nosso
favor..." — [gesticula e exibe olhar de incredulidade] — "já
passou da hora de começarmos a evoluir como seres humanos, John, ninguém quer
passar a vida entregando um milhão de Atestados Médicos e ficar dias sem ter
que produzir porque se machuca a cada dois minutos e adoece a cada situação de
estresse. Um ventinho sazonal que soprar no nosso nariz já garante uma
gripe..." — [olhar de decepção e
desprezo] — "pelo amor de Deus, nós somos seres muito
fracos...!"
O homem, tendo de escutar o breve sermão de Omnus, vira o rosto sob
uma expressão de tédio e aborrecimento, suspirando diante da evidente
inspiração do ousado magnata.
[Omnus] — "Não
dá mais para continuarmos nos entupindo de medicamentos e vivermos com medo da
nossa própria sombra enquanto o verdadeiro mecanismo de defesa e aprimoramento
de nosso organismo está DENTRO dos nossos próprios corpos." — [aponta
para o homem] — "Você entende
isso?" — [gesticula].
[Artista] — "E
você sugere que eu faça o quê? Que eu nasça de novo e vire um desses
SH's?" — [olhar de tédio e irritabilidade].
[Omnus] — "Se
ADAPTE, amigo. Procure outros ramos, TIRE proveito disso tudo...! Procure
outras formas de ganhar dinheiro. TENHA um SH como fonte de
renda...!" — [sorriso de animosidade].
[Artista] — "Ah,
para com isso, filho, cê tá de brincadeira comigo, não
tá??" — [o homem vira seu rosto, seguido de olhar de decepção e
aborrecimento].
[Omnus] — "Não,
amigo, eu TENHO aquele Super-Humano lá embaixo desde quando esse prédio ainda
nem existia..." — [aponta para si mesmo].
[Artista] — "Pegar
um Garoto de Programa da rua para ser um cantor profissional só porque ele é um
SH justifica RASGAR o compromisso que o Senhor deveria ter
conosco??" — [aponta para Omnus].
[Omnus] — "Se
o Senhor NÃO leu as Cláusulas, então não posso fazer nada, você foi muito bem
avisado de que não seria insubstituível..." — [negação com a
cabeça].
[Artista]
- [semblante de breve choque, descruzar de braços] — "Pra mim
chega, isso já provou muita coisa sobre você. Pelo visto vai continuar nos
fazendo de otário, então eu encerro aqui qualquer negócio com
você." — [insatisfeito].
Omnus
permanece em silêncio.
[Artista] — "Quando
um SH tomar o seu lugar, sugiro cancelar sua fortuna
também..." — [prepara-se para partir] — "Te vejo
na Corte".
[Omnus] — [quase
ri] — "Para todos os efeitos, John, o Senhor vai continuar
insatisfeito, mas vai permanecer podre de rico..." — [sorriso
sereno].
[Artista] — "Vai
pro Inferno, Omnus...!" — [mostra o dedo do meio e fecha
bruscamente a porta].
[Omnus] — "Pff....!" — [leve
sorriso e decepção] — "Que papel mais lamentável... nem a Ashley
consegue ser tão patética..." — [bebe o drink] - "ah...
esses reacionários."
Decepcionado, o homem senta-se na poltrona
[Omnus] — [dedos
entre os olhos] — "Eu juro que se esse cara fosse um pouco mais
esperto, ele se contentaria com as indenizações." — [levanta a
cabeça, incrédulo] — "Como que um sujeito com a vida já
construída toma uma atitude tão idiota dessa?" — [dedos no
queixo].
Alguns
segundos de silêncio pairam o luxuoso quarto do magnata quando a voz
transmitida pelo interfone, o quebra.
[Interfone] — "Tudo
bem aí?"
[Omnus] — "Tudo
bem. Só um pouco desapontado..." — [suspira] — "é
um sujeito de pouca inteligência...."
[Interfone] — "Ou
nenhuma..."
[Omnus] — "Ele
deve achar que o mundo deve alguma coisa pra ele..." — [bebe
mais um pouco do champanhe].
[Interfone] — "Não...
na verdade ele tem certeza disso."
[Omnus] — "Exatamente." — [olhar
neutro e altivo].
.
.
.
Dez minutos depois de descer no elevador do altíssimo Edifício, o
homem, sentindo-se humilhado e profundamente insatisfeito, sai pelas portas do
meio de transporte vertical direto para a pista de dança badalada daquele
prédio. Choques de luzes em azuis, violetas e fúcsias faziam presença em todo o
salão do estabelecimento. Próximas às paredes, mesas avermelhadas com fumantes
e desfrutadores de drinks para todos os gostos. Balinhas com drogas disfarçadas
de sabores de frutas são a cereja do bolo para os dançantes. Maquiagens
ilusórias pigmentadas em neon, saias que pareciam serem feitas de espelhos e
diamantes, luvas que tampam os braços, ombros e metades dos rostos, sapatos que
mudam de cor a cada 02 minutos.
John teve que percorrer uma trilha para desviar das pessoas no meio da
pista. Sem muito o que recorrer para mudar a própria situação, seus integrantes
de sua banda percebem seu olhar. Lá estavam uma mulher, um guitarrista, um
baterista e um baixista, ansiosos e aflitos pela sua espera. A moça, era o
braço direito do artista injuriado. Pelo semblante de Johnatan, os colegas já
estavam prevendo o que estaria por vir diante da evidente insatisfação do
homem. Uma das artistas o indaga:
[Mulher] — "O
que deu a conversa?" — [preocupada].
[Artista] — "Ele
deixou bem claro que tá pouco se lixando pra nós." — [mãos em
horizontal] — "Então não temos mais nada com que se envolver com
essa Casa, nem com esse Bastardo..."
[Mulher] — [negação
com a cabeça e incredulidade] — "Gente, que absurdo..."
[Guitarrista] — "Nunca
fomos nada pra esse canalha..."
[Baterista] — "Caramba,
já é o sexto empresário que nos vira as costas..."
[Baixista] — "Já
que ele rasgou nosso contrato, vamos aumentar a multa e arrancar dinheiro desse
mercenário, ele nos deve."
[Artista] — "Não
vai adiantar. Eu sempre questionei isso na Corte e só deu em Pizza. O cara vai
continuar nos pagando "picotado" pelo nosso trabalho..."
[Guitarrista] — "Cara,
eu vou lá em cima, não possível. Esse 'Kingpin' vai ter que ouvir algumas
verdades..." — [dedo indicador sobre a mesa].
A mulher, porém, contém o amigo e o impede de sair da mesa para não
piorar as suas lamentáveis situações.
[Mulher] — "Não,
gente, nem vamos perder tempo com isso..." — [semblante de
rejeição] — "Tá muito claro que esse ambiente nunca foi pra nós.
Vamos sair daqui e achar um lugar muito melhor pra fazer os shows." — [aborrecimento].
[Artista] — "Fazer
shows aonde? Já é a sexta empresa que nos descarta!" — [exibe os
dedos] — "Nossos dois últimos álbuns declinaram de audiência, e
tudo por causa de um BABACA como esse cara ali em cima...!" — [aponta
uma das mãos para o palco].
Cercado
de vidros de blindagem compostos por materiais sensíveis que filtram e
amplificam o som da voz do alvo para difundi-la por todo o estabelecimento por
meio das paredes, e envolto por telas transparentes exibidoras de frequências sonoras
nas quais eram anexadas aos vidros, estas tornavam a música muito mais limpa,
difusa e agradável para os ouvintes. As enormes telas eram remotamente
conectadas a um microfone arredondado, sem fios. No centro das atenções, estava
um homem alto, elegante, simétrico e articulado em todas as canções. Ele
reproduzia com perfeição todas as tonalidades de vozes mundialmente conhecidas.
Desde o tom mais grave até o mais agudo, eram como um fino sopro que se
distingue de tudo já visto até então. Mesmo com a raiva e a rejeição dos
integrantes da banda, que já era há muito tempo consolidada no país, nem mesmo
eles conseguiam expressar o contrário do que os hóspedes pensavam de sua
performance no sofisticado palco. Era perfeito, nos mínimos detalhes.
Todas as irretocáveis imitações acústicas eram
milimetricamente planejadas de forma rápida e improvisada. Uma inteligência
Artificial vinculada às paredes laterais sob a forma de telas escuras,
reproduzia os sons de todos os instrumentos musicais com o mais absoluto
primor. A máquina foi até mesmo projetada para entender, manipular, criar,
projetar, copiar e acompanhar tudo o que o artista fizesse, pensasse ou
falasse, com sincronia resposta imediata. Aquilo foi o suficiente para que a
última gota de motivação dos integrantes rejeitados pudesse ser jogado no chão
e quebrado em pedaços. O homem não parava por um minuto para interromper sua
canção. Cantava com gosto. Por prazer. Sentia-se imerso dentro de um espaço
pela qual pudesse navegar em suas próprias canções. De forma alguma parecia
estar cansado ou ofegante.
Quando os olhares de John entraram em contato direto com os olhos
do rapaz, o homem cede um sorriso genuíno para o artista amargurado e
conformado com sua ruína, pensando se tratar apenas de um de seus fãs. Era o
sinal dos tempos. O dolorido parto de uma era em que quem não se adapta, fica
definitivamente para trás. Já suficientemente desapontada e cansada, a
integrante da banda saca a sua bolsa se preparando para levar os seus amigos embora
dali:
[Mulher] — "Galera...
vamos." — [desapontada, gesticula com a
cabeça] — "Vamos sair daqui... nosso tempo não foi feito pra ser
perdido dessa forma. Vamos caçar outras regiões fora dessa merda."
[Baixista] — "Vamos
embora, chiques. Acabou isso aqui."
[Guitarrista] — "Não
piso nunca mais nessa espelunca... isso é vergonhoso."
John
permanece estacionado de frente ao palco de onde o SH cantava fluidamente.
[Baterista] — "Cara..." — [pega
em seu braço para tirá-lo dali] — "deixa isso pra lá. A gente
encontra algo melhor. Vamos..." — [encara-o].
Com
um certo ressentimento e resistência, o homem finalmente abandona o local junto
a seus membros de equipe em meio a um semblante de desolamento e ausência de
perspectiva. Na porta do estabelecimento, uma dezena de outros profissionais
enfrentavam o mesmo problema. Todos muito bem arrumados para terminarem
insatisfeitos e amontoados em uma calçada úmida e esfumaçada em um período de
chuvas baixas e geladas. Todos de pés doídos, olhos cansados e semblantes
desiludidos. No fundo, todos ali sabiam que o destino era certo: nem mesmo o
maior e mais respeitável dos artistas estaria livre de seu descarte na lata do
lixo. O que sobra, são os centavos de direitos autorais depositados a conta
gotas em suas contas bancárias. "Aproveitem enquanto possuem vida e
criatividade, pois estas terão novos donos", disse um deles.
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