BIOTH. VANDORA. ENTREVISTA COLETIVA.PERÍODO DO CHOQUE CULTURAL. HIBRIDIZAÇÃO. 43H15 DA TARDE. 27º MÊS.PARTE#02
Longos trinta minutos de alívio que os dois desafortunados não desejavam terminar. Já era o décimo drink para abafar a quantidade de dejetos despejados na cabeça de Läude. A bela praia e o raiar do sol pareciam uma irônica cortina eufemista diante de banhistas cegos e fúteis. A biogeneticista até então nunca havia escavado tão fundo para descobrir o quanto a imagem que se costumava a ser vendida de seu povo, era ilusório. Entediada, esta saca de um relógio metálico azul preso a uma corda dourada, cuja abertura se parecia com um pequeno espelho redondo. Seu companheiro de câmera, imperturbável, acompanhava de perto e com serenidade o estresse de sua colega, exibindo leves sorrisos de admiração e graça. Parecia estar acostumado com o que vira.
Ao redor do quiosque, algumas majestosas palmeiras com folhas que mais pareciam serem feitas de micro películas de vidro, não tinham a piedade das centenas das enormes e felpudas borboletas púrpuras e passarinhos das mais diversas cores e tamanhos, de todos os tipos de bicos. A cada fruta arrancada, a cada uma das flores devoradas, nasciam novas unidades em pouquíssimo tempo. Assim como os peculiares humanos daquele planeta, as ricas plantas também eram muito resistentes. Dentro do estabelecimento, os animais também tentavam usufruir das bebidas nos copos dos clientes. Uma única bolsa aberta era o suficiente para pequenas aves adentrarem no recipiente. Não era incomum esses bichos acabarem sendo levados para casa por acidente. A pior parte disso tudo, é que o intervalo estava prestes a terminar.
[Läude] - [suspiro] - ...Eu devo mesmo voltar a entrevistar esses idiotas? - [olhar de desânimo].
Magal sorri tolamente.
[Magal] - Claro que tem, é o seu trabalho...Vamos! Falta pouco pra acabar. - [olhar amigável].
[Läude] - Argh...! Já quero que acabe... - [se encosta à bancada e bebe o drink].
[Magal]- Relaxa, minha amiga...- [olhar sereno] - Você ainda tem a semana inteira pra fazer as mesmas entrevistas...Com mais 08 grupos, com 06 pessoas diferentes cada... - [sorriso debochado] - Lembre-se que uma semana tem 09 dias, certo? - [complementa a gozação, apontando charmosamente o dedo indicador].
Läude sorri com a gozação do amigo.
[Läude] - Obrigada por me motivar, Magal, está realmente funcionando...! - [sorriso de conformismo e ironia].
[Magal] - Ah, qual é...! - [falsa seriedade] - Quem é a minha biogeneticista favorita? Hein? - [dá um leve apertão das bochechas da colega enquanto sorri].
Läude revira os olhos.
[Läude] - Ok, vai, você ganhou...! Vou renovar as forças pra terminar esse trabalho... - [paga os 10 drinks].
[Magal] - Tomou só dez? Mete quinze, precisa de um calmante extra. - [diz, com o copo na mão].
Läude nega.
[Läude] - Não, eu estou bem. 10 copos já foram o bastante para tirar meu estresse... - [ajeita os cabelos e a canga].
[Magal] - Tá pronta? - [olhar sereno].
[Läude] - [longo suspiro] - Pronta... - [sorriso de desânimo].
[Magal] - Ânimo, mulher...Isso logo vai acabar. - [deixa o copo na bancada e paga a sua parte] - Mais tarde a gente sai pra espairecer e você dorme na minha casa, que tal?
Läude fica surpresa.
[Läude] - Ora...! - [sorriso genuíno] - Você tem uma casa? - [empolgada].
[Magal] - Eu tenho uma tenda... Mas é bonita, luxuosa e minimalista, do jeito que você gosta. - [leve orgulho em sua face].
[Läude] - Olha... Já gostei. Eu quero ver se é verdade, hein? - [impressionada, mas mira o indicador desconfiada].
[Magal] - Eu não minto, Madame. - [faz um elegante movimento semicircular com um dos braços, de cima para baixo, enquanto abaixa o tronco].
[Läude] - Obrigada, Magal. Você é um amigo e tanto...- [alívio e serenidade, de braços cruzados].
[Magal] - Não há de quê. Vamos? - [cede um dos braços para a amiga].
[Läude] - Vamos. - [feliz, se apoia no braço de seu fiel amigo].
Magal organiza sua câmera multifuncional e troca o cartão de memória da primeira parte da entrevista por um vazio. Läude prepara seu mini microfone, retoca sua maquiagem, apara alguns fios de cabelo com uma lâmina de corte quente e volta a exibir um belo sorriso no rosto.
🎬\\\\\\\\\\\\\\\\\2ª ETAPA DA ENTREVISTA COLETIVA///////////////
-----CÉU ABERTO. AREIAS FURTA COR. BANHISTAS DE TODAS AS CORES E VESTE. AVES E NUVENS DE BORBOLETAS. FOCO NA ENTREVISTADORA------
"Bem-vindos de volta! Esta é a nossa segunda parte da entrevista coletiva sobre o que os cidadãos de Vandora pensam e reagem sobre os novos habitantes no território magenta e como é de fato a turbulenta convivência entre dois grupos tão diferentes entre si. Percebam que anteriormente, nós tivemos exemplos de dois híbridos no nosso meio, o que torna a experiência ainda mais interessante..." - [feição amistosa].
//////////////////////////////////===========>>> TRANSIÇÃO.
🎬VISÃO DA PRAIA. MAR CALMO. BELÍSSIMAS CONSTRUÇÕES PREDIAIS E EDIFÍCIOS ESPELHADOS EM CORES VARIADAS. FOCO NO ROSTO DA MULHER.
"Vamos começar com o nosso primeiro grupo de praianos que irão nos responder a seguinte pergunta do nosso programa"...-[olhar focado].
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- VOCÊ ENXERGA PROBLEMAS EM MISTURAR SEUS GENES COM ALGUNS DOS ESPECIAIS?
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=====================PERGUNTA 06: RESPOSTAS================
...........................📹GRUPO 01
[Homem 01] - [pensa um pouco] - Eu enxergo...Eu pelo menos, não teria um filho com uma sub-humana. Posso dormir com ela, mas me reproduzir, não. - [nega com a cabeça].
[Homem 02] - Eu acho irresponsável só a ideia de se relacionar afetivamente com qualquer sub-humano, imagina ter um filho, isso pra mim é loucura. - [feição de leve espanto e repulsa].
[Homem 03] - Honestamente, seria uma crueldade com um filho meu compartilhar meus genes com mulheres de capacidade tão reduzida por natureza, eu não acho nem um pouco prudente... Só esse destrambelhado aqui do meu lado que tem coragem de dormir com uma! - [aponta o polegar para o amigo].
[Homem 01] - Que nada, rapaz! Não é ruim quanto parece! Elas gostam mais da gente do que dos homens da raça delas... - [exibe orgulho].
Os outros praianos mostram repudiar da fala do colega e exibem feições de rejeição e estranheza.
Läude demonstra feição tédio e fita fixamente um dos três homens:
[Läude] - Você sabe que engravidar uma humana comum sem nenhum monitoramento médico posterior pode gerar a morte dela, não sabem? São de 70% a 90% de chances de morrer no parto por subnutrição - [olhar sério].
[Homem 03] - Argh! Pelo amor de Deus, meu chapa...Ah! E respondendo sua pergunta, - [estende o braço para rumo Läude] - Sim, eu sei. E esse é um dos motivos pelo qual jamais teria um filho com uma sub. - [olhar de distanciamento e desconfiança].
[Homem 02] - Não se preocupe, ele garante que não vai engravidar nenhuma mulher sub-humana. - [expressão irônica, referindo-se ao colega Don Juan].
[Homem 01] - Hey, esfriem vocês, tá legal? Tem preservativos pra isso. - [mãos para cima, rosto sério e confiante].
Läude pensa um pouco antes de fazer anotações em seu caderno.
[Läude]- Ok, vamos para a próxima... - [serenidade].
..........................📹GRUPO 02
[Mal Encarado] - Eu acho loucura...Com QUALQUER ESPECIAL. -[indignação] - Uma sandice em níveis estratosféricos! - [gesticula com as mãos, firmes de raiva, seguido de relaxamento muscular e suspiro de arrependimento] - Olha, eu falo isso porque já fui jovem...Eu já fui burro. - [ressalta] - Entende? Como é que "cê" vai...- [mãos gesticulando] - carregar sua herança genética, INTEIRA, junto a genes que REDUZEM a sua qualidade como ser vivo nesta Terra?? Me diz?? - [olhar sério e indignado].
Läude demonstra uma cara de paisagem por alguns segundos.
[Mal Encarado] - Enfim, - [faz sinal de "deixa para lá" com uma das mãos e exibe rosto contraído] - acho que já disse tudo que deveria. Pode passar pra ele. - [vira os olhos e a cabeça para o lado para se referir ao menino, que mascava quilos de chiclete].
Läude aproveita para adoçar o dia antes de prosseguir:
[Läude]- Será que eu poderia pegar um pouquinho do seu chiclete? - [feição amigável, tímida e cansada].
[Rapaz Delicado] - Claro. Eu dou um rolo inteiro. - [entrega a Läude, um recipiente de chiclete em fita do tamanho da sua mão. A mesma fica impressionada.
[Läude] - Ah, oh...Nossa...! Obrigada... - [sorriso tímido].
[Rapaz Delicado] - Por nada...- [sorriso simpático].
[Läude] - Mas e você, querido? Tem algo a responder sobre a pergunta? - [feição acolhedora].
[Rapaz Delicado] - Eu sinceramente não vejo problema em me misturar com uma humana...Afinal de contas, eu não tenho nada a perder com isso, eu já sou um híbrido...Então pra mim, tanto faz. - [masca o chiclete e mostra indiferença em seu olhar].
Läude mostra-se satisfeita e exibe uma leve admiração pela resposta.
............................📹GRUPO 03
[Mulher de óculos] - Super problema. Aliás, com qualquer especial. - [gesticula com o dedo indicador, gradualmente em movimento circular da mão] - Eu nem preciso descrever o porquê. - ["mitidez" e postura arrogante, cruzar de braços].
[Homem] - Eu vejo sim como um problema, não porque eles não mereçam serem felizes, mas porque não dá pra colocar no mundo uma criança que herde um desempenho genético MUITO menor do que estamos acostumados.... Não me leve a mal, mas... - [fechar de olhos e semblante de desdém] - Nós queremos sempre o melhor para os nossos filhos.... E é até antidesportivo botar um filho híbrido no planeta. - [mantém os braços cruzados].
[Läude] - "Antidesportivo"? - [feição de incredulidade].
[Homem] - Ah...- [fecha os olhos e sorri] - Você entendeu... - [feição debochada].
A esposa "nariz empinado" cede um breve sorriso ao marido. Läude contorce seu rosto de forma irônica e tenta manter um sorriso disfarçado. Mais anotações são feitas no caderno.
...........................📹GRUPO 04
[Estudante 04-OCULTO] - Eu não veria problema nenhum, não acho que isso poderia diminuir a mim ou a meu filho. Mas isso sou eu...
[Estudante 05-OCULTO] - Bom, eu não vou revelar meus motivos pessoais, mas eu não ligaria de ter um filho com um sub-humano. Se eu gostasse dele e ele de mim.... Não veria problema. - [receio].
[Läude] - Querem revelar os motivos de não terem nenhum impedimento? - [curiosa].
[Estudante 04-OCULTO] - Eu basicamente porque a vida pra mim tem seu valor, independente de raça, sabe?
[Estudante 05-OCULTO] - Como eu disse...São motivos pessoais... -[pausa].
[Läude] - Ah, sim... - [acena positivamente com a cabeça] - E vocês? - [feição intimadora].
[Estudante 02] -Eu não... - [nega com a cabeça] - Eu não teria coragem... - [exibe rosto de desdém enquanto enrola os cabelos, mantendo as pernas cruzadas] - Eu não tenho vontade nem de conhecer, imagina ter um filho com um deles? Só se eu quiser arruinar a vida da criança. - [feição de espanto].
[Estudante 03] - Olha, eu tenho um pouco de medo, sabe? - [coça a cabeça] - É meio que brincar com o destino de uma pessoa... - [desconfiança] - Eu seria amigo deles de boa, mas não iria querer ter filhos... - [afastamento com as mãos].
[Estudante 01] - Até porque você não sabe se o filho vai vir com algum defeito, né... Eu li que os índices de falha genética deles é muito alta depois de uma certa idade das fêmeas sub-humanas...E é horrível. - [espanto].
Läude imediatamente repara no comportamento da Estudante 02 e começa a indagá-la:
[Läude] - Como conseguiu fazer amizade com o seu colega híbrido do lado? - [instiga].
[Estudante 02] - Ué, a gente se conheceu e nos tornamos amigos...Minha rejeição com sub-humanos não me impede de ter um híbrido como uma pessoa que eu tenho apreço... - [semblante de confusão e desdém].
[Läude] - Hum...Certo. - [acena positivamente com a cabeça e mostra-se satisfeita].
..........................📹 GRUPO 05
O amor estava no ar. As duas rivais voltavam a se entreolhar com um discreto ímpeto de matarem uma à outra. Ambas de braços cruzados e encarando uma à outra, Bäuma exibe seu olhar psicótico e extremamente arrogante enquanto Läude sorri debochadamente para a cara de sua "amiga". Bäuma era bem alta e corpulenta, enquanto sua adversária, era menor e mais "delicada".
[Läude] - Está mais calma? - [sorriso irônico].
[Bäuma] - Talvez... - [feição de menosprezo].
[Läude] - Vai acabar, meu bem...Logo, logo... - [olhar fixo e venenoso para Bäuma].
[Bäuma] - Ué, eu já tô aqui mesmo... - [levantar de ombros e olhar de desprezo] - Não quero estragar seu trabalho... - [olha de cima embaixo].
Läude lança sua doce ironia.
[Läude]- Ótimo... - [sorriso genuíno e leve inclinar de tronco, encarando a mulher] - Então trate de botar um sorriso nessa sua carinha, tá bom? - [olhar de deboche].
Bäuma concede um breve e falso sorriso para a entrevistadora. A pobre Yosan se mantém contida e tensa, já afastada de Bäuma.
[Läude] - Tá tudo bem, querida? - [sorrido acolhedor].
[Yosan] - Tá... - [assustada e em estado de alerta] - Está sim... - [olha para Läude não muito tranquila].
[Läude] - Fique tranquila, está tudo sob controle, ok? - [sorriso amigável].
Yosan exibe um leve sorriso tímido quando Bäuma interrompe o breve momento de hospitalidade:
[Bäuma] - Vai fazer as perguntas...? - [olhar de raiva e desdém].
Läude lentamente vira o rosto rumo à mulher psicótica e disfarça sua intensa raiva com um lindo sorriso.
[Läude] - Mas é claro.... - [pega bruscamente o seu caderno de anotações e dá início à entrevista] - Muito bem.... Podem se posicionarem... - [sinaliza com seu braço estendido enquanto exibe hospitalidade em sua face].
O restante dos outros grupos que ali estavam entorno da praia, perceberam o clima de tensão entre Bäuma e Läude. Pai e filha olham curiosos e preocupados. A menina subitamente para de lamber o sorvete da sua mão. Os três praianos sussurram entre eles e os cinco estudantes mostram feições de desconfiança. O garoto-boneco mascador de chicletes termina engolindo meio quilo do doce que mascava em sua boca, mostrando um olhar assustado para as duas rivais. O homem de sobretudo, no entanto, faz uma pausa para fumar um cigarro saborizado. O casal de metidos orgulhosos começam a prestar redobrada atenção para o grupo 05.
Todos os entrevistados estavam em uma distância razoável na qual não daria tanto para ouvir o que se fala em outros grupos, mas todos podiam ver perfeitamente o que se passava. Os entrevistados estavam posicionados em formato circular e a totalidade dos membros aceitaram responder as 15 perguntas do teste social pela qual foram convocados pelo Estado para participarem, o que parecia durar uma eternidade. Läude começa a reparar a desconfiança das pessoas ao redor e fica levemente constrangida, ao contrário de Bäuma, que apenas a encara com tédio e braços cruzados. Magal chama sua colega ao fundo com um estalo de dedos e a lembra que ainda já está sendo filmada.
[Magal] - [estalo] - Hey...! - [sussurra].
Läude volta à seriedade e ignora os olhares suspeitos. As filmagens seguem seu curso normal. Bäuma tenta se parecer com uma entrevistada ao invés de maníaca.
[Bäuma] - Bom... - [relaxa os braços, coloca as mãos na cintura, olhar para o canto inferior direito] - Você já deve saber da repulsa que tenho em relação aos sub-humanos e quanto considero a existência deles desnecessária, então nem preciso dizer que jamais teria a audácia de ter um filho com um... - [feição serena, mas com olhar de desprezo].
Yosan abre a boca por um instante, mas resolve não responder à pergunta, com medo de represálias de sua abusadora.
[Läude] - Quer responder? Pode falar, meu bem... - [tenta ajudar a moça retraída].
[Yosan] - Eu...... - [engole seco] - Não acho que seria um problema pra mim...Pelo menos não vejo como algo pejorativo.... - [olhar tímido].
Bäuma resolve abrir a provocação.
[Bäuma] - Diga pra ela...! - [dirige-se para Yosan, que fica assustada com a abordagem].
[Läude] - Dizer o quê?? - [confronta a mulher].
[Yosan]- Eu tenho um filho semi-híbrido. - [fala com voz firme, mas trêmula].
[Läude] -[pausa] - Ah...Você tem um filho híbrido também...Que ótimo, isso é muito legal... - [sorriso amistoso].
Yosan finalmente cria coragem para terminar o que começou.
[Yosan] - E é por ter um filho híbrido e ser uma híbrida que eu entendo bem o que um sub-humano passa e os trato com o mesmo valor que é dado para qualquer cidadão daqui. As fraquezas deles não os tornam menos dignos de serem felizes ou se de reproduzirem com pessoas de carga genética diferente da deles.
Läude aplaude Yosan para prestar-lhe apoio e mostra animosidade em sua face.
[Läude] - Olha! Muito bem, Yosan...! Gostei da resposta. - [animosidade].
Yosan cede um leve sorriso, sem, no entanto, ressaltar demais sobre o quanto estava aliviada e feliz. Bäuma revira os olhos, mas finge estar impressionada.
[Bäuma] - Ela é uma fofa, não é? - [sorriso doce mascarado].
[Läude] - Demais...! - [sorriso ironicamente exuberante].
[Bäuma] - E adivinha quem é que fez o parto?? - [tom debochado] - Euzinha...! - [sorriso psicótico].
Läude revira os olhos e finge achar graça da resposta de Bäuma enquanto exibe um sorriso meia boca.
As filmagens são finalizadas e Läude parte para o próximo e último grupo a ser entrevistado antes da próxima pergunta da pauta. Quando a loura sai da vista das duas, Bäuma dispara um olhar de desprezo para Yosan e nota que a menina começa a ficar tensa, pois estava com o olhar fixado em Läude.
[Bäuma] - Pare de olhar pra ela. - [rosto fulminante].
Yosan imediatamente muda seu olhar, se retrai e olha para baixo com uma expressão de medo e angústia.
.........................📹GRUPO 06
Läude sorri, mas suspira de aborrecimento à medida que se aproxima do último grupo. Ainda faltavam mais 09 perguntas. A mulher murmura bem baixo sua insatisfação enquanto disfarça ajeitando os cabelos de pontas espetadas para trás:
[Läude] - Argh....Lá vamos nós de novo... - [sorriso falsete].
[Pai] - E aí, como vai? - [amistoso] - Qual a próxima pergunta?
Enquanto Läude lê o questionário, a exuberante menina sociopata percebe que Läude a ignorava por completo. Seu olhar muda e parte para uma insatisfação.
[Pai] - Eu acho irresponsável e até antiético ter filhos com essas pessoas. Afinal, quem paga por isso são os próprios descendentes, eu nem preciso listar os motivos. Qualquer pessoa com um mínimo de juízo não vai compartilhar seus genes com alguém de traços genéticos inferiores.
[Filha] - E nem vai se relacionar com quem defende essa mistura... - [olhar venenoso para Läude].
Läude entende a provocação da menina.
[Läude] - Ora..... - [junta as duas palmas das mãos, com um sorriso debochado] - Por que a senhorita precisa ser tão severa? - [feição irônica e movimentos corporais dissimulados enquanto levemente aproxima seu rosto para perto da menina].
A menina se silencia, mas mantém o olhar de desdém para a biogeneticista.
[Pai] - Mina, seja gentil com a moça... - [chama a atenção de forma sutil].
[Mina] - Tudo bem, pai, desculpa.... - [volta para o sorvete, mas sem olhar para a mulher loura].
[Pai] - Pode continuar. - [sorriso formal].
[Läude] - Ok, obrigada...Vou tomar um copo d'água. - [se retira].
[Pai] - [sinaliza com sutileza com a palma da mão, mostrando serenidade em sua face] - À vontade...
Läude se afasta alguns metros de pai e filha quando esta dispara:
[Mina]- Já não gostei dela.... - [olhar fulminante].
[Pai] - Tenha calma, meu bem... - [voz aconchegante, mas firme] - Está aborrecida à toa. Läude é uma boa pessoa... - [dá uma piscadela].
Mina, a menina vil, mostra uma cara de tacho antes de voltar novamente para o sorvete amarelo. A sorte era que os sorvetes desse planeta demoram a derreter. Abrindo um parêntese, os doces de lá são deliciosos! Vocês precisam provar antes de morrerem...! Bom, voltando à história...
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- VOCÊ CONSIDERA OS ESPECIAIS COMO IGUAIS EM DIREITOS E DEVERES?
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=====================PERGUNTA 07: RESPOSTAS================
.............................📹GRUPO 01
[Homem 01] - Olha...Eu penso que até um certo ponto sim...
[Läude] - Explique... -[instiga].
[Homem 01]- Porque a nossa legislação deve levar em conta as diferenças essenciais entre nós e eles. Existem direitos e deveres que se aplicados, serão injustos para eles... - [explica] - Veja o ordenamento sobre assuntos de caráter privado, por exemplo...Eles vão ficar em completa desvantagem em relação a nós... - [estende brevemente os braços e torce levemente os lábios].
[Homem 02] - Minha opinião é quase a mesma da dele. A única diferença é no que concerne aos direitos reprodutivos. Humanos e Sub's não deveriam ser permitidos de se misturarem. É o que eu acho.
[Homem 03] - Tirando o fato de colocar toda uma história e uma linhagem genética em risco é de uma estupidez sem precedentes, o que eu considero um crime, - [coloca a mão em seu peito para referir a si mesmo] - de resto está tudo bem...- [levantar de ombros] - Que tenham os mesmos direitos e deveres que quiserem... - [contrai os lábios para baixo].
[Läude] - Ótimo. - [realiza anotações].
............................📹GRUPO 02
[Mal Encarado] - Nunca...Se eles não são iguais a nós em estrutura biológica, não têm que possuir os mesmos direitos e deveres que nós. As leis devem ser feitas separadas para UM e para OUTRO. - [finaliza gesticulando os braços e mãos com um suave movimento de um "X", de dentro para fora].
[Läude] - Certo. E você, querido? - [sorri para o menino].
[Rapaz Delicado] - Eu acho que existe sim equidade em direitos e deveres para ambos os humanos. Até porque eu penso que a Lei não pode fazer diferença entre dois seres conscientes por conta de diferenças genéticas...Somos mais parecidos uns com os outros do que imaginamos. - [postura firme].
O homem de capuz fica impressionado com a postura do menino, baixando lentamente seus óculos. De dedo indicador mirado para o garoto, logo se pronuncia:
[Mal Encarado] - Esse menino me surpreende às vezes... - [aponta para o garoto, dirigindo-se à Läude].
Läude sorri orgulhosa.
[Läude] - O seu filho vem me deixando muito feliz nessa entrevista... - [sorriso amistoso].
O rapaz de cabelo rosê retribui o gentil sorriso de sua entrevistadora. Uma bolha de chiclete é soprada até que pudesse tampar completamente seu rosto.
..............................📹GRUPO 03
[Mulher de óculos] - [risos discretos] - Não...Nem ferrando - [braços cruzados] - Como é que você vai aplicar essa igualdade entre dois grupos à anos-luz de distância um do outro? Não, isso é insano - [entre risos].
[Homem] - Não, isso pra mim é muito improvável. Se a Ilha-País considerar essa tese, isso vai dar um sério problema. Sou à favor de separar os grupos e manter legislações diferentes para cada um. - [olha para o lado] - A não ser que algumas de nossas leis possam conciliar essa disparidade entre ambas as partes, mas acho muito pouco provável. - [olhar de desconfiança].
[Läude] - [balança a cabeça positivamente] - Certo. - [deixa mais registros].
...............................📹GRUPO 04
[Estudante 02] - Sinceramente, pra mim tanto faz, sabe? Não muda em nada minha vida... - [indiferença].
[Estudante 01] - Não vejo nenhum problema nisso. Acho que nossa sociedade seria até mais harmônica, eu penso... - [olhar de dúvida].
[Estudante 03] - Olha...Depende... - [coça a cabeça] - Para alguns casos específicos podem ser aplicados algumas de nossas leis, outras, não. - [mãos para cima, seguido de relaxamento em cima das pernas] - É a velha: Cada caso, um caso. - [palma da mão aberta, de um lado para o outro].
[Estudante 04 -OCULTO] - Eu penso que sim. Não só são como isso deveria estar na pauta política da nação. E... Bem, olha pra mim, né... - [coloca os braços para baixo, com a palma das mãos viradas para cima].
[Estudante 05 -OCULTO] - Eu concordo em gênero, número e grau. Só isso mesmo. Pela minha origem e minha história de vida.
Läude se dá por satisfeita e termina de anotar os registros.
.............................📹GRUPO 05
Läude respira fundo. Bäuma mostra uma singela cara de tacho como de costume. Yosan está mais afastada e com medo de lanças o menor olhar para a mulher loura. A biogeneticista desolca gradualmemte seu olhar para o lado direito e percebe o afastamento da moça. Ainda assim, disfarça sua insatisfação. A pergunta então, é feita. Bäuma mantém a personagem.
[Bäuma] - Não os considero nem iguais e nem dignos de pertencerem ao mesmo sistema de direitos e deveres que o nosso. Só isso. - [olhar de desprezo].
[Yosan] -....
Läude tranquiliza a moça.
[Läude] - Tá tudo bem, pode falar, ninguém vai te repreender. - [mostra empatia].
Yosan mostra um pouco mais de esforço para falar o que pensa.
[Yosan] - Por mim, minha família e pelo meu filho.... Eu não acho, eu tenho certeza. - [olha para baixo].
Läude fica preocupada com a reação da moça acuada e mostra um semblante triste. Bäuma nada diz, apenas fita Yosan com menosprezo. Apesar disso, a mulher de cabelos chanel resolve se afastar para dar uma volta, sem avisar para onde iria. Magal faz um sinal de positivo para a amiga. Läude aproveita a deixa:
[Läude] - Psiu...! Yosan... - [olhar de temor e pressa].
Yosan olha para a biogeneticista, ainda temerosa.
[Läude] - [cola as palmas das mãos uma à outra] - Olha, me desculpe mesmo ter que me meter na sua vida, mas COMO É QUE VOCÊ AGUENTA ESSA VAGABUNDA?? Ela é completamente INTRAGÁVEL... - [susurra de forma exaltada enquanto exibe olhar de raiva, indignação, e gestos de "bicos" com as duas mãos].
[Yosan] - Infelizmente eu preciso dela.... Se não eu não me torno cidadã... - [semblante de tristeza e desistência].
[Läude] - Por todos os Deuses, largue essa mulher...! - [ainda sussurrando para não chamar atenção] - Procure alguém que cuide de você, menina...! - [olhar de espanto e súplica].
Yosan pensa por alguns segundos. Seu olhar é de desesperança.
[Magal] - Psiu! Läude...! - [sinaliza para a colega a aproximação de Bäuma].
Bäuma caminha despreocupadamente até seu posto enquanto mexe nos cabelos e nota o clima de tensão nos rostos das duas mulheres:
[Bäuma] - Espero que a conversa tenha sido proveitosa... - [provoca, com um semblante de desprezo].
As duas mulheres escondem seus rostos com suas mãos e apresentam um semblante de constrangimento e espanto inevitáveis.
..............................📹GRUPO 06
Depois do momento desafortunado com Bäuma, Läude "sai de fininho" em direção a pai e filha, já esperando o que de pior estaria por vir. Com um pouco de medo e raiva da menina que estava ao seu lado, desloca seus olhos lentamente para a garota, que não parava de encará-la como juramento de vingança. Läude engole seco, fecha os olhos e finge que apenas o homem estava lá. A pergunta é feita. Somente o pai responde por ele e pela filha ao mesmo tempo.
[Pai] - Eu particularmente não os considero como iguais em direitos, e tão pouco em deveres. Sequer possuem capacidade mínima de produzir algo relevante ou de forma otimizada, como vão fazer por merecerem algum direito em nosso país? Só acho que o tratamento deveria ser diferenciado. - [desloca brevemente o rosto para o lado e exibe um contrair de lábios e fechar de olhos].
Läude olha para a criança endemoniada com um olhar fulminante e percebe que está pisando em tomates. Logo após, olha para o pai. já sem graça.
[Läude] - E... - [aponta timidamente o dedo indicador para diagonal] E o que ela pensa? - [feição de espanto e confuão, de olhos bem abertos e atentos à menina].
[Pai] - O mesmo que eu. - [semblante de serenidade] - Só está um pouco chateada, mas vai passar. - [tranquiliza Läude, enquanto suavemente gesticula com a mão, de cima para baixo].
Magal afasta gradualmente seu rosto da câmera, já desconfiado, para dar uma olhada na criança possuída. O olhar fulminante e frio da garota faz o homem ruivo mudar sua expressão para medo, fazendo-o mudar de ideia e projetar novamente seu rosto para a câmera de forma lenta e gradual. Parecia ter visto o demônio em sua frente.
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-VOCÊ CONCORDA COM O SEPARATISMO PROPOSTO ENTRE OS ESPECIAIS E OS CIDADÃOS DE VANDORA?
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=====================PERGUNTA 08: RESPOSTAS================
..............................📹GRUPO 01
[Homem 01] - Olha...Separatismo não...- [olhar de receio] - Mas tratamento diferenciado, sim...Eu apoio. Não acho saudável separar as pessoas, elas precisam aprender a conviver umas com as outras. - [braços cruzados].
[Homem 02] - Eu sou a favor.... É mais saudável pra todo mundo e evita tragédias e acidentes... - [olhar de desconfiança].
Um dos praianos desaforáveis ao separatismo coça a cabeça e exibe um leve constrangimento pelo seu passado dantesco.
[Homem 03] - Eu também sou a favor... Iguais tem que conviver com iguais. Pelo menos é o que eu penso... - [levantar de ombros].
[Homem 01] - Olha.... - [constrangido] - Eu.... - [pausa, mão deslizando nos cabelos e breve fechar de olhos e balançar de rosto] - Desculpe-me pelas piadas que eu fiz até o momento... - [breve sorriso tímido, seguido de expressão de desapontamento].
Läude entendeu o que o rapaz quis dizer e sinaliza positivamente a sua cabeça.
[Läude] - Tudo bem... - [rosto suavemente amistoso].
..............................📹GRUPO 02
[Mal Encarado] - Acho que já falei sobre isso na pergunta anterior, não já? - [polegar para trás e olhar misto de desconfiança e seriedade].
[Läude] - Sim, já falou... - [faz algumas anotações].
Enquanto os entrevistados se mantêm em um breve silêncio, Läude desvia o olhar para os dois enquanto termina os registros.
[Läude] - Desculpe me meter, mas e quanto ao seu filho? Como funcionaria o separatismo para os híbridos? - [indaga].
[Mal Encarado] - Aí, eu não sei.... Eu realmente não sei... - [mão na testa]- Porque eu não quero misturar as duas raças, mas também não quero deixar meu menino solto no meio de um monte de ultranacionalistas, entende? - [direciona a mão paralelamente para se referir ao garoto] - Ele pode ser morto... - [receio].
O menino olha para o bizarro senhor, já sem nenhum chiclete para mascar no momento.
[Mal Encarado] - Olha, - [leve gesticular de mãos] - eu sei que soa estúpido dizer isso, porque eu também sou nacionalista. - [mãos no próprio peito] - Mas não a ponto de matar alguém. Isso já passa de todos os limites. - [olhar de estranhamento].
[Läude]- Sim, eu entendo... - [exibe preocupação] - E você, o que acha? - [olhar amistoso para o menino].
[Rapaz Delicado] - Não faz o menor sentido ser favorável ao separatismo se eu quero falar em igualdade entre os povos de raças distintas... - [olha para o lado e alisa uma mecha de seus cabelos com seus dedos].
[Läude] - Boa reposta... - [expressão de hospitalidade].
O menino cria cada vez mais uma relação de amizade com Läude. A biogeneticista se dá por satisfeita e termina as anotações.
.............................📹GRUPO 03
[Mulher de óculos] - Totalmente. Separatismo em todos os âmbitos. Se puder, do mundo inteiro. - [semblante de desdém e braços cruzados].
[Homem] - [olha para o lado, confuso] - Eu já falei algo assim antes, não falei? - [sorriso e olhar de receio].
[Läude] - Sim, falou. Já anotei aqui... - [semblante sereno].
[Homem] - Hum. - [olhar confiante e sereno].
...............................📹GRUPO 04
[Estudante 02] - Olha...Pra mim, tanto faz. - [levantar de ombros] - Não sendo obrigada a se relacionar com eles, não faz diferença separá-los ou não. Cada um no seu canto.
[Estudante 03] - Eu não vejo necessidade.... Francamente. - [semblante de estranheza] - A mera presença deles não representa uma ameaça para o nosso povo. Separá-los seria um pouco autoritário. Meu ponto: - [dedos da mão no peito] - É cada um saber o seu devido lugar e estabelecer uma relação saudável entre as duas raças.
[Estudante 01] - [pensa um pouco] - Também acho que não é pra tanto....
[Estudante 04 - OCULTO] - Sou totalmente contra. É isso. - [posição firme].
[Estudante 05 - OCULTO] - Também sou radicalmente contra.
............................📹GRUPO 05
Läude tenta manter a frieza e Bäuma tenta fingir um profissionalismo para com o trabalho da rival.
[Bäuma] - Acho que é meio tarde pra ser a favor de algum tipo de separação até porque eles mesmos já promoveram separatismos o suficiente. Ninguém quer a presença deles em bares, lojas, padarias, shoppings, casas de banho e jogos, escolas, festas, praias... - [movimentos circulares com um dos braços enquanto mostra desdém] - Então acho que já estamos vivendo um separatismo... - [cruza os braços].
Läude, com cara de tacho, escutou tudo menos uma conformação de uma posição favorável ou não. As duas fazem uma pausa dramática.
[Bäuma] - Mas respondendo sua pergunta, sim. Sou a favor. - [cara de tacho].
[Yosan] - [semblante de receio e leve constrangimento] - Posso...Responder? - [mãos contraídas e braços rígidos].
Läude desperta se deu transe temporário.
[Läude] - Claro! Pode sim... - [caminha até a moça e aproxima o microfone para ela].
[Yosan] - Eu queria dizer que sou contra... Mas na atual conjuntura, eu sou favorável a um separatismo por razões de segurança e bem-estar dos próprios híbridos e sub-humanos, e como uma forma de livrá-los da violência e exploração.
A resposta de Yosan faz com que Läude comece e exibir um leve semblante de tristeza e desapontamento. Porém, arranca um sorriso de Bäuma.
[Bäuma] - ALELUIA...! - [aplaude a moça] - Finalmente uma posição decente! Não é à toa que te adotei como minha estagiária por tempo indeterminado...! - [empolgação] - Muito bem, querida! - [aplaude].
Antes que pudesse lentamente retirar o microfone de perto da estagiária, Yosan se pronuncia:
[Yosan] - Eu vou terminar... - [semblante de receio].
[Läude] - Ah, claro, termine. - [volta a aproximar o microfone].
[Yosan] - A proposta de separatismo é meramente para garantir a dignidade humana e a harmonia entre os povos. Eu sou favorável à igualdade de tratamento legal para ambas as raças e que todos tenham os mesmos direitos e deveres, mas como eu sei que a maioria não vai obedecer, por bem dos especiais e se seus intermediários, o Estado deveria fornecer condições dignas para que o separatismo possa ser realizado, mas que não impedisse visitas ou turismo, por exemplo. Então separar, pra mim, é mais como uma medida preventiva do que uma forma de discriminação. É o que eu acho. - [timidez em sua face].
O semblante de Läude muda. A mulher passa a entender as motivações da moça por quem acidentalmente se afeiçoou.
[Läude] - [fecha momentaneamente os olhos e sorri] - Entendo perfeitamente. Obrigada pela resposta. - [semblante de orgulho].
...........................📹GRUPO 06
Läude mantém o profissionalismo mesmo diante de pessoas de índole duvidosa. Especialmente Bäuma e a garota, Mina. Suas anotações estavam organizadas, limpas e recheadas de números e letrinhas em finos traços azul-marinho. Läude amava tal cor. Era a verdadeira identidade dela. Gostava de caprichar em sua caligrafia até quando estava com pressa. Enquanto terminava de checar suas anotações, uma mão invasiva abaixa bruscamente sua prancheta, tirando toda a graça de Läude:
[Mina] - E aí? Não vai fazer a pergunta pra gente?? - [atrevimento e olhar fulminante para Läude].
Läude desvia a prancheta da garota de forma ríspida. A biogeneticista nunca ficou com tanta vontade de espancar aquela menina. O que o pai tinha de desprezo, a criança tinha de vil. Magal fica espantado com o mal comportamento de Mina.
[Läude] - Não toque na minha prancheta de novo... - [olhar de ódio, em tom baixo].
[Pai] - Mina.... - [olhar sério].
A garota dá dois passos para trás e recolhe-se à própria insignificância.
[Pai] - Perdoe-me, moça. - [sorri].
[Läude] - Tudo bem, vamos prosseguir... - [o semblante de Läude muda para uma expressão serena e amistosa].
Läude elabora a pergunta para o homem. A mesma já sequer nota a existência da criança.
[Pai] - Eu sou totalmente a favor do separatismo. Mantendo as duas raças em seus devidos lugares, você evita uma mácula genética e, consequentemente, uma mácula moral também. O separatismo não seria apenas físico, mas legal, afetivo, profissional, tudo. Seria uma civilização à parte. Existem até espaços bem amplos para abrigar os sub-humanos. Não acho que seria algo impossível de ser realizado. - [finaliza e sinaliza com a cabeça].
[Mina] - Eu também sou a favor de separar especiais e seus simpatizantes... - [rosto de deboche].
Läude quase grita com a garota, aproximando seu rosto para perto da menina.
[Läude] - O B R I G A D A pela sua respostinha! Vou me lembrar dela um dia...! TÁ BOM?? - [bate a ponta da caneta no papel apoiado à prancheta] - TÁ ANOTADO. - [olhos saltados de raiva].
A loura logo se afasta de sua posição, já partindo para a próxima pergunta a ser respondida pelos grupos. Sem querer, Läude deixa escapar uma jogada de areia no vestido da menina enquanto caminha de forma brusca e sob irritabilidade. Pai e filha ficam espantados com a explosão de Läude.
Magal percebe o clima ruim e acompanha a colega com sua câmera em mãos. Enquanto caminham juntos para uma sombra para beberem água, Magal lança um gradual olhar de algo deu errado.
[Magal] - Não quer dar uma pausa...? - [desconfiado].
[Läude] - Não, eu não preciso de uma pausa, eu preciso terminar esse maldito trabalho... - [levemente irritada].
[Magal] - Não sei quanto a você, mas tem gravações aqui que vão aparecer em todos os televisores do País.... - [semblante preocupado].
[Läude] - Pois eu quero mesmo que apareça... - [olhar de aborrecimento e atrevimento] - Ninguém manda eles serem insuportáveis...! - [levanta subitamente as mãos horizontalmente].
Magal exibe um semblante de paisagem e dá uma longa respirada sob um leve balançar de cabeça. O tormento continua.
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- O QUE VOCÊ FARIA EM RELAÇÃO AOS ESPECIAIS SE FOSSE LÍDER DA ILHA-PAÍS?
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=====================PERGUNTA 09: RESPOSTAS================
............................📹GRUPO 01
[Homem 01] - Olha....Eu faria uma legislação especial para eles e forneceria um tratamento diferenciado, mas de resto... Bom, nada. - [ergue as duas mãos horizontalmente].
[Homem 02] - Eu estabeleceria leis separatistas, escolas separatistas, banheiros separatistas, áreas de lazer separatistas, alimentos separados, tudo muito bem dividido pra não haver compartilhamento entre as raças.
[Homem 03] - Olha... Eu os expulsaria daqui. - [balançar de cabeça] - Aqui dentro de Vandora, eles não iriam ficar. - [convicção]- Eu os mandaria pra parte norte de Sithyen para viverem por lá mesmo. - [levantar de ombros].
[Homem 01] - Mas lá não era desértico? - [indagou, desconfiado].
[Homem 03] - Já está sendo restaurado. Já tem até moradores lá... Água, suprimentos, estradas, tudo... - [olha para o colega].
Läude observa os olhares entre os dois praianos discordantes.
.............................📹GRUPO 02
[Mal Encarado] - [aponta um dos dedos para o lado, de braços cruzados] - Como o camarada ali mesmo disse, eu expulsaria da Ilha-País para Sithyen....Mas SÓ enquanto eu não pudesse expulsá-los do PLANETA. - [exibe dedo indicador para ressaltar seu discurso].
Läude expressa um semblante confuso pela fala do estranho homem.
[Mal Encarado] - Ué. - [ergue as duas mãos horizontalmente] - Eles não saíram da órbita deles e vieram até aqui de transporte interplanetário?? Então que arrumem um jeito de voltar... - [gesticula] - Eles têm casa, pra quê que vão parasitar a Nação?? - [seriedade].
Läude mostra uma leve surpresa em sua face. Mas ainda assim, termina as anotações e passa a fala para o "chicleteiro" suspeito.
[Rapaz Delicado] - Eu iria equivaler Super-Humanos e Especiais na condição de cidadãos e dignidade humana e as leis teriam validade para todos. Também estabeleceria algo que eu chamaria de "direitos fundamentais" de forma taxativa... - [sorri expansivamente, de lábios fechados].
Läude se interessa pelo posicionamento no garoto-boneco.
[Läude] - Vou gostar de verificar seu código de leis... - [confiante].
O garoto sorri.
...............................📹GRUPO 03
[Mulher de óculos] - Erm...- [tira os óculos por um instante] - Posso falar? - [olha para o homem desconfiada e com um sorriso irônico].
O homem balança a cabeça de forma irônica e mostra um sorriso constrangido para a abominável esposa.
[Homem] - Acho melhor a gente pular essa parte porque isso vai ser transmitido pela TV... - [olha para Läude].
[Läude]- É o preço de se cadastrar em site de serviços de convocação do Estado, não é mesmo? - [olhar provocador].
O homem desvia o olhar. A mulher coloca os óculos de volta em seu rosto e se mostra contrariada pela fala da Läude. Ambos cruzam os braços e uma longa pausa se inicia.
[Läude] - É só isso mesmo...? - [olha para o casal].
[Mulher de óculos] - Vou ter meu pagamento reduzido se eu não falar? - [exibe desdém].
[Läude] - Bom, só se você não falar absolutamente nada durante toda a entrevista, mas nesse caso, não acho que haverá penalidade.
[Mulher de óculos] - Ah.... Ótimo então. - [olha para o lado].
[Homem] - Por mim, tudo bem... - [contorcer de lábios] - Acho que não vou precisar ser explícito aqui. - [balança brevemente a cabeça e olhar de receio].
[Läude] - Muito bem... - [se dá por satisfeita].
..............................📹GRUPO 04
[Estudante 02] - Olha, provavelmente nada, porque não tem sequer onde mandar os especiais e nós somos um povo que, pelo menos na maioria das vezes, prezamos pelo direito básico à vida...Então...Não tem muito o que fazer. - [levantar de ombros].
[Estudante 04 - OCULTO] - Eu tornaria a suplementação obrigatória para todos os especiais, pelo menos para fazê-los se tornarem mais equivalentes aos SH's e os tornaria cidadãos diante das leis.
[Estudante 05 - OCULTO] - Eu faria ainda mais: daria a eles acesso à saúde, conhecimento, bem-estar, moradia, lazer, trabalho e direitos reprodutivos. E além disso, - [gira o dedo indicador] - educaria as crianças vandorianas a respeitarem-nos como pessoas.... Pelo menos é uma das metas importantes pra mim.
[Estudante 03] - Eu não obrigaria, mas tornaria a suplementação mais acessível aos Sub-Humanos, pois isso melhoraria, e muito, a qualidade de vida deles.
[Estudante 01] - Olha, eu daria uma assistência médica pra eles. São criaturas que adoecem muito e não recebem tanta atenção.... - [olhar para diagonal e contração labial].
Läude termina as anotações em sua prancheta. Respira profundamente. A mulher lembra a dor de cabeça que os dois últimos grupos representam e aciona o modo "robótico".
.............................📹GRUPO 05
[Bäuma] - Nada contra os híbridos, mas os Sub-Humanos em especial, eu expulsaria na marra. Podiam viver em qualquer lugar, mas aqui não ficariam. Pouco me interessaria a condição deles. Iriam embora do mesmo jeito. - [desprezo].
Já cansada, a biogeneticista só responde positivamente com a cabeça, sem a menor manifestação de emoções em sua face. Já para Yosan, seu semblante rapidamente muda para simpatia e hospitalidade o que desperta o olhar ciumento, mas discreto de Bäuma. Chega a vez da secretária-estagiária falar.
[Yosan] - Eu os equivaleria à condição de cidadãos e os concederia um território separado dos SH's, com toda a infraestrutura, qualidade de vida, soberania e legislação devidamente merecida. Também auxiliaria os híbridos a fugirem de lares abusivos - [desvia o olhar para a Bäuma, travando os lábios].
Bäuma balança gradualmente a cabeça de forma irônica. De braços cruzados, sua maior humilhação não era a emancipação de Yosan, mas seus olhares para Läude, sua amiga de infância e adolescência e ex-namorada, na qual rivalizava. Bäuma conhecia muito bem Läude e sentia ter suas relações "tomadas" por ela toda vez que se esbarravam entre si. Para a bióloga e militar, a loura era propositalmente traiçoeira.
[Bäuma] - [Olha para ambas as mulheres com incredulidade e raiva] -Éh....- [contorce os lábios para baixo] - Bela sintonia entre vocês duas... - [olhar fulminante].
As duas cúmplices nada dizem. Yosan vira o rosto para evitar contato com Läude. A biogeneticista finge não escutar a fala irônica da mulher "traída" e se afasta das duas entrevistadas sem nada dizer. No último grupo, a garota Mina estava sentada virada de costas em uma grande pedra rente ao mar praiano e nada faz até então para o alívio de Läude. A mulher já estava começando a se esgotar emocionalmente. Mas ainda mantém o profissionalismo.
............................📹GRUPO 06
[Pai] -..... - [curioso] - Tudo bem? - [olhar solícito].
[Läude] - Estou sim, claro, eu só... - [olhar de esgotamento] - Vou precisar pegar um pouco de café. - [sorri timidamente].
[Pai] - Claro, fique à vontade. - [feição cortês].
Läude caminha até a sua bolsa encostada em uma cadeira laranja de silicone e retira uma pequena garrafa rosa-bebê cintilante de café para beber. Já levemente açucarado, mas doce o suficiente para o apuradíssimo paladar de um Super-Humano, Läude tem alguns longos e prazerosos segundos de apreciação da bebida quente em sua tampa. Alongando os ombros e virando a cabeça para os lados, a mulher inspira profundamente e expira para se manter relaxada. O café que estava em suas mãos era uma variação azulada. Era um azul-petróleo. Depois de uns dois minutos desfrutando o café, a mesma guarda seu recipiente cuidadosamente em sua bolsa, pega a prancheta com sua caneta e volta para o seu posto. Magal olha atentamente para a amiga e se mantém em alerta. O ruivo se mantém a maior parte do tempo em silêncio.
[Läude] - .... - [sorriso tímido seguido de um olhar curioso para a menina que estava de costas] -...Ah... - [sem graça] - Ela vai ficar bem? - [olha para o homem].
[Pai] - Depois do desconto que você deu nela, por um bom tempo, não. - [olhar de desapontamento].
[Läude] - Aih.... - [mão na testa, perpassando pelo rosto, insatisfação no olhar] - Olha, eu peço desculpas... - [balançar de cabeça e fechar de olhos].
[Pai] - Tudo bem, deixa isso pra lá... - [balança as mãos horizontalmente enquanto exibe olhar de serenidade e confiança] - Por agora é até melhor que vocês duas não entrem em contato... - [sorriso suave].
[Läude] - Éh...Você tem razão...- [sem graça] - Então...! Vamos? - [volta a mostrar firmeza e confiança].
[Pai] - Vamos, pode perguntar... - [receptivo].
Mina olha lentamente para trás para certificar sobre o que estava acontecendo. Decepcionada e com raiva de Läude, percebe que seu pai mantém uma postura amigável e até uma admiração em seu olhar com ela. A garota, já liga os pontos.
[Pai] - Eu faria mais ou menos a mesma coisa que a moça ali do penúltimo grupo, mas...Eu particularmente pouparia os híbridos. Só expulsaria os Especiais e os mandaria para um dos territórios vazios ou abandonados, o que não falta é terra pra eles... - [contorce os lábios para baixo e levanta uma das mãos dos braços cruzados].
[Läude] - Certo, obrigada... -[termina as anotações] - Mais uma pergunta e faremos mais uma pausa de 15 minutos antes da 3ª etapa... - [feição cortês].
O homem não resiste ao encanto pela pela entrevistadora e a pega pela mão antes que prosseguisse novamente para o primeiro grupo. O interessado não se contém em expiar Läude de baixo para cima, umedecendo lascivamente seus lábios. Magal começa a tirar o seu rosto da câmera e mostra-se bem atento à investida do ousado entrevistado:
[Pai]- [discreto semblante de desejo] - Desculpe, eu sei que isso é meio antiprofissional, mas... Será que podíamos nos conhecer um pouco melhor? Sair, tomar um café, ir jantar, tomar um vinho em uma casa de banho... O que você preferir... - [seu semblante quase implora para possuir a mulher].
[Läude] - Aih, olha, eu não posso... - [sem graça] - Eu já tenho outro compromisso... - [sorrindo timidamente, nega com a cabeça].
[Pai] - Não tem problema, podemos marcar o dia que você quiser... Eu tenho meu cartão, meu endereço, meu registro biológico rastreável, tudo, eu realmente te acho uma mulher encantadora - [continua segurando a mão de Läude].
A mulher, ainda puxada pela mão, fica cada vez mais sem graça.
[Läude] - Olha, você tá me deixando vermelha, nós estamos no meio de uma... - [seus lábios são delicadamente cerrados pelo dedo indicador do homem, que finalmente cala a mulher].
Aproximando-se Läude e segurando gentilmente sua mão, o homem beija seus dedos e a olha fixamente para seus olhos:
[Pai] - Pois eu vou te deixar ainda mais vermelha se você quiser, e isso eu te garanto... - [coloca sua mão contra o seu peito enquanto acaricia o queixo de Läude].
O homem aproxima seu rosto para o ouvido de Läude sem a menor cerimônia com os presentes:
[Pai] - Você é deliciosa até o último fio de cabelo, sabia? Me deixou extremamente excitado desde que bati o olho em você pela primeira vez...Só que depois de hoje, você pode escolher entre "batermos o ponto" juntos, ou me fazer bater outra coisa por você...Você é um tesão de mulher. E eu ficaria umas três horas percorrendo entre suas pernas... - [sussurra no ouvido da mulher].
Läude vira um pimentão vivo e quase engasga com a ousadia do homem. Yosan se mostra levemente decepcionada e Bäuma se sente satisfeita:
[Bäuma] - Humph...- [sorri] - Sortuda. Que bom que estão se dando bem...Pelo menos ela para de olhar pro que é meu... - [mostra aborrecimento e desvia os olhos para Yosan].
Depois da surpresa que acabara de ouvir, Läude olha atentamente para os olhos do homem. Magal fica abismado com o que vê, mas não surpreso. A menina à essa altura, já havia saltado os olhos de incredulidade. Bäuma apenas sorri e se deleita com a decepção da estagiária. Como se ainda não bastasse, o homem encara Magal nos olhos, aproximando logo em seguida, o seu rosto para a mulher:
[Pai] - Se você quiser, pode levar seu amigo ruivo ali atrás junto. Ele é uma graça... - [sorri e dá uma piscadela].
Läude exibe um semblante de espanto e um leve constrangimento que a faz tropeçar entre tímidos e discretos risos contidos. Para cortar o assunto ela o atenta para Mina, que olhava como se estivesse se deparando com um homicídio:
[Läude] - Erm....A sua filha... - [desconfiança].
O homem olha para trás e percebe que a menina está olhando com desconfiança para a atitude do pai, que sequer tinha a menor vergonha de cortejar uma mulher na frente da própria filha. O homem finalmente solta a biogeneticista e volta a presentar um semblante neutro, mas levemente desapontado. Läude fica de olhos voltados para baixo e exibe uma leve vergonha em seu rosto. O homem desliza seus dedos pela mandíbula e queixo e, sob um manto de vergonha, pede licença para a seu affair:
[Pai] - Olha...Se você não se incomodar, eu vou ter uma breve conversa com a minha filha... - [aponta o polegar para trás].
[Läude] - Tá...Tudo bem... - [sinaliza com a cabeça e fecha brevemente os olhos] -...Erh... Eu vou ali atrás...Ok? - [acena para o outro lado].
O homem apenas acena positivamente e ambos se separam. Läude se certifica se não haveria algum desentendimento e represália contra a garota, pois não queria ser responsabilizada por um estrago na relação familiar. O homem se agacha para ficar em posição de igualdade com a garota tocando levemente seus ombros, e, apesar de feições de aborrecimento e tristeza, a conversa flui de maneira normal, sem grandes tensões. Magal ainda expressa uma cristalina feição que mescla espanto e uma cara de tacho para a colega, enquanto esta caminha para próximo do ruivo.
[Magal] - [olha para os dois lados enquanto aponta o polegar para o lado] - Vou ter que transar com ele também? - [abismado].
Läude olha com espanto e incredulidade para o amigo:
[Läude] - Quem disse que eu vou levar ele?? - [olhos saltados] - Tá doido?? - [gesticula com as mãos e volta a caminhar].
[Magal] - Aaahh.... - [balança lentamente a cabeça e olha para trás para checar, voltando novamente para Läude] - Você tá lembrada que quem vai sair somos só nós dois, certo? - [feição desconfiada].
03 minutos depois........................
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PERGUNTA Nº10- QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE A POLÊMICA ENVOLVENDO UM CIDADÃO VANDORIANO CONHECIDO ENTRE OS ULTRANACIONALISTAS E O LÍDER DOS ESPECIAIS?
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=====================PERGUNTA 10: RESPOSTAS================
................................📹GRUPO 01
[Homem 01] - Hum? James Wesley e SITH Gayeth? Caramba, que figuras... - [sorriso de surpresa e braços cruzados].
[Homem 03] - A única coisa que eu sei é: um é maluco e outro é um palhaço. - [olhar de desdém].
[Homem 02] - E qual deles seria o palhaço? - [fita o colega].
[Homem 03] - SITH, é claro. Quem mais seria? - [olhar irônico].
[Homem 01] - O Senhor Gayeth, eu conheço. Mas o Senhor Wesley, nem tanto. Ouvi dizer que uma parte do corpo dele era robótico, não era?
[Homem 02] - É um olho biônico e um antebraço robótico.
[Homem 03] - Incrível. - [olhar impressionado] - Eu fico embasbacado com a resistência desse Sub. - [olha para Läude].
[Homem 01] - Mas ele também foi suplementado, então isso facilita... - [entra na conversa].
[Homem 02] - Mas o suplemento é de primeira geração, não era? Os atuais promovem a regeneração celular completa. Recupera braço, perna, olhos, ossos... - [balança a cabeça enquanto exibe contração em sua face].
[Homem 03] - [pensativo] - Éh... O cara é realmente um fenômeno.
[Homem 02] - Eu vejo ele brigando nos bares do Ponto-Leste toda semana... ele enfiou a mão na cara de 05 damasquinhos da nobreza vandoriana...
[Homem 01] - É muita coragem... - [impressionado] - Mas quanto ao Gayeth, vou ter que falar: é o sujeito mais energúmeno que já vi em toda a minha vida.
[Homem 03] - Nem me fala, cara... - [coloca a mão na testa] - O pilantra conseguiu arruinar o nosso relacionamento com os Esmeraldinos. Acabou com METADE dos nosso turismo. - [raiva].
[Homem 02] - SITH é um cidadão vandoriano, pertence à nossa raça e tudo mais... Mas é um homem complexado e burro. Ele envergonha a Nação com essa postura bélica sem causa que ele tem.
Läude apenas anota e escuta atentamente os posicionamentos dos três praianos, interessada no assunto.
.................................📹GRUPO 02
[Mal Encarado] - O quê, o SITH?? - [feição de espanto e incredulidade] - Esse cara é um palhaço! - [semblante de rejeição seguido de revirar dos olhos] - Éh, tenho que reconhecer, ele tem culhões pra se posicionar sobre os valores invertidos daqui, mas de resto, não tem serventia. É BURRO feito uma porta. Gayeth fez muita burrada com o nosso País, de verdade. - [indignação e dedos "pinçados" voltados para frente] - Quanto ao Wesley, - [olha para o lado] - ele pra mim é um VERME aspirante a terrorista... - [estende as mãos abertas para cima e exibe olhar fixo de nojo e rejeição].
O menino viciado em chicletes observa o obscuro homem terminar a sua fala. Antes que respondesse, puxou mais um pouco da fita de mascar para boca.
[Läude] - E você? Já ouviu falar desses dois? - [curiosa e semblante amistoso].
[Rapaz Delicado] - [sopra uma bola, que estoura] - Já vi falar deles nos jornais. É de uma imprensa independente que blindam os papéis todos de rosa e perfume. Bem peculiar... - [pausa para mascar].
[Mal Encarado] - Serve pra limpar a bunda... - [olhar irônico].
O garoto fita o homem sorrindo, quase dando gargalhada de seu comentário. Läude deixa escapar um sorriso de seu rosto.
[Mal Encarado] - Ué... - [expressão irônica e pose de deboche] - Eles fabricam um jornal como se fosse um lencinho de bebê, querem que eu faça o quê??.... - [leve sorriso].
O silêncio e os olhares de escárnio imperam.
[Mal Encarado] - Ok, desculpe. - [sem graça, estende as palmas das mãos para cima] - Pode continuar.
[Rapaz Delicado] - [foca em Läude] - Quando eu li pela primeira vez, tive a impressão de na verdade esses dois não acrescentam em muita coisa para as próprias causas...São baderneiros apenas. - [levantar de ombros com feição de indiferença enquanto masca chicletes].
[Läude] - Por que diz isso? - [curiosa].
[Rapaz Delicado] - [olha com dúvida e surpresa para os dois lados enquanto contrai os lábios para baixo] - Até então eu realmente não vi nenhuma motivação de nenhum dos dois que não fosse uma vingança pessoal. Não vi nenhum Intermediário ou Sub-Humano ganhando alguma coisa com isso.... Pelo contrário. Nós continuamos sendo vistos como... - [vira o rosto para o lado com olhar para cima e exibe feição de decepção e neutralidade].
[Läude] - Entendi... - [finaliza as anotações].
................................📹GRUPO 03
[Mulher de óculos] - Eu acho o SITH um cara legal... - [confiança] - Se eu tivesse que apoiar a causa de alguém, seria a dele. É um homem de fibra apesar de desastrado. Já o primatinha turista, nem sei quem é e nem me interessa.... - [olhar de desdém enquanto ajeita os cabelos].
[Homem] - O Gayeth é corajoso... Mas é burro e inconsequente... - [dedos nos queixos] - Quanto ao Wesley, - [leve desdém] - é um coitado...Um rebelde com uma causa natimorta. - [cruza os braços].
[Mulher de óculos] - Me pergunto se essa causa é mesmo natimorta porque o esse cretino continua vivo...Nem pra matar UMA BARATA esses patriotas estão prestando... - [impaciente].
Läude se dá por satisfeita.
..................................📹GRUPO 04
[Estudante 01] - James Wesley e SITH Gayeth..... Parece um roteiro de filme faroeste...
[Läude] - Conhece eles? - [curiosa].
[Estudante 01] - Só de relance...Essa briga entre rebeldes e nacionalistas só ocorre por causa deles...
[Estudante 02] - Eu não vou com a cara de nenhum dos dois...Só servem pra atrapalhar a paz alheia...E sinceramente, - [ergue os ombros e os antebraços] - qual que é a vantagem dessa guerra? - [expressão séria].
[Estudante 03] - [pausa] - Olha... É compreensível a motivação dos dois, especialmente com relação aos Especiais... - [feição se contorcendo, receio] - Mas, honestamente, eles já pesaram a mão há muito tempo...
[Estudante 01] - Isso eu concordo...Eles estão começando a bombardear locais públicos, queimar matas e a subtrair material genético...Sinceramente, quem tem coragem de queimar a flora de um País só pra provocar desestabilização social, tem que ser muito doente...
[Estudante 04- OCULTO] - Eu acho que o único culpado dessa história é o próprio Gayeth...Ele que começou a perseguir esses povos por conta de um problema que eles tiveram com dois ladrões imperialistas.... Sobre o tal James, bom...Não tenho nada a comentar dele... - [receio e leve irritabilidade].
[Estudante 05- OCULTO] - Pois eu dou total suporte aos rebeldes. Sou apoiadora de James Wesley e acho totalmente aprovável a atitude enérgica dele.... - [postura firme].
Todos os outros colegas olham com espanto e surpresa para a estudante que se pronunciou.
[Estudante 05- OCULTO] - Sim... - [balança a cabeça positivamente] - Eu dou todo apoio, até porque meus ancestrais foram perseguidos e massacrados toda a vida só por existirem enquanto seres humanos. Então acho justa a reação dos rebeldes e tenho respeito e admiração pelo líder deles... - [exibe destemor].
É nesse momento que a última entrevistada cala os outros quatro colegas, espantados com tamanha ousadia de se posicionar em um ambiente majoritariamente composto de SH's. Apesar da possibilidade de retaliação, a menina estava orgulhosa de si mesma. E o 4ª estudante, exibe um sorriso de alegria para a amiga. Läude admira discretamente a coragem da garota, mostrando um leve orgulho.
.............................📹GRUPO 05
[Bäuma] - Ao contrário do que essa cambada de bundões dizem, SITH Gayeth não é nenhum palhaço ou burro. É um HOMEM de verdade. - [arrogância]- É o homem que essa Ilha-País odeia, mas que a Nação precisa. - [braços cruzados].
[Läude] - Hum.... - [sinaliza positivamente com a cabeça, mostrando indiferença].
[Bäuma] - Já o tal do líder dos rebeldes, eu queria MUITO que alguém caçasse ele e desse o fim que ele merece. Muita incompetência pra matar... - [desdém e dedos deslizando sobre um dos ombros].
Yosan aproveita para provocar Bäuma e mostra ressentimento em sua face.
[Yosan] - E por que você mesma não faz isso? - [olhar de ressentimento].
Bäuma se espanta e olha ultrajada para Yosan:
[Bäuma] - Menina, não se mete no que não foi chamada! Ninguém te deu permissão pra dar pitaco, entendeu?? - [brava].
[Läude] - HEY! - [grita em tom de autoridade, com o corpo ereto e rígido que chama atenção de sua rival] - Vamos manter um pouco de paz por aqui, pela piedade, sim?? - [feição de espanto e de saco cheio].
Yosan se mantém em silêncio, mas com raiva de Bäuma. Logo, seu semblante deixa transparecer uma profunda tristeza e ausência de esperança.
[Läude] - Ah.... - [suspira deslizando as mãos sobre os cabelos] - Perdoe-me pelo clima ruim, minha querida, vai querer falar alguma coisa? - [sem graça e sem jeito].
A moça pega pela primeira vez, o microfone da mão da biogeneticista e o aproxima para si:
[Yosan] - Eu só quero mesmo é que esse líder, - [balança a cabeça] - seja lá quem for, DESTRUA essa Ilha. - [indiferença].
A secretária finaliza devolvendo o microfone para Läude, que fica abismada com a resposta da moça, mas não surpresa. O sentimento de que tinha estragado tudo assola a mente da mulher loura. Läude nada diz, apenas acenando gentilmente com a cabeça e indo direto para o último e conturbado grupo.
..............................📹GRUPO 06
Depois da cantada constrangedora, Läude mantém alguns milímetros de distanciamento do entrevistado. Este, por sua vez, continua a fitar a biogeneticista com um discreto semblante de admiração. A menina, resolve permanecer em silêncio pelo restante da entrevista e ignorar a entrevistadora por completo.
[Pai] - ...- [punho fechado na boca, limpando a garganta] - Posso começar? - [discreto, mas sem graça].
[Läude] - Claro, pode... - [estende a mão de palma para cima à frente para sinalizar permissão].
[Pai] - Então...Eu conheci o Gayeth no nosso primeiro dia depois da faculdade, e por muitos anos eu trabalhei com ele numa fábrica do Ponto-Central. Ele era um homem muito diferente do que ele se tornou atualmente. Acredito que você já deve ter ouvido falar do incidente das Esmeraldas, correto?
Läude responde positivamente.
[Pai] - [olha para a mulher] - Nessa época, SITH tinha uma esposa e um filho, ZOTA Gayeth, já adolescente na época... - [coça próximo à orelha] - Quando a guerra entre os vandorianos e esmeraldinos aconteceu, o filho dele foi envolvido em um acidente que aconteceu à uma garota interplanetária pelo qual ele se apaixonou e teve um relacionamento. - [pausa e virar de olhos de um lado para o outro] - A menina morreu, em decorrência da relação sexual que teve com um SH e a aldeia inteira queria prender e matar o garoto.
Läude fica bem atenta ao relato do homem.
[Pai] - O menino, claro, tentou se defender... - [balança o rosto e gesticula] - Mas nessa brincadeira, ele acabou assassinando vários esmeraldinos...E pra piorar, ele voltou aqui pra BIOTH e foi caçado pelo povo daquele planeta. O resto você já sabe. - [olhar sereno].
Läude sinaliza positivamente para o homem.
[Pai] - SITH agora virou um homem amargo, sem alma, embrutecido e dessensibilizado. - [conta nos dedos] - Ele perdeu a mulher num tiroteio e teve seu único filho capturado para ser escravizado e torturado por mais 400 anos da vida dele... - [olhar de desapontamento].
Läude discretamente muda seu semblante para uma expressão de interesse, intriga e curiosidade.
[Pai] - Já o Senhor James Wesley, perdeu a noiva grávida em um confronto entre vandorianos munidos de tecnologia bélica e sub-humanos sem qualquer chance de defesa. - [cruza os braços] - E além de ter a própria mulher e seu filho no ventre mortos, o homem ainda foi obrigado a levar os corpos por várias horas a fio, foi molestado, importunado, vandalizado, torturado e colocado em situações degradantes pela própria população da Ilha-País...O homem virou um valentão de esquina e caça brigas por esporte. - [olhar firme].
Läude permanece atenta ao relato do entrevistado e foca no olhar do homem.
[Pai] - Se eu pudesse te definir quem realmente são - [exibe respectivamente os dedos] - SITH Gayeth e James Wesley: são dois homens sequelados e cheios de traumas. - [olhar fixo] - A única coisa que move os dois é o revanchismo. Um na verdade é a mera antítese do outro. É tudo. - [mão aberta, virando suavemente de um lado para o outro].
[Läude] - Formidável. Ótima resposta. - [impressionada].
[Pai] - [se sente lisonjeado] - Não há de quê... - [expressão de leve orgulho].
......................................
🎬RETORNO DO FOCO DA CÂMERA PARA A ENTREVISTADORA.SEMBLANTE DE CANSAÇO. SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA CONCLUÍDA. VISÃO DO MAR, PRÉDIOS E DIA QUENTE E ENSOLARADO.
"Muito bem, pessoal, aqui nós finalizamos nossa segunda e penúltima etapa da entrevista coletiva. Faremos uma pausa de mais 15 minutos e em breve voltaremos com as últimas perguntas para os nossos entrevistados..." - [feição amistosa].
//////////////////////////////////===========>>> TRANSIÇÃO
Läude e Magal imediatamente saem de seus postos com seus pertences para terem novamente um merecido descanso do irritante trabalho. Armam suas barracas infláveis e fazem um breve alongamento antes de pararem para tomar um refresco e nadarem na água. Pai e filha encaram distraidamente a paisagem quando mina lentamente vira o rosto e corta o silêncio.
[Mina] - Você nem disfarça, né? - [feição irônica].
[Pai] - Querida, quando você se tornar uma mulher feita, você vai poder se meter nas minhas relações... - [rosto sereno e uma piscadela].
A garota revira os olhos.
[Pai] - Ora, vamos, pegue o dinheiro e compre algo pra comer, você tá muito nervosa... - [semblante confiante].
A menina pega a nota monetária e sai de cena. O rapaz delicado começa a reparar em Läude e pensa em se aproximar dela:
[Rapaz Delicado] - Com licença, moça. - [amistoso].
O alongamento de Läude é momentaneamente interrompido.
[Läude] - Oi...! - [sorriso empolgante] - Você por aqui? A que devo sua visita? - [sorri].
[Rapaz Delicado] - Ouvi dizer que você e um cientista chamado Otis Foyer estão envolvidos no projeto Transmorfo, ou eu estou enganado? - [semblante de dúvida].
[Läude] - Não, não está, nós fazemos parte do projeto sim. Por quê? - [curiosa].
[Rapaz Delicado] - Então... - [vira levemente o rosto] - Será que eu poderia entrar em contato com vocês para me inscrever? - [feição amigável].
Läude e Magal encaram o menino em silêncio e com feição de dúvida e desconfiança.
[Rapaz Delicado] - Eu quero usar meus genes... - [confiante].
Para a alegria de Läude e espanto de Magal, seu primeiro voluntário para a criação de um Transmorfo finalmente deu as caras. Para oferecer os genes, é necessário que o cidadão se inscreva para que o mesmo doe seu material por livre e espontânea vontade e este passe por testes. Läude entrega seu contato para o menino:
[Rapaz Delicado] - Obrigado, moça. Prometo que entrarei em contato logo amanhã cedo... - [empolgado].
[Läude] - Que ótimo! Estarei te esperando.... - [guarda o contato].
Antes que o rapaz partisse, a mulher lhe faz uma última pergunta:
[Läude]- Ah, mocinho! - [levanta parcialmente a mão e o dedo indicador].
O menino se vira para Läude.
[Läude] - Por curiosidade, qual é seu nome? - [semblante amistoso].
[Rapaz Delicado] - Vega.... - [sorri].
[Läude] - Prazer em conhecê-lo, Vega... - [amistosa].
[Vega] - O prazer é meu, moça bonita... - [pisca para a mulher antes de sair saltitando até aonde estava o mal humorado homem de capuz].
Läude fica feliz e encantada com a iniciativa do garoto que acabou de conhecer. Magal exibe um olhar misto de tensão e desconfiança a respeito do que pode ter sido feito com o material genético que doou ao laboratório, quando perdeu uma aposta contra Foyer.
Passarinhos cantando......
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