-----TERRA. 16 DE JULHO DE 8.850 D.Z. CONFLITO ENTRE CASH E MAGAL. FLASHBACKS. LANCHONETE. POSTO DE GASOLINA. PERÍODO DA MANHÃ----
-----POSTO DE GASOLINA K7 SPECIAL ROUTE 51.
9H00 DA MANHÃ------
A lanchonete estava pouco
movimentada naquele período como de costume. As paredes, relógio, cadeiras e
mesas, todas bem coloridas e chamativas. O som da rádio tocava algumas músicas
de jazz enquanto o cheiro do café e dos pães pairavam pelo ar. Katley, estava
sentada numa mesa de frente para Magal horas depois do envolvimento do seu
amigo em um tiroteio na residência de Maria Helena Cash, gerando a fuga da
mulher para longe dali. Ambos tiram proveito de uma bebida bem quente com
alguns biscoitos para matar o tempo. Dois sanduíches naturais, suco de frutas e
um pedaço de pavê também estavam postos à mesa. Ambos gostavam de serem muito
bem servidos. Comiam fartamente toda vez que se reuniam, o que atraía a atenção
de curiosos. As xícaras, eram elaboradas para preservar a temperatura dos
líquidos o mais tempo possível. Uma pilha de Jornais estava disposta na lateral
da parece para serem pegos. O taco de baseball com arame farpado e o comprido
machado em forma de foice estavam lado a lado. Era uma sexta-feira pela
manhã.
[Titane Katley] — “Hein?? Mataram o Earl Cash??” — [espantada].
[Magal] — “Shiu! Fale baixo...” — [acena
discretamente com o dedo e aproxima o rosto um pouco mais de perto,
desconfiado] — “Não ficou sabendo?” — [semblante de indagação] — “À essa altura
você já deve ter ouvido falar de um garoto branco de cabelos castanhos
avermelhados que está sendo procurado...” — [olha para os lados] — “ele tem
olhos cor violeta...” — [olhar desconfiado e preocupado ao mesmo tempo].
[Titane Katley] — [surpresa] — “Passou um menino
aqui ontem de madrugada pra tomar um cappuccino e ele tinha olhos
violeta... mas essa do Cash, eu juro que nem fiquei sabendo. Mal tenho
televisão aqui, sequer parei pra ler os jornais...” — [bebe o café] — “tive
até que prestar esclarecimentos à polícia por meio tele presencial por eu
ter afundado a cara de uns nazistas aqui fora na porrada...” — [olhar de tédio
e irritabilidade enquanto aponta o polegar para trás, seguido de uma mordida no
biscoito de queijo].
[Magal] — “No seu caso foi legítima defesa da
propriedade. — [mira para Katley] — “Esse do Cash, parece que foi durante uma
briga dentro do caminhão, não deu pra ver direito, as janelas deixavam as
imagens embaçadas...” — [semblante de dúvida].
[Titane Katley] — “Na verdade, os
arruaceiros daqui estavam implicando com o Vega...” — [interrupção
abrupta].
[Magal] — “VEGA??” — [surpreso].
[Titane Katley] — [surpresa] — “Sim, o nome dele é
Vega...” — [estranhamento] — “conhece ele de algum lugar??” — [come o sanduíche].
[Magal] — “Eu não me toquei sobre ele quando saiu
do caminhão, mas agora eu acho que tô começando a me lembrar desse moleque...” — [dedos no queixo] — “ele era a garota Transmorfo que eu avistei de relance
pelas plataformas...” — [pensativo].
[Magal] — “Foi ele então que esteve aqui na noite
passada...” —[curioso, aponta para a amiga].
[Titane Katley] — “Foi, ele até pagou em Vands... tinha
visto de "turista" na pulseira dele, que inclusive ele rasgou e jogou
no lixo. Mas ainda assim, não quis fazer perguntas, sabe?” — [olha de lado,
seguido para Magal enquanto ingere um suco de frutas].
[Magal] — “Da época que estive em BIOTH, ele nunca
criou nenhum problema... ele era feliz e querido em Vandora... não vejo outro
motivo pra ele gastar o visto dele vindo pra cá que não fosse bem relevante.” — [estranhamento].
[Titane Katley] — “Mas e quanto a notícia?” — [aproxima seu tronco] – “Foi ele mesmo quem matou o Cash?” — [curiosa].
[Magal] — “Sim...” — [balança a cabeça
positivamente] — “certeza que foi ele...”
[Titane Katley] — “Argh! Honestamente?? Graças a
Deus...!” — [alívio, de mãos para cima] — “Depois de tudo que ele
aprontou, ele mereceu... só sinto muito pelo guri...” — [volta a comer com um
semblante de desprezo, passando do suco para o sanduíche].
[Magal] — [vira o rosto de lado, apoia os
antebraços à mesa e pausa a fala por alguns segundos] — “Também não posso dizer
que não tô aliviado com a morte dele...” — [decepção] — “ele vivia caçando
confusão...” - [olhar fixo, negação com o rosto].
Por mais reconfortante que fosse
para ambos comemorarem o fim de uma Besta que estava à solta pelos cantos da
cidade, Katley percebe a feição de Magal se desfalecer gradativamente em um
semblante de desânimo e prostração, como se estivesse disfarçando um profundo
arrependimento e flagelo emocional. A moça se sente levemente culpada por
comemorar o assassinato de Cash, que apesar da má fama, era amigo de Magal.
[Titane Katley] — [carinha triste] — “Olha, eu sei
que ele era seu amigo e tudo mais...”
[Magal] — “Não...” — [interrompe e acena
horizontalmente com a mão] — “Não se preocupe com isso... é o fardo que vou ter
que carregar de qualquer jeito...” — [bebe o café e come um sanduíche].
.....................[Pausa].................
[Titane Katley] — [rosto para o lado e olhar de
compaixão] — “Se sente mal com tudo que tá acontecendo, não é?” - [preocupada].
[Magal] — [suspira] — “Me sinto mal por não ter
posto um freio nele antes...” — [bebe o café] — “ele começou a usar suplemento
transformativo sem nenhuma prescrição em meados de 46...” — [longo suspiro] — “e
nunca escutou nada do que eu dissesse...” — [olha para Katley].
[Titane Katley] — “Mas ele iria tomar escondido de
qualquer jeito, "Mã"...! E outra, é ele que tinha que se controlar,
não alguém ter que bancar a babá dele...” — [come um pedaço de pavê de forma
enérgica].
[Magal] — “Sim, eu sei, mas tá todo mundo achando
que eu fui cúmplice...!” — [olhar de indignação e pontas dos dedos contra o
peito].
[Titane Katley] — “Cúmplice como?? Você nem sabia
dos crimes dele. A notícia só se espalhou depois que algumas mulheres se
juntaram pra meter a boca no trombone e arrombar as portas da Delegacia...” — [feição de leve irritabilidade].
[Magal] — “Maria armou um flagrante pra ele...” — [olha de lado] — “mas ao invés de prender o Cash, ela fez foi matá-lo
acidentalmente... — [pausa, mão no queixo] — “por meio de Vega. Antes de correr
pra lá, achei que o moleque tinha brigado com Cash por causa de uma dívida... pelo
menos foi o que eu escutei de alguns gritos quando eu estive no quarto...” — [finaliza o café].
[Titane Katley] — “Você conseguiu ouvir a briga?
Com o caminhão isolado?” — [inclina-se à mesa].
[Magal] — “Sim...!” — [olhar de certeza].
[Titane Katley] — “Com isolamento acústico??” — [olhar de surpresa].
[Magal] — “Sim, eu escuto tudo!” — [olhar de
surpresa].
[Titane Katley] — [engole] — “E o que mais eles
disseram??” — [impressionada].
[Magal] — [inclina-se sobre a mesa] — “Só o Cash
gritava e fazia um monte de acusações. Dizia que o garoto era um marginal e que
não queria pagá-lo por omitir informações...” — [feição de estranhamento,
lábios contraídos] — “como não era a primeira vez que Earl ralhava com alguém,
então eu fiquei escutando atentamente a conversa por enquanto.” — [estende o
braço, acenando para um garçom] — “Quero um chocolate quente, por favor...”
[Garçom] — “Sim, Senhor...” — [vai até o balcão].
[Magal] — [olha para os lados e inclina-se
novamente sobre a mesa para aproximar de Katley] — “... Quando a discussão
começou a sair fora da linha, eu tive um tilte na minha cabeça e fui ver o que
estava havendo fora do posto...” — [olhar de seriedade].
[Titane Katley] — “Como assim, Magal? Que discussão
fora da linha foi essa?” — [curiosa e temerosa].
Magal engole seco.
Para ele, é difícil admitir que os gritos que escutou tinham vindos do homem
por quem foi seu amigo confidente durante trinta anos de sua monótona
existência na Terra. Magal se culpa por nunca ter desconfiado ou descoberto
qualquer coisa que incriminasse Cash. Os pobres garotos aleatórios que vinham
do interior para pegar carona, permaneceram silenciados por muito tempo... Nem
mesmo quando o homem ruivo tomou a ampola de suplemento de suas mãos fez impedir
Cash de se naufragar no abuso de uma substância. Esta, apesar de milagrosa, era
uma faca de dois gumes.
===================[F L A S H B A C
K]===================
.......Estrada larga e escura. Céu preto e nublado.
Luzes acesas de postes. Galerias laterais. Dois containers de estacionamento.
período úmido.
"... Já
disse, você não vai mais continuar tomando isso! Você ficou um lixo desde que
começou a tomar essa porcaria! Se continuar nesse ritmo, nós vamos perder
clientes, porra! — [exaltado]"; "Lixo?? EU é quem te tirei do lixo,
seu ruivo de mesquita do cacete! Me dá isso aqui! Você não sabe de bosta
nenhuma, Magal!"; "O bairro inteiro reclama da sua conduta, cara!
Como você quer alavancar seus negócios se todo bar que você frequenta você faz
merda atrás de outra??"; "Meu remédio não tem nada a ver com isso!
Cuide da sua vida, panaca! ME DEVOLVE ISSO, MAGAAAL!! — [ódio]."; "NÃO
VOU TE DAR!".
Mãos grudam entre
si. Uma luta corporal entra em curso e Magal e Cash disputam em círculos pela
ampola considerada revolucionária da vida dos seres humanos na Terra. A
dependência era tanta, que vários Estados chegaram a proibir qualquer campanha
de conscientização sobre seus efeitos colaterais. Era vantajoso patrocinar
aquilo que ele mesmo proibia veicular. Espectadores curiosos passavam
pelas ruas escuras e úmidas aos coros e deboches: "Olha o garoto de
programa cobrando a conta!"; "Vai começar a luta! Dá um jab
cruzado!"; "Mishê descamisado versus leitão assado! Que os jogos
comecem".
Um tiro de
revólver é disparado para cima e espanta os arruaceiros e curiosos que estavam aos
arredores. Em fúria, Cash tenta neutralizar Magal com uma bala sem sucesso.
Disputando forças com os braços e vendo que Earl não iria ceder, Magal o empurra
com força, o que o faz dar sucessivas cambalhotas para trás colidindo
contra uma maciça caixa de madeira, terminando por destruí-la inteira em
pedaços. Era como se o rapaz ruivo estivesse lidando com um enorme repolho
rodando pela estrada. O revólver, é jogado para longe da vista de Cash para que
o mesmo não tivesse tempo de resgatá-lo. Com a ampola em mãos, o ruivo
rapidamente entra em um veículo automotor estacionado na estrada e rasga motor
à frente para longe dali em alta velocidade.
Furioso, Cash
tenta correr atrás do veículo por onde estava seu amigo, mas apesar de veloz, o
perde de vista. "DESGRAÇADO!! SEU FILHO DA PUTA INGRATO!... - [ofegante,
diminuição da velocidade, mãos nos joelhos] - Eu te dei CASA, seu arrombado! -
[aponta o braço junto ao dedo indicador para frente]". Cansado e sem mais
o que fazer, Cash caminha aos rosnados até o local por onde foi empurrado e
pega o seu boné que estava caído no chão. Já na estrada, Magal olha brevemente
para trás e esmaga a ampola que havia tomado de Cash com uma de suas mãos,
secando-se em seguida com um pano branco guardado no banco passageiro.
Com um olhar
sério, Magal estava destinado a manter seu amigo e empregador longe do contato
com essa substância, passando a buscar meios de fazer com que o acesso ao
suplemento pelo dependente químico seja bloqueado através de um contato
numérico que havia guardado em seu telefone. Com uma das mãos no volante, e a
outra em contato com o aparelho celular, o homem dirige perigosamente pela
estrada obscura daquela infame região. Já Cash, iria procurar pelo seu grande
amor de sua vida de qualquer forma:
[Earl Cash] — “Ah...!
Quer saber? Que se foda!” — [vira bruscamente pra
trás] — “Eu pego essa merda é com traficante mesmo, tô nem aí...! Desgraça
pelada...!” — [resmunga].
Earl, de roupas de
vinil e coturnos pretos com ornamentos metálicos, sai andando a passos altivos
e autoritários pela larga estrada escura e molhada até sumir de vista, a restar
apenas os papéis poluentes que por ali flutuavam pelos ventos.
================[D I A S A T U A I
S]===============
...........[O chocolate quente chega à
mesa]..............
[Magal] — [aproxima-se para Katley já temeroso] — “O
Cash começou a falar em violentar o garoto...” — [sussurra].
[Katley] — [salta os olhos e pausa na fala] — “Caramba,
isso então foi quase um flagrante...”
[Magal] — “A não ser pelo fato de que Vega tem 1000
vezes a força de um SH. Daí, o flagrante que era pra ser de um estupro, virou
de um homicídio...” — [toma a bebida] — “no final, ele jogou o corpo do Cash
pra fora do caminhão como se fosse um saco de cimento estragado...” — [olhar de
seriedade, toma a bebida].
[Katley] — “...Alguém lá tentou prender ele?” — [curiosa].
[Magal] — “Não...” — [nega com a cabeça] — “só
cercamos ele, mas ninguém parou ele ou tentou prendê-lo... eram uns 05 SH's
contando comigo.... eram clientes da loja de conveniências que estavam tomando
café da manhã antes irem para os seus trabalhos...”
[Katley] — “Nenhum funcionário lá do posto
presenciou ou escutou a briga??” — [contesta].
[Magal] — “Ninguém lá ouviu, esqueceu que o
caminhão tinha isolamento acústico?” — [olhar fixo] — “Eles estavam por
conta de seguir as ordens do Cash e vigiar qualquer cliente que usasse o Caixa
de Troca Cambiária.” — [toma a bebida] — “A única que chamou as autoridades foi
a riponga da ex-mulher dele," — [polegar para trás] — "isso depois de escutarem a
janela do veículo sendo estraçalhada...”
[Katley] — “Que fase... queria poder ajudar esse
menino...” — [levanta da mesa com os pratos e talheres indo em direção ao
balcão].
[Magal] — “Preciso arrumar um jeito de livrar esse
moleque da prisão e falar com ele pessoalmente o quanto antes.” — [olha para o
lado] — “Você ainda tem o contato daquela agente federal?” — [curioso].
[Katley] — [lavando os pratos] — “Tá falando da
Audrey? Tenho, mas acho que eles não vão querer limpar a barra do Vega... posso
tentar negociar, mas eu vou te falar, essa morte ainda vai dar muita
repercussão pelo estrago que foi feito na cara daquele vagabundo...” — [olha
para trás].
[Magal] — “Não tanto quanto a má fama de Cash... qual
é, o cara era um assediador convicto, um estuprador contumaz, adicto de
suplemento transmórfico...” — [semblante de nojo] — “O assassinato que Vega
cometeu não chega nem perto disso...”
[Katley] — “Também acho. Espero que eles levem isso
em consideração.” — [olha para os clientes] — “Me
espere aqui que eu vou atender aqueles dois ali atrás...” — [coloca uma das
mãos nos ombros de Magal].
[Magal] — “Tá bom, eu espero...” — [olhar sereno].
Katley se dirige em
direção à mesa onde estavam dois clientes. Tomando conta de quase tudo sozinha,
passava a maior parte do tempo administrando o posto de gasolina e a lanchonete
junto a um único ajudante. Uma mulher e um garçom gestando uma grande loja
rodeada de máquinas de Inteligências Artificiais as quais realizam todas as
transações, e aceleram as atividades humanas.
Alguns segundos se passam e Titane vai até a
cozinha para checar uma mensagem antes de preparar o pedido dos hóspedes. Um
finíssimo celular dobrável similar a um singelo espelho, mostrava mensagens
pelas quais fez Katley imediatamente fechar a cara e saltar os olhos. Dando um
forte suspiro de raiva, a mesma se volta para Magal, que percebe a insatisfação
da amiga, para dar a má notícia:
[Titane Katley] — “Você acredita que eu peguei
restrição de 03 meses DE NOVO??” - [indignação].
[Magal] — [encosta-se sobre a poltrona] — “Nem
ferrando...” — [nega com a cabeça].
[Titane Katley] — “Éh! De novo!” — [punhos fechados
no quadril] — “Quem é que vai botar ordem nessa porcaria desse posto de
gasolina agora?” — [caminha a passos enérgicos] — “Toda semana vem um crápula
atazanar meus clientes!” — [abre os armários para preparar os pedidos] — “Se eu
tomar restrição toda vez que eu expulsar esses panacas, meu posto vai falir!” — [raiva e indignação].
[Magal] — “Deve ter algum policial ou segurança
patrimonial disponível em algum lugar...” — [preocupado].
[Titane Katley] — “São caros...! Vai me custar o
olho da cara só pra manter os arruaceiros longe daqui...” — [suspira ao virar
de olhos] — “pra mim chega, eu vou dar uma ligada pra Audrey depois que
finalizar os pedidos daqui!” — [pega uma bandeja e recolhe corpos, pratos e
talheres de outras mesas].
[Magal] — “Éh.... Que fase...” — [balança a cabeça
negativamente].
[Titane Katley] — [aborrecida] — “Que merda, eu me
sinto tolhida, sabe?? Antigamente eu ainda podia defender minha propriedade,
agora virou essa palhaçada...!” — [raiva].
[Magal] — “Acredite, eu sei bem o que você passa...” — [olha de lado].
Titane vai até à
mesa pela qual atendeu um dos clientes e deposita os pratos e talheres para os
hóspedes. Nesse momento, dois clientes simpáticos percebem a insatisfação de
Katley e se solidarizam com ela.
[Cliente 01] — “Ué, minha flor, você foi
restringida de novo?” — [compaixão].
[Titane Katley] — “Fui..." — [feição triste] — "acredita
nisso, tio Miguel?” — [decepção].
[Miguel] — “Acredito, minha filha...”
[Cliente 02] — “Poxa, justo o único posto de
gasolina onde eu posso ler meu livro em paz, que tiras burocráticos...!” — [feição de indignação].
[Titane Katley] — “Nem me fale! Agora vou ter
desembolsar dinheiro não sei de onde pra pagar um segurança patrimonial porque
não posso fazer nada por aqui...” — [cruza os braços].
[Miguel] — “Mas não fique assim não, minha filha.” — [pega na mão de Katley] — “Eu te ajudo a encontrar um policial que divida o
tempo por aqui...”
[Titane Katley] — “Mas será que ele cobra caro?” — [desânimo].
[Miguel] — “Ah, nada que não dê pra arcar, não se
preocupe com o preço. Eu tenho alguns amigos que trabalham meio período.” — [confiante] — “Só me fale qual o horário onde mais ocorre as confusões e ele
cobrará por hora.” — [sorri] — “O resto, deixa comigo. O meu camarada aqui
também conhece alguns caras...” — [aponta para o outro cliente].
[Cliente 02] — [jornal na mão] — “Eu tenho um amigo
que ele é SH e trabalha como vigilante privado. Ele cobra mais barato e faz o
serviço por 10.” — [se oferece].
[Titane Katley] — “Poxa, vocês dois são uns
amores...” — [aliviada].
[Miguel] — “Pode contar conosco, minha querida, seu
posto está seguro...” — [sorriso amistoso].
[Cliente 02] — [balança a cabeça concordando].
Titane
dá um beijo na bochecha de Miguel e cede um abraço carinhoso no homem, que se
sente reconfortado pelo reconhecimento de Katley. Magal cede um leve sorriso ao
ver a relação de afeto da amiga para com o senhor.
[Magal] — [leve sorriso] — “Deu uma ponta de
inveja...” — [vira-se novamente à mesa].
Sete minutos se
passam desde então. Antes que pudesse se distrair, Titane surpreende Magal com
um beijo em seu rosto e com outra bandeja de lanches para ambos se servirem. O
homem ruivo quase se assusta com a surpresa.
[Titane Katley] — “Achou que eu tinha me esquecido
de você?” — [senta-se à mesa, colocando junto a comida].
[Magal] — “Uau.... me senti valorizado agora...” — [discreto semblante de satisfação].
[Titane Katley] — “Vamos, coma. Hoje é por conta da
casa.” — [morde um sanduíche].
[Magal] — “Eu vou retribuir essa...” — [aponta para
Titane].
[Titane Katley] — “Pode me retribuir me levando
naquele Parque de Diversões na cidade aqui próxima...” — [aponta o polegar para
trás] — Aquele foi o melhor que já visitei.
[Magal] — “Fechado.” — [bebe um suco] — “Só preciso
arranjar uma moto nova, porque a minha explodiu...” — [exibe semblante de
desentendido].
[Titane Katley] — “Se jogou de novo no precipício?” — [olhar de desconfiança] — E aquele carro da DRISCO?”
[Magal] — “Perdi o carro. A riponga e a irmã dela
com aquele palhaço do Rick levaram...” — [gesticula com a faca mordendo o
sanduíche] — “Depois dessa, eu me demito da DRISCO...” — [pega um mini lenço
umedecido de um recipiente para limpar a boca] — “Nem faço questão de pedir
conta.” — [semblante de aborrecimento].
[Titane Katley] — “Se quiser que eu te ajude
enviando seus currículos, me avisa...” — [bebe um drink].
[Magal] — “Eu agradeço, você já tem feito muito por
mim...” — [antebraços cruzados à mesa] — “posso retribuir vigiando o seu
Posto...” — [se oferece] — “tô com tempo livre agora.”
[Titane Katley] — “O que eu não faço pelo meu
parça...” — [levanta o copo de bebida de sua mão, para sinalizar um brinde].
[Magal] — [ergue o copo de suco, brindando junto à
sua amiga].
.............[MEXER DE TALHERES. BARULHO DE
XÍCARAS. "TIC TAC" DO RELÓGIO. RÁDIO TOCANDO MÚSICAS. CANUDOS SUGANDO
O FUNDO DOS COPOS. VENTANIA. OLHAR DISTRAÍDO. LEMBRANÇAS RUINS]............
===================F L A S H B A C
K======================
O céu límpido
e rosado em tons de berinjela, sinalizavam o fim de expediente. Eram 17h40 da
tarde. Ao lado das paredes de tijolos alaranjados, alguns "cinzentos"
passavam o dia esperando recepcionar clientes interessados em comprar
substâncias. Algumas descaminhadas, desviadas, contrabandeadas ou proscritas.
Umas poucas mesas e cadeiras vintage azuis com uma placa de disfarce. Do outro
lado, uma entrada livre para os "funcionários" trabalharem e servirem
seus clientes de forma discreta.
O forte cheio
de fumaça fazia presença naquele lugar. Seus frequentadores passavam a maior
parte do tempo fumando e bebendo suplementos alimentares líquidos quando não
água ou licores. O alimento que mais consomem nas refeições são bem básicos:
vai desde cebolas empanadas e azeitonas até salames e queijos. Existe uma
estranha cultura de comer somente alimentos aperitivos ou "de
entrada". Não se vê-los comendo refeições minimamente mais robustas. Usam
mais palitos do que pratos, mais mãos do que talheres.
O sol batia
nos rostos dos cinzas, fazendo uma longa sombra escura no restante de seus
corpos. Alguns se identificavam pelos chapéus "Trilby", outros pelas
boinas. Os cinzentos tinham o peculiar costume de ficarem totalmente carecas ou
desbarbados. As camisas eram, em sua maioria, de uma só manga longa no braço
esquerdo. No direito, a tatuagem de uma âncora vinha em quase todos os braços
daquele grupo. luvas pretas sem dedos eram o acessório predileto deles. Havia
apenas três mulheres naquele meio, o que já era muito comparado com a proporção
de moças que entravam anos atrás. Como regra, as mulheres tinham que ao menos,
deixar os cabelos uma das laterais da cabeça bem curtos ou raspados. A maioria
optava por penteados de baixa altura com pequenas franjas, e algumas também
usavam chapéus.
Logo atrás
das paredes, portões basculantes que davam entrada para um enorme espaço por
onde se armazenavam "caixas frias", que eram recipientes projetados
para se manterem em baixas temperaturas que ajudassem a preservar o produto,
dependendo de sua necessidade. O dinheiro era pago em cash, mas podia ser pago
em joias, ouro, pedras preciosas, obras artísticas de alto valor, veículos,
acessórios caros, cabeças de gado, e até sangue e órgãos humanos. O objeto em
disputa, vinha em compridos e robustos tubos de coletas agregados a uma tampa
extra, na qual tinha duas faces distintas por onde poderia ser colocada uma
agulha, de um lado, para sucção, e de outro, para repor. Os negociadores eram
apelidados de "cinzeiros".
Havia quatro
interessados em negociar o produto. Três doentes e um homem normal. Pelo menos
até tomar a primeira dose.
[Earl Cash] — “Tem aí o de 300ml?”
[Traficante] — “Tem até de um litro se você
quiser...”
[Earl Cash] — “Quanto custa?” — [mãos no bolso,
ansiedade].
[Traficante] — “Mil dólares, amigo.” — [olha para
os bolsos de Cash] — “Não tire ainda, espere um pouco...” — [palma da mão para
frente].
O homem cinza vira
de costas e começa a se comunicar por meio de uma escuta dentro de seu ouvido.
Enquanto o cinzeiro não abria o portão, Cash observa os dois idosos ao seu lado
sendo atendidos por outros dois negociadores. O restante dos cinzas, estavam de
vigia e jogando baralhos como disfarce. Um dos velhinhos, já em estado terminal
de câncer, conversa com um dos comparsas que avalia seus exames médicos e
"receita" o tratamento de acordo com a sua necessidade e
gravidade.
[negociador] — [exibe uma prancheta para o idoso] — “A quantidade ideal para o senhor é essa: 05 litros. A reação é imediata,
depois disso, só esperar os efeitos. Iremos colocar o senhor deitado para fazer
a aplicação e isso será feito devagar. O senhor terá um quarto para se hospedar
e terá direito a um jantar, banho e café da manhã... o preço é esse aqui...” — [aponta para o valor constante no papel preso à prancheta].
Após ler, o senhor
doente confirma seu consentimento e imediatamente é guiado para dentro do
galpão. Cash, escutando a fala do homem cinza, pensou que teria o mesmo
tratamento. O cinzento que atendia um pobre rapaz jovem, pálido e magro, começa
a fitar Cash. O menino, estava munido de um tripé metálico na qual sustentava
um soro intravenoso, o seu olhar era de tristeza. Já o cinzeiro, de cabelos
pretos penteados para trás, com camisa regata branca e relógio de ouro, parecia
não ser muito amigável. Antes que Earl pudesse reparar mais do que o
necessário, o seu negociador o chama.
[Traficante] — “Tá liberado, pode vir”. — [acena
com a cabeça].
O cinzeiro abre o
portão de baixo para cima e ambos adentram no local para realizar a transação.
Dentro do galpão, havia montanhas de caixas em suportes de metal e três
captadores de plantão à espera de uma chamada para arrecadar mais produtos. A
venda exclusiva de drogas virou uma coisa obsoleta. O bandido atualmente vende
de tudo, até urubu voando. E não só vendem, também fazem: a função que exigir
formação ou diploma, é perfeitamente falsificada pelos criminosos. Um Plus, um
ganho extra pela fraude. Por vários pontos de Nevada, existem grupos de
cinzentos que atuam negociando pequenas porções de sobras de células
transmórficas em laboratórios para serem usadas em revendas. Ainda assim, podem
ser caríssimas dependendo da exigência do fornecedor.
[Traficante] — “Vai pagar em cash?” — [intima o
homem de chapéu, de braços cruzados].
[Earl Cash] — “Vai ser em cash.” — [exibe as notas
de dinheiro, que são imediatamente tomadas pelo cinzeiro].
O homem conta as
notas de dinheiro de Cash. Earl olha para as mãos do cinza já ansioso para
encarnar o que ele considerava como ser um "novo homem".
[Traficante] — “Vai ser de um litro então?” — [olha
para Cash].
[Earl] — “Sim, de um litro.” - [olhar sério].
[Traficante] — “Ok. Confere. Chega o braço.” — [saca um enorme tubo de suplemento transmórfico e vira a tampa para a face de
reposição].
Earl começa e
gelar a espinha quando vê o tubo de coleta nas mãos do cinza. Amador como era,
nunca havia experimento uma dose tão alta do suplemento.
[Earl Cash] — “Ué... Já vai aplicar?” — [estranhamento].
[Traficante] — [olhar de suspeição] — “As
aplicações são todas feitas na hora, amigo... o tubo tem que ser descartado no
momento em que a compra é feita.” — [ajeita os instrumentos de transfusão,
seguido de olhar para Cash] — “É pra sumir com as provas...”
[Earl Cash] — [tensão e dobrar de lábios] — “Ah,
sim, eu entendo...” — [ajeita o boné e coloca uma das mãos sobre o nariz e
boca].
O homem percebe o
temor de Cash e começa a se desconfiar.
[Traficante] — “Já usou essa quantidade alguma vez?” — [olhar desconfiado].
[Earl Cash] — “Já, várias vezes...!” — [balançar
enérgico de cabeça].
[Traficante] — “... Pela sua cara, parece que é a
primeira vez que vai injetar essa dose...” - [olhar desconfiado e um leve
sorriso de canto].
Cash tenta
passar a impressão de confiança para o homem cinza, mas não consegue disfarçar
o medo que estava sentindo. Para apressar as coisas, o mesmo muda de assunto e
tenta não deixar transparecer sua insegurança visto ao que seria injetado em
sua veia.
[Earl Cash] — “Érr... Então, vamos logo??” — [olha
para os lados] – “Onde eu me sento?” - [olhar sério].
[Traficante] — [gradativo sorriso] — “Aqui dentro
não tem cadeira. Vai ter que ser em pé.” — [sorriso cordial e irônico].
Como um banho de
água fria, Cash encara aquela decepção com um singelo sinal de desistência para
tentar diminuir o temor, e então cede ao seu destino. O cinzeiro coloca o
enorme tubo apoiado sobre uma superfície metálica, preparando o cateter e a
agulha para a transfusão. A tampa do tubo é conectada ao cateter e este, a uma
agulha que seria colocada na veia do braço de Cash. Ao ser previamente
perfurado, o homem deixa escapar um leve gemido de dor com a espetada. Logo
após, o braço do homem foi apoiado sobre um suporte metálico velho, amarrado
com duas cintas grossas para que Earl não pudesse movê-lo enquanto recebesse a
injeção. Molhado em álcool e sendo o procedimento feito de forma
completamente improvisada, o homem cinzento aciona um mecanismo da tampa do
tubo de coleta que empurra violentamente o suplemento para dentro da veia de
Cash, que começa a trilhar por expressões faciais que iam de desde a um extremo
espanto agonizante de dor para um semblante de choro com um breve pedido de
socorro.
O homem cinza só
sorria e apreciava o modo como Cash agonizava. Somente no final da aplicação é
que o motorista conseguiu dar o seu primeiro gemido de dor através de sua voz.
O suplício era tamanho que Cash mal conseguia exprimir o menor grito. Só saia
uma aflita voz que mais parecia com a de um lamento de uma criança. Quando
finalmente acabou, o cinzeiro desamarrou as cintas do braço trêmulo de Cash,
retirou a agulha e colocou um curativo em gel no local de onde ficou ferido. Uma
enorme vermelhidão ao redor do furo sanguinolento resumia toda a infelicidade
de Cash.
Quando menos
esperava, o homem rapidamente já não sentia mais dor. O furo que havia feito em
seu braço já não existia mais. Sua visão cansada começa a se tornar intensa, limpa,
perfeita. Seu corpo estava muito quente e seu nível de disposição subiu a
níveis astronômicos. Cash sentiu seus músculos se tonificarem por toda a parte
de seu corpo, passando a sentir-se mais leve e robustecido que o normal. Seu
grau de raciocínio se acelera como um foguete, e sua pele, se revigora em
milésimos de segundo, deixando o homem cinza completamente fascinado. Os
pensamentos do paciente se explodiam como fogos de artifício, e Cash estava
mais vivo do que nunca. Os olhos azul-celestiais do traficante pareciam ainda
mais vivos e bonitos.
Earl começou
a reparar profundamente o semblante do cinzento que estava em sua frente,
passando a admirar especialmente as feições e os olhos do homem. Por outro
lado, o traficante não parava de assistir sua sinistra transformação que percorria
bem diante de sua vista sem deixar de estar surpreso com a evidente mudança de
seu cliente. Sem querer, Cash termina por manifestar uma "extrema
unção" bastante visível por debaixo das suas calças. O homem cinza nota o
incidente, e sob risos envergonhados e mãos sobrepostas à boca e nariz, se
espanta com o que havia acabado de avistar. Earl só percebe a gafe quando olha
para baixo e subitamente se desespera para se tentar se explicar sobre o que
teria acontecido:
[Earl Cash] — “EITA PORRA!” — [cobre seu membro com
seu boné e estende seu braço com a palma da mão para frente] — “... Não é nada
com você não, moço, foi sem querer...!” — [olhar de pavor].
O cinzeiro
expressava um leve olhar de "tristeza", de tanto que se contorcia de
rir das fuças de Cash enquanto cobria seu rosto com as mãos. Parecia que iria
tropeçar pelos joelhos pela graça que achava do infeliz. Ereção acidental era
um dos principais efeitos colaterais do tal milagroso suplemento
transmórfico. Cash não sabia mais onde esconder a própria face e começou a mostrar-se
mais vermelho que um pimentão.
[Traficante] — [risos discretos e incontroláveis] — “Caramba...! Você ficou feliz mesmo, cara...!” — [quase chora de tanto rir] — “Eu
já vi muita reação, mas essa eu não esperava...” — [suspiros incontroláveis].
A cada segundo que
passava, Earl só ficava ainda mais travado e constrangido. Para a sua sorte, a
montanha de caixas impedia que outros cinzeiros se deparassem com a lamentável
cena. O cinza, para evitar mais transtornos, despacha o motorista para fora
dali.
[Traficante] — [risos leves e contidos, breve
respirada] — “Tudo bem, cara, isso acontece, pode ir, vai...” — [aspira o
nariz] — “vai logo antes que chegue mais alguém aqui...” [jogar de mão
para frente e para trás, a outra mão na boca, sorriso incontido e olhar lateral
para baixo].
Para sair daquela
situação, Cash pega seu boné e sai apressadamente para fora do galpão sem nem
olhar para trás. Ele mesmo se encarrega de puxar o portão de baixo para cima
sem a menor dificuldade, e discretamente, deixa o local como se nunca tivesse
pisado naquele lugar. À medida em que caminhava, os cheiros e sabores se
tornavam cada vez mais acentuados e intensos, assim como sua vergonha. Tal qual
a sua atração física, manifesta de forma inesperada por alguém que jamais
imaginou sentir. O brilho quente do sol, cada vez mais sangrento de tão
vermelho, percorria sob longas faixas paralelas a sombras escuras e frias pelo
corpo de Cash. Seus passos aumentavam à medida que instantaneamente se converge
de dentro para fora. As tiras mortas diante de sua visão cobria sua alma por
breves momentos ao passo que Earl começava a incorporar um olhar fixo
e consonante com a frieza de seus passos. O rosto do homem, nada
parecia exprimir, assim como nada parecia se lembrar do sentimento atribulado que acabara de experimentar. Isso em pouco tempo de sua caminhada pelas bandas solares que cobriam e escapavam dos seus olhos azius. A vergonha que sentia, já não existia
mais. O medo que o assolava, já não o abate mais. A insegurança que então
mostrara, já não exprimia mais. A luz declina em um denunciar da transição de
um fino crepúsculo para a vinda do negrume. Earl, já não se lembrava
mais de quem era. Esqueceu-se de que um dia já fora humano, e agora,
encontra-se com quem verdadeiramente é. O clarão vermelho sucumbe, dando passagem para a escuridão.
.
.
.
.
=========================[DIAS ATUAIS]======================
..................
"Hey...Magal..."
..................
"Magal!" — [estalo].
[Magal] — [sai do transe] — “...”
[Titane Katley] — “Tá tudo bem? Nem está comendo
direito...” — [estranhamento].
[Magal] — “Ah, ah...! Sim, estou, eu só... me
distraí um pouco...” — [olha para a lateral e volta a comer].
[Titane Katley] — “Hum...!” — [olha para os
biscoitos de cacau e cereais, apontando para eles] — “Isso aqui tá delicioso,
meu Deus...” — [semblante de prazer].
[Magal] — [pensativo] — “.... Pensando bem...” — [pausa e olhar leve e sério para Katley] — “eu mesmo vou falar com a Audrey.” -
[decidido].
........."Willie Nelson — Why Me".
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