-----DESEMBARQUE. NEVADA. MADRUGADA DE 15 DE JULHO EM DIANTE. ANO DE 8850. CAMINHADA. PRIMEIROS DIAS EM NOVA YORK.PARTE #4-----
-----------------SILÊNCIO E TENSÃO----------------
Vega permanece dirigindo estático e em silêncio, pensando numa forma de sair da situação a que havia se metido. A Smart Rádio continua ligada, a som baixo, quase inaudível. Repara a janela destruída, com resquícios de material biológico e no sangue que ficou nas suas mãos, no seu pijama e nos bancos. O dente de ouro ainda estava embaixo do banco ao lado. O revólver, estava em cima do banco do passageiro. Tenso e dirigindo por horas, notou que precisava se livrar de vestígios do homem. Este olha para trás e observa um pequeno closet logo à sua diagonal. Espiando pelas funcionalidades do monitor em touch screen do motorista, este percebe que existe um botão para acionar o Piloto Automático. O tal botão que Cash nunca conseguiu achar, e mais ainda, por estar bêbado demais para raciocinar.
Acionando o modo automático do caminhão, Vega o deixa dirigindo "sozinho" pela estrada enquanto pega a sua mochila e tenta encontrar roupas, sacolas e material de limpeza para o disfarce. Com o pequeno controle remoto de Cash, Vega aciona o comando que tranca todas as entradas e fecha as janelas com uma espécie de "capa dura" preta para que ninguém o visse por enquanto. Ao abrir o closet em meio ao um ambiente todo aveludado em cor vinho, observa que dentro havia uma separação para uniformes, de vários tamanhos, um recipiente com saída em spray, de líquido rosado misturado a álcool, um conjunto de panos de várias cores e uma embalagem de sacos pretos guardada no mesmo armário. Todos muito organizados.
Vega, antes de trocar de roupa, teria que limpar as mãos, os bancos, a porta e os vidros, além de se livrar da mesma janela blindada. O mesmo saca do recipiente e percebe que ali se trata de material de limpeza. Espreme no pano em suas mãos e testa o produto em um pequeno pedaço do tecido do banco. Felizmente, o material era próprio para tirar a sujidade e manchas de veículos, por dentro e por fora. Vega começa a limpar desesperadamente tudo que pudesse encontrar por ali. Janelas, bancos, volante, revólver, tudo. Com o caminhão em movimento, Vega ainda abre um dos revestimentos em "capa dura" para limpar o sangue que ficou na porta do lado do motorista do caminhão. Por sorte, não teve dificuldades para tirar a "pintura" de sangue que havia feito. Só não sabia se poderia usar o produto em suas roupas.
Após longos 15 minutos de limpeza completa, Vega pega a embalagem plástica com sacos pretos, o rasga e retira uma unidade para coletar as "sobras" da vítima. O dente de ouro e os pedaços faltantes do vidro blindado. Vega vai até o banco do motorista e arranca bruscamente de frente para trás, cada pedaço do vidro blindado para despejar no saco preto. Cada arrancada, que não demandava muito esforço, era equivalente a um barulho de um estouro. Logo após, cata o dente de ouro do chão e o descarta no saco preto. As garrafas do cooler de Earl Cash, também são descartados no mesmo saco, graças ao controle em formato de token nas mãos de Vega. Vega fica alguns segundos pensando no que fazer com o pijama e seus sapatos enquanto guarda o pequeno controle em um bolso de sua mochila. Antes que pudesse levantar suspeitas sobre o sangue nas mãos, Vega começa a fazer suas duas mãos a produzirem uma camada de pele descartável, que só precisava ser arrancada como uma fina "folha" de células mortas. Vega retira as "luvas de pele" ensanguentadas, junto com as unhas, e ganha uma nova camada de pele e unhas, limpas e novas em folha. Vega faz o mesmo com seu rosto. Troca de pele e arranca o tecido como se fosse uma máscara de limpeza e sua pele fica restaurada.
Vega despreza as folhas de pele morta no saco preto e verifica suas mãos e unhas para certificar se estão intactas. Confirmadas, Vega despeja o pano usado para a limpeza do caminhão, também no saco preto. Embaixo, um pouco atrás do banco do motorista, Vega lembra que descartou o boné destruído de Cash antes de jogar o corpo pela estrada. O descarta também no plástico escuro. Guarda o material de limpeza e começa a verificar os uniformes no closet. Vega volta a olhar para o revólver no banco do passageiro. Como era presente da Katley, ficou ressentido em rejeitar a arma de fogo no saco preto. Preferiu manter consigo, guardando-o em sua mochila.
Apesar de renovado, Vega precisaria trocar de roupa para que não fosse reconhecido de imediato. Passou as mãos pelas roupas do closet enquanto a Inteligência Artificial do caminhão apontava o tempo exato em que o veículo poderia permanecer no modo automático, e que o software precisaria ser atualizado em 30 dias.
Ao verificar novamente os uniformes, Vega nota que estes tinham tamanhos diferentes. Aproximando seu rosto, o Transmorfo sente vários cheiros diferentes nas peças de tecidos. Eram pelo menos umas 20 ali presentes. Logo que sente o odor das roupas, seu semblante logo se desfaz:
[Vega]- Que verme imundo.... - [diz enojado com o que conclui].
Sem pensar muito, Vega procura um tamanho que lhe caiba e tenta caçar por sapatos, logo nas duas gavetas debaixo. Porém, antes que pudesse encontrar algo para vestir, o sistema aciona o desligamento das janelas de capas escuras do veículo, o que deixa Vega espantado e confuso. Logo, o caminhão subitamente para devagar e fica estacionado na estrada. Sem entender o motivo da parada repentina antes que pudesse completar o tempo estimado, Vega saca de um boné improvisado do closet para disfarce e vai lentamente até à janela para verificar o que havia logo à frente. Era pequeno, mas depois de ampliar sua visão para uma maior distância, avistou várias viaturas bloqueando a estrada e 06 policiais vindo na sua direção. Como a luz do sol estava forte, os tiras mal conseguiam enxergar além dos vidros do pujante e luxuoso caminhão. O olhar de Vega adquire expressão de pavor quando o robô automático anuncia: “BLOQUEIO POLICIAL À FRENTE. SUSPEITO SENDO PROCURADO PELAS REGIÕES APONTADAS NO MAPA. FAÇA A REVISTA ANTES DE CONTINUAR O TRAJETO”.
As mãos de Vega apertam os encostamentos dos bancos enquanto sua expressão trêmula de pavor o deixa com respiração pesada e boca entreaberta. Um dos policiais ainda completa com chave de ouro ao gritar portando um megafone: “PARADO AÍ, SEJA LÁ QUEM FOR! NÃO FAÇA MOVIMENTOS BRUSCOS...!!”. O outro completa: “ENCOSTA ESSA PORRA AÍ...!!”. Vega saca sua mochila e rapidamente desaparece como um bicho do mato foge de predadores. Sem tempo para se trocar, abandona o saco plástico preto com as provas dentro de um balde de lixo e rapidamente tira totalmente suas roupas, ficando completamente nu enquanto sai da cabine do caminhão por uma abertura rumo ao corpo do veículo onde fica a carga, segurando seus pertences.
Luz avermelhada e um labirinto de produtos encaixotados enclausurantes que deixavam Vega na mais profunda perdição. Mais perdido e fodido do que já estava, nu, com uma mochila rosa choque e roupas com rastros de sangue que poderiam ser detectados ainda que fossem muito bem lavadas, impossível. Além de que a placa de identificação do veículo, continuava nova em folha, prontinha para ser rastreada à nível global. Parecia ter saído de um pornô de Halloween. É quando o felizardo escuta um barulho vindo logo debaixo de seus pés que o fez perceber que não estava sozinho. Havia um acesso vindo logo de baixo de onde ninguém conseguia escutar que não fosse o próprio foragido, que tinha ouvidos hiperapurados e melhorados.
Vega se abaixa para achar a entrada na raça. Se ousasse socar o piso, deixaria mais uma prova para ser encontrado. O rapaz suspira pensando não haver mais solução quando do seu lado, naquele mar de caixas e vermelhidão, havia uma abertura paralela próxima à parede do veículo onde Vega poderia se espremer. Pelado e desesperado, Vega se aperta na entrada lateral como se fosse um slime para ter acesso ao esconderijo atípico. As roupas e a mochila vão sendo “sugadas” como algo se afundando em uma massa de sofá estofado.
Ao chegar no “segundo piso”, o local estava muito escuro, apenas com alguns poucos reflexos de luz. Vega fica em posição de rastejo e o ambiente era majoritariamente de metal. No suporte onde Vega estava deitado, havia uma fechadura que dava entrada para outra camada escondida do caminhão. Só que estava trancado. Vega verifica a fechadura pelo seu buraco, notando um formato de um “F”. O rapaz então improvisa uma chave mestra com um pedaço de seu osso produzido de sua mão, onde um fino corte é feito de forma de forma voluntária pelo seu próprio organismo e o pedaço rígido e fino de seu osso é delicadamente retirado, tendo sua pele novamente restaurada. O ossinho estava no formato que desejava. Vega enfia a chave, e ao girar, cai de imediato no chão do piso seguinte, assustando três mulheres que estavam infiltradas adentro. Uma mulher mais velha, uma adulta e uma pré-adolescente. A mais velha empunha uma arma enquanto a do meio acende uma lanterna:
[Menina]- Ai, minha Santa Mãe! Quem é esse aí?? - [pergunta assustada, na sua língua nativa].
[Mulher Velha] - Quem é você?? Que faz aqui?? É fugitivo?? – [aponta um facão com um semblante bravo, perguntando em língua nativa].
A mulher adulta abraça a menina para protegê-la enquanto Vega ergue as mãos para cima para sinalizar que era inofensivo.
[Mulher Velha] - Fala espanhol?? Tu fala espanhol??- [pergunta inquisitiva para o Transmorfo].
Vega não entende o que a mulher quer dizer e apenas acena negativamente para tentar apartar os ânimos, com um semblante assustado.
[Mulher Velha] - Sabe falar inglês? – [pergunta na língua inglesa].
[Vega]- Sim, eu falo inglês.... Quem são vocês...? -[confuso].
[Mulher Velha] - Eu é que pergunto...- [olha intrigada e brava para o rapaz].
Notando que Vega estava nu, a moça de idade intermediária das três, cobre os olhos da garota enquanto mantém distância do Transmorfo:
[Mulher Adulta] - Não olhe, Yara! É uma bunda, e uma bunda BRANCA ainda por cima... – [cara amarrada].
[Vega]- Olha, eu não sei o que está havendo, mas eu estou me escon...- [planeja em se levantar, com as mãos pra cima].
[Mulher Velha] - Não levante! Permaneça deitado! – [aponta o facão].
Vega volta à posição que estava, com as mãos para cima e com semblante de constrangimento.
[Vega]- [expressão de raiva] - Não sei se vocês perceberam, mas eu tô me escondendo AQUI...E eu preciso fechar a porta LOGO... – [fala em sussurros aflitos enquanto aponta para a entrada aberta, logo acima].
[Mulher Adulta] - Ah, jura?? E por que que você tá pelado!?...- [olhar censurador].
[Mulher Velha] - SHIU! Ouviu isso......? –[desconfiada].
Nesse momento, batidas na parede do veículo e gritarias dos policiais podiam ser escutadas em som que ecoava bem leve e distante, como se estivesse de fato longe do veículo, mas na verdade, estavam exatamente próximo dele. A senhora se aproxima de Vega como quem se movimenta como um ninja e sinaliza com o dedo indicador rente ao rosto do Transmorfo para sinalizar ordem de silêncio. Ultrajado e com um semblante constrangido, este apenas acena a cabeça positivamente.
Os policiais estavam tentando adentrar o caminhão de Cash. As mulheres percebem a invasão, e devagar, fecham a entrada do esconderijo. É quando, ao trancá-la, a garota se depara com o ossinho usado como chave por Vega:
[Yara]- O que é isso? – [olha para a “chave”].
[Vega]- Ah....É uma chave universal que eu...- [olha para o lado] -Encontrei...- [sorriso de canto sem graça].
A menina fica desconfiada e com um ar de estranheza ao olhar novamente o osso do rapaz.
[Yara]- Aonde você achou isso...? -[estranheza]- ...Tem um pedaço de carne nele, argh...! –[nojo].
Vega pega de volta a chave mestra improvisada antes que a garota fizesse mais perguntas. As outras duas mulheres olham desconfiadas:
[Mulher Adulta] - Pedaço de carne numa chave...?? Deixe eu ver isso...! - [tenta pegar o osso da mão de Vega, que recua o objeto para não ser confiscado, enquanto se cobre com a suas roupas].
[Vega]- Olha, isso aqui na verdade é um osso, é o meu osso, eu produzi e tirei de mim mesmo...- [aponta para si, com o objeto em sua mão].
As três mulheres disparam um olhar confuso e de desdém para Vega:
[Mulher Velha] - Você usou alguma droga? – [olhar desconfiado].
[Vega]- É sério...! Não tô mentindo...- [desapontamento e aborrecimento, enquanto fica sentado “de canto”].
[Mulher Adulta] - Deve ser maconha, Nélia...- [olha para a senhora].
[Vega]- Eu nem sei o que é isso, Dona...! – [semblante de aborrecimento].
[Nélia]- Chega de conversa fiada, as duas...! – [brava e impaciente] - Não estamos aqui pra isso.... - [olha sério para Vega] - Tem tiras lá fora no nosso couro, desse aí cuidamos depois... – [semblante sério].
Os policiais tentam incessantemente arrombar a entrada traseira do caminhão e várias batidas fortes e tiros são escutados. Os policiais começam a mudar os planos e a subir pela janela cujo vidro foi retirado, procurando por presença humana e pistas do crime em flagrante:
[Nélia]- SHIU, shiu...! - [a senhora silencia todos ali presentes].
Um silêncio devastador toma conta do esconderijo enquanto os policiais reviram, quebram e bagunçam toda a cabine do caminhão. Dois dos policiais arrebentam a porta de entrada que acessa a carga e vandalizam todas as caixas do caminhão. A Smart Rádio é completamente destruída. A tela de funcionalidades do monitor do motorista é freneticamente tocada por mãos gordurosas e alguns botões são afundados. As roupas do closet são jogadas por toda a parte, e algumas até são rasgadas. Vega silenciosamente pega seu revólver de sua mochila e o segura com as mãos levemente trêmulas. A senhora desliga a lanterna e todos ali procuram se fingir de mortos.
O Transmorfo ainda estava de posse do token que acionava todos os comandos do veículo de Cash, e os policiais reviraram tudo que podiam para detectar algum motorista ou fugitivo. No emaranhado de conversações entre eles, podia-se escutar lamentações, gritos e resmungos dos agentes. “CACETA, NÃO TEM NINGUÉM AQUI. LARGARAM O VEÍCULO E O DEIXARAM NO AUTOMÁTICO PRA ENGANAR A POLÍCIA...”, “ALGUÉM VIU A PLACA DO CAMINHÃO??”, “CHEFE, O VEÍCULO É DO MOTORISTA DA DRISCO COMPANY, FOI AQUI QUE RELATARAM QUE ELE VIROU PRESUNTO.”,” ACHEI VESTÍGIOS NO LIXO! O BONÉ TÁ AQUI! E TEM SANGUE QUE TALVEZ SEJA DELE MESMO!”.
Vega começa a fechar os olhos e a ficar levemente trêmulo. Nos seus pensamentos, se questionava como sua vida foi parar naquela situação horrível e o motivo pelo qual largou o conforto e a felicidade de seu lar para dar de bruços em um planeta estranho e hostil para procurar pela sua genitora desaparecida. Começou a lembrar de sua família e amigos. O arrependimento começou a bater na sua alma. O mesmo só desejava escapar daquele lugar e encontrar um refúgio para se hospedar. As vozes dos policiais eram pavorosamente estridentes.
“TEM UM MONTE DE GARRAFAS DE BEBIDA ALCÓOLICA NO PLÁSTICO E PEDAÇOS DA JANELA DO MOTORISTA. O BICHO PARECIA QUE TAVA DIRIGINDO MAMADO ANTES DE MORRER...”; “SERÁ QUE CARA DEU TOMÉ NO CASH E O EMBEBEDOU PRA MATAR ELE E ROUBAR O VEÍCULO??”; “É UMA POSSIBILIDADE...ALGUÉM AÍ ATRÁS ACHOU ALGUMA COISA NA CRAGA??”;” NADA, CHEFE! REVIRAMOS TUDO! SÓ TEM MERCADORIAS ALIMENTÍCIAS!”,” AÍ...CADÊ O TOKEN DESSA CARALHA?? ALGUÉM ACHOU??”;” NÃO ACHAMOS NADA! VASCULHAMOS TODAS AS CAIXAS. NADA DE SUSPEITO, NADA DE TOKEN! PARECE QUE O MELIANTE FUGIU COM O CONTROLE...!”; “NENHUM AÍ DE VOCÊS TEM UM TOKEN UNIVERSAL FORENSE AÍ NÃO??”; “QUEM TEM SÃO SÓ OS INVESTIGADORES E PERITOS...EU SÓ TROUXE ARMA E LANTERNA, CHEFE.”; “AÍ...TEM UM PEDAÇO DE “FOLHA” ENSANGUENTADA NESSA PORRA AQUI.......QUE MERDA É ESSA...??”; “ISSO AÍ PARECE PELE MORTA...”.
Os quatro fugitivos suavam frio na esperança de não serem encontrados. Cada minuto parecia uma eternidade e ambos os presentes apenas desejavam que os policiais desaparecessem. Durante a conversação, os policiais não conseguiram achar nada de útil além do saco de lixo e a Inteligência Artificial do veículo estaria prestes a dar o aviso de partida, já que o robô deduz que a vistoria policial terminaria em meia hora. Quando tudo parecia es estabilizar, um dos policiais se agacha e coloca as mãos e os ouvidos para tentar escutar o que havia embaixo do piso de onde estavam as cargas do caminhão. A bagunça era tão grande que sequer dava para ver a entrada por onde Vega se escondeu.
O transmorfo escuta a respiração do policial e sua pupila começa a dilatar. Vega segura a arma com firmeza e estava pronto para atirar em quem quer que invadisse o local de onde se escondera. Mas quando o agente estava para prestar atenção ao som, por Deus, o outro colega o chama: “HEY, RAPAZEADA! VAMOS DAR UM FORA DAQUI E DECIDIR O QUE FAZER COM O CAMINHÃO! O PRAZO DE REVISTORIA VAI ACABAR!”
Vega respira aliviado. O policial pensa não ser nada e sai do corpo do caminhão para a cabine e desce pela janela do motorista. Os 06 agentes se reúnem e tentam decidir como interceptar o veículo cujo token estava desaparecido. Ao saírem do caminhão de fato, Vega e as três mulheres lentamente vão até à parede do esconderijo, à passos de algodão, e tentam escutar a conversa entre os agentes e o momento em que eles fosse embora para suas respectivas viaturas. Os 04, em fila. Um peladão assassino com cara de boneca segurando seus pertences contra suas partes íntimas e três ladys colombianas perdidas no deserto, com seus ouvidos suavemente encostados à estrutura metálica e gelada do pujante caminhão, já mais não tão luxuoso como antes, devido à sua vandalização.
“O RELATÓRIO É O SEGUINTE: SEM O TOKEN, NÓS NÃO VAMOS CONSEGUIR ACESSAR O CAMINHÃO, NEM MUDAR A AÇÃO DO ROBÔ QUE CONTROLA O PILOTO AUTOMÁTICO. O VIADO TRAVOU O VEÍCULO E SAIU PELA TANGENTE.”; “VALE À PENA BOTAR UM RASTREADOR NO CAMINHÃO E ACIONAR OS PERITOS?”; “EU ACHO VÁLIDO...VAMOS PRECISAR SABER AONDE ESSA GERINGONÇA VAI..ENQUANTO ISSO, VAMOS PROCURAR PELO ASSASSINO”; “PEGARAM O SACO PRETO??”; “PEGAMOS, CHEFE!”; “ÓTIMO, ENVIEM O ALERTA GLOBAL COM O NÚMERO DA PLACA DO CAMINHÃO, COLOQUEM O RASTREADOR E LEVEM O SACO PRETO PARA A PERÍCIA, PRECISAMOS FAZER ISSO ANTES QUE O VAGABUNDO TENHA ACIONADO O MODO DESENVOLVEDOR DO TOKEN”; “À ESSA ALTURA DO CAMPEONATO? DUVIDO QUE ESSE SUSPEITO SAIBA O QUE É O MODO DESENVOLVEDOR”; “AÍ, PESSOAL....TIREI ALGUMAS FOTOS DO CAMINHÃO, VOU MANDAR PRO APLICATIVO PRA RASTREIO”; “ÓTIMO, VAMOS DAR O PÉ DAQUI. E NÃO SE ESQUEÇAM DE LIMPAR AS MÃOS!”.
Os quatro fugitivos continuam a expiar os agentes e esperar o momento certo de cortar o protocolo. Os olhos de Vega não piscavam. A mulher velha suava. As outras duas mulheres tinham palpitações. Um dos agentes policiais coloca um rastreador embaixo do caminhão enquanto todos vão embora em direção às respectivas viaturas. O rastreador piscava enquanto um aplicativo multifuncional interceptava os dados do veículo rastreado e compartilhava em vários pontos do planeta. O policial que implantou o prêmio, ficou alguns segundos embaixo da traseira do caminhão olhando para o nada, imaginando se poderia haver algo a mais que pudesse ser achado. O veículo era muito forte. De uma resistência ímpar. Os materiais que os tiras dispunham não eram suficientes para causar impacto no caminhão. A não ser uma última chance que tiraria a paz dos enclausurados:
“HEY, PESSOAL! AINDA TÊM DAQUELES EXPLOSIVOS?? EU ACHO QUE NÃO OLHAMOS TUDO AINDA!......PODEMOS EXPLODIR A TRASEIRA DAQUELE CAMINHÃO...”. O homem sai correndo em direção aos colegas enquanto Vega volta a morder o punho, com medo de ser descoberto:
[Vega]- E agora...?? – [olha assustado para uma das mulheres].
[Yara]- Como é que a gente sai daqui, Pâmela...?? – [olhar de aflição].
[Pâmela]- .... Eu não sei.... - [olhar apavorado] - Nélia.... - [olha com medo para a senhora, que não consegue dizer uma palavra].
Alguns segundo se passam. Vega olha para os lados, raciocina por um breve período de tempo e tentar acalmar as mulheres.
[Vega]- Olhem, pelo eu dei uma boa lida no manual do caminhão dentro do porta-luvas, e pelo que eu verifiquei, ele é à prova de explosivos e é altamente blindado...- [olhar preocupado].
[Nélia]- Bom.... - [engole seco e olhar entreaberto] - Depende de que explosivo esse manual está se referindo e AONDE essa bomba vai ser jogada.... - [olha séria e apreensiva para Vega].
[Vega]- Se ficarmos aqui, não corre risco de nos machucar. O ideal é continuarmos aonde estamos até eles partirem...
As mulheres olham para Vega, parecendo concordarem de forma tácita com o plano, logo em seguida, Pâmela consola Yara e olha para Nélia que parece aflita.
[Vega]- Sei que isso parece inoportuno, mas.... Ainda não paramos pra nos apresentar. O meu nome é Vega.... – [sorri levemente de forma hospitaleira].
[Nélia]- Bem estranho...E o meu nome é Nélia.... – [cumprimenta Vega com um aperto de mão, mantendo um olhar sério e desconfiado].
[Vega]- Prazer, Nélia...- [retribui o cumprimento].
[Nélia]- Essas aqui são a Yara, a mais nova, e a Pâmela, a do meio – [estende o braço para mostrar as outras duas amigas].
Ambas as duas, já colegas de Vega, o cumprimenta suavemente dando “tchauzinho” com as mãos:
[Yara]- Oi...- [sorriso tímido].
[Pâmela]- Oi...- [nervosa e com sorriso de canto].
Vega olha para as moças com a mesma hospitalidade:
[Vega]- Prazer em conhecê-las...- [sorriso sereno].
[Pâmela]- Prazer em conhecê-lo também...- [sorri de forma desarmada e genuína].
Yara também começa a sorri mais confiante e serena, olhando para Vega e o admirando cada vez mais.
[Nélia]- Desculpa cortar o clima, mas... Você não tem nenhuma roupa pra vestir...? – [olha para Vega, que, em silêncio, olha para o lado com um semblante de “E agora, o que eu falo?”.
-----------------SONS DE BATIDAS NA TRASEIRA----------------
Os quatro entram em estado de alerta e olham para cima com ansiedade em direção da saída do veículo. Ambos se agrupam e ficam juntos, de mãos dadas, esperando que a explosão seja inútil contra a porta. Os agentes instalam vários detonadores em formato circular e com pequenas “unhas” que grudam nas paredes do pobre caminhão que estava para ser explodido. Eram pequenos, mas faziam um belo estrago. Estes, foram espalhados de cima e embaixo da traseira, até na extremidade de onde ficava a parede do bem escondido esconderijo. Os detonadores são acionados, e luzes violetas começam a progressivamente piscar com cada vez mais frequência antes de estourar. Os quatro reféns apertam as mãos uns dos outros e fecham os olhos. Vega com os pertences na frente de seu ventre e as mãos seguradas por Pâmela e Nélia, sentado em forma de um “W”, enquanto Yara abraça Pâmela e pega uma das mãos de Nélia. Todos com respirações pesadas.
----------D E T O N A D O R E S E S T O U R A N D O----------
A explosão causada pelos detonadores provoca um sacolejo no caminhão, que o levanta em 45º e o projeta para frente. Os quatro fugitivos vão parar no outro lado do veículo de encontro com uma fina porta de metal. Vega desliza quase dando cambalhotas ao contrário e se perde de seus pertences. O facão de Nélia sai deslizando pelo chão. Nélia cai em cima de Yara, com suas grandes saias estiradas da metade do seu corpo para cima, deixando suas roupas íntimas à mostra, Yara, é prensada como um salame contra a parede por Nélia e “come” alguns fios de cabelos brancos da senhora. Vega e Pâmela se colidem entre si enquanto a mulher cai sentada com suas costas contra a parede e o rapaz, em posição oposta, fica com seu quadril e glúteo bem rente ao rosto da moça, com seus braços estirados ao chão, similar à posição “Hélice do Amor”. O caminhão cai de volta ao asfalto, trincando-o com o enorme barulho de sua queda e peso. Por sorte, o veículo continuou intacto.
Um pouco de poeira pedaços de papéis aleatórios. Os 04 felizardos estavam em posições desconfortáveis e alguns hematomas em decorrência do sacolejo. Pâmela estava descabelada e com suas costas destruídas, Yara, estava com cara de tacho depois de ser espremida e Nélia completamente “esbagaçada”, mal sabendo onde encontrar a extremidade de suas saias.
[Pâmela]- Argh....Minhas costas.... - [expressão de dor e agonia].
A moça, dolorida e sentada em 90º contra a parede do caminhão, percebe logo à frente de seu queixo, mais um resultado da explosão que lhe rendeu dores das costas:
[Pâmela]- Ah, que ótimo.... Agora tem uma BUNDA na minha cara.... - [expressão de agonia e dor].
[Vega]- Ah, desculpe...Já estou saindo...- [sai quase deslizando].
Vega trata logo de tirar seu quadril contra o peito de Pâmela e, engatinhando, ir atrás de seus pertences para procurar algo para vestir. Já a mulher, expressa uma legítima e genuína cara de bunda. Nélia se levanta desorientada entre suas saias e se ajeita com uma única braçada em suas vestimentas. Yara fica completamente dolorida, só que ao contrário de Pâmela, sua face e a parte frontal de seu corpo foram os mais afetados pela colisão. Enquanto Vega se veste, as mulheres tentam recuperar a dignidade que perderam.
[Nélia]- Finalmente alguém vestiu uma roupa por aqui...- [referindo-se à Vega, olhando com cara de tacho].
[Pâmela]- .... Milagre...- [feição de agonia].
Após a tentativa frustrada de arrombamento do caminhão para descobrir algo escondido que não fora detectado, os agentes policiais desfrutam em silêncio o sentimento de desilusão por alguns minutos:
“Porra, aspira!.... É pra isso que tu fez a gente gastar todas as bombas, caralho??”
Discussão e xingamentos sucessivos se inicia entre os colegas, o que provoca um alvoroço entre eles. Pareciam periquitos em Happy Hour depois das 18h da tarde. Uma verdadeira salada de vozes sobrepondo umas às outras. O tom já não era mais de valentia e confiança como antes, mas de choradeira coletiva.
“CARALHO, 15 minutos?? Foi isso que a gente gastou?? Podia ter só rastreado a porra do caminhão e pegado um token universal depois! Agora nem detonadores temos mais!”; “Porra, larga de viadagem, e se tiver alguém escondido no caminhão, hein?? Vai fazer o quê?? Vai deixar eles fugirem?? Até pegar essa bosta eles já vazaram! Tu acha que o caminhão precisa de motorista, porra??”; “Que escondido um cacete, não tinha ninguém lá dentro não, ôh animal!”; “E comé que você sabe, oh, guelão do caralho?! Usou RAIO-X?? Só sabe reclamar e não faz o serviço direito!”; “SERVIÇO DIREITO?? Tu gastou TODOS os detonadores que tínhamos só pra achar UM MOLEQUE, cara! UM, caralho! Tu faz a investigação TODA ERRADA e EU é que não faço o serviço direito?!”; “Se tivesse obedecido as minhas ordens, nós acharíamos esse homicida SEM GASTAR AS BOMBAS!”; “Pô, qual é, chefe, peraí! Peraí, caralho...! Daonde o Senhor tem tanta certeza de que ia pegar o suspeito??” - [ergue os braços horizontalmente]; “ACORDA, cara, pra quê que você acha que existe câmera de segurança pra TUDO quanto é lado??” – [gira a cabeça].
A discussão continua. Enquanto os agentes se distraem brigando entre si, os fugitivos tentam se recuperar do baque. O caminhão, apesar de estar relativamente longe dos policiais, Vega ainda podia escutá-los. O rastreador, ainda estava intacto e operante. O robô automático finalmente anuncia a finalização da revista policial e parte em retirada pela estrada novamente, mesmo tendo sofrido danos.
“OW, CARALHO! O CAMINHÃO TÁ INDO EMBORA, PORRA! CORRE, PORRA, CORRE!”. Os policiais tentam desesperadamente correr atrás do veículo, que agora estava sob os mandos de uma sofisticada Inteligência Artificial. Mas apesar de sofisticada, atropelou algumas viaturas que estavam à frente, causando danos leves nos carros dos agentes policiais.
---------------B A R U L H O D E C O L I S Ã O------------
Os agentes colocam as mãos atrás da cabeça, não acreditando no que estava acontecendo. Ficaram para trás, perplexos, desaparecendo do mapa aos poucos à medida em que o veículo. Para o alívio de todos os envolvidos que estavam no esconderijo. Vega, Yara, Pâmela e Nélia, respiram aliviados. A senhora, ergue as mãos para cima, agradecendo aos Céus pela escapatória sãos e salvos.
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Ainda sentados depois de alguns segundos de desafogo pelo apuro que passaram, os 04 finalmente podem aproveitar a deixa para respirar e planejar uma nova fuga.
[Nélia]- Acho que eu nunca fiquei tão aliviada em toda minha vida...- [respiração ofegante].
[Pâmela]- Nem eu.... - [olha para Vega].
[Vega]- Nem me fale.... - [devolve o olhar para Pâmela].
[Pâmela]- Yara...? – [olha para o fundo].
Yara ainda se recuperava da prensa que havia tomado da gravidade gerada pela explosão da saída do caminhão, bem representado pelo peso de Nélia, que por sorte, não era pesada. Sua cara de tacho demonstra bem uma resposta.
[Yara]- vou ficar bem.... –[aflita].
[Nélia]- Quer um remédio pra dor, querida? –[preocupada].
[Yara]- Vou aceitar...- [feição de agonia].
[Vega]- Me perdoe a pergunta, mas...Está com cólica...?
[Yara]- Estou...Como você sabe? –[curiosa].
[Vega]- É mais uma das habilidades estranhas que eu tenho...E de longe eu percebi seus órgãos se contraindo....
Pâmela começa a ficar impaciente com o mistério das habilidades do colega e cruza os braços enquanto olha para ele:
[Pâmela]- Tá legal, agora você vai me explicar melhor que história é essa de sentir os órgãos de outra pessoa e tirar ossos do próprio corpo, ANTES que eu pense que estamos diante de um louco...
[Vega]- Eu não sei como explicar isso pra você, ok...?! –[impaciente]- Eu posso sentir o nível emocional ou a temperatura de alguém, mudar a cor do meu cabelo, olhos, pele...Aumentar ou diminuir minha temperatura, mudar minha altura, me transformar... – [olha para Pâmela].
Nélia, logo atrás, responde o Transmorfo enquanto medica Yara das dores físicas, junto a uma garrafa térmica d’água:
[Nélia]- Então...Se você faz tudo isso...- [olha para o rapaz com desconfiança] - Prove...
Vega imediatamente muda seu corpo por inteiro, por milésimos de segundo, voltando parcialmente à sua forma original. Sua tez fica escurecida, seus olhos, esverdeados, e seus cabelos e sobrancelha, bem escuros. Vega também acrescenta mais 05 centímetros de sua altura e deixa a massa de seu corpo proporcional à sua nova altura.
[Nélia]- Santa Mãe de Deus...! – [cai para trás, assustada e com a mão no peito].
[Pâmela]- Ok, agora eu fiquei com medo......- [olhos arregalados, mas os braços cruzados].
[Yara]- Ele é um anjo......- [espantada com a transformação].
[Nélia]- Anjo...??? – [olha para Yara] - Isso é um Alien...! – [olha com estranheza para Vega enquanto aponta para ele].
[Vega]- Estão convencidas agora...? – [olhar de tédio e ironia].
[Pâmela]- Eu acho que vou ter pesadelos.... - [ainda espantada].
[Menina]- Como que você consegue tirar um osso da sua pele? – [confusa e curiosa].
Vega sorri sem graça ao pensar no que explicar à menina e se senta em posição de pernas cruzadas, colocando sua mochila e seus pertences junto a seu ventre. As outras três, ficam em círculo próximas de Vega:
[Vega]- [olha para baixo enquanto se ajeita] - Olha...Eu faço isso de forma muito automática, não sei muito bem explicar a você...- [direciona à menina] - Mas eu faço muitas coisas que outras pessoas não conseguem.... - [olhar sereno].
[Yara]- Consegue virar outra pessoa...? – [diz, curiosa e admirada].
[Vega]- Sim, consigo...- [sorri para a menina].
[Pâmela]- Você não parece ser daqui...- [olhar de estranhamento].
[Vega]- Éh, eu realmente não sou daqui...Vim de...- [olhar lúdico] - Um lugar bem distante...- [olhar de espanto e sorriso de canto com balançar de cabeça.]
[Nélia]- Dá onde...? – [curiosa e com olhar de estranhamento].
[Vega] – [olhar de vergonha e receio] - Vocês vão achar piada o que eu vou dizer... – [mão atrás da cabeça].
[Nélia]- Fala...! De estranho nós já vimos o bastante agora, e ainda estou tentando processar o que estou vendo...- [olha Vega de cima em baixo].
[Vega]- [Riso leve] -...Ok, então... - [sorriso leve] - Eu nasci em uma Órbita diversa daqui. Nós a chamamos de BIOTH, na minha língua natal, claro. Tudo o que vocês conhecem aqui é muito diferente por lá. Em BIOTH, eu nasci em uma Ilha-País chamada Vandora. É de lá que vim parar aqui...
[Nélia]- E por que veio de tão longe no espaço? –[estranhamento].
[Vega]- Uma pessoa próxima de mim sumiu há alguns anos na idade de BIOTH. Tirei o visto de Turismo Irrestrito equivalente a 10 anos para poder viajar e procurar por essa pessoa. O que equivale a... - [olhar para o canto superior] - Um pouco mais de 200 anos aqui...- [sorriso leve de pamonha].
As três mulheres, sem dizerem uma única palavra, somente acenavam lentamente com suas cabeças com uma breve feição de paisagem para sinalizar que estavam bastante cientes da origem de Vega. O rapaz saca em sua mochila, sua carteira de registro de sua identificação de seu País, mostrando para as colegas sobre a veracidade do que diz.
[Vega]- ...Tomem...Podem ler...Este aqui é oficial.
Nélia apanha o documento e as três olham perplexas para algo que jamais terão outra oportunidade de ter contato novamente em suas breves vidas.
[Pâmela]- Acho que agora eu tô entendendo isso aqui...- [aponta para o documento].
[Nélia]- O quê?
[Pâmela]- Eu ouvi falar de um grupo de pessoas que chegaram aqui nos EUA há um bom tempo. Eles são chamados de “SH’s”. Super-Humanos, no caso, não éh? – [aponta para Vega].
[Vega]- Sim, claro, inclusive todos eles vieram de lá...São os expulsos...- [olhar sereno].
[Nélia].... Tá de brincadeira.... - [olhar de perplexo].
[Vega]- Verdade...
[Pâmela]- Não foi o que eu ouvi na televisão.... -[espantada]- Eles vivem dizendo que esses grupos são de pessoas criadas em laboratório pelo Governo.... - [ergue o antebraço para cima, com a mão para frente].
[Nélia] – Passaram ANOS falando isso...- [estala os dedos várias vezes] - Muito antes da Yara nascer, – [aponta para a menina] - eu já escutava isso pela televisão DIVERSAS vezes...- [olha para Vega].
[Vega]- Então eles estão mentindo feio pra vocês, porque essas pessoas não são daqui e nunca foram... - [olhar desconfiado]. Aliás – [aponta para o documento] - isso aqui eu levei escondido comigo, e meu visto de Turismo, foi uma brecha legal que eu encontrei pra sair de lá...Senão eu sequer poderia vir pra cá... – [olhar tenso].
[Yara]- Agora o pior vai ser pra ir embora daqui.... - [olhar tenso].
As mulheres se entreolham com estranhamento e começam a mostrar um sentimento de divisão dentro de si.
[Pâmela]- Agora eu nem sei mais no que acreditar...- [olhar sério].
[Nélia]- Já fazia um tempo que eu desliguei a TV de casa e ninguém na minha família assistia mais esse canal podre... Mas agora, - [olha para Pâmela] - eu tenho vontade é jogar a TV pela janela...
[Pâmela]- Mas a propósito...E lá não tinha outros países pra expulsar não...?? Ou outros planetas? – [cara amarrada].
[Vega]- Tinha vários, mas nenhum queria aceitar os páreas...Achei muito estranho também... Mas não pude fazer nada... - [olhar de decepção].
[Pâmela]- Estranho mesmo......Expulsar do planeta...? – [olhar de desconfiança].
[Vega]- É algo que vou demorar um pouco pra entender... – [a senhora lhe entrega de volta o documento].
[Yara]- E você veio de qual nave? – [de olhos arregalados, curiosa] - Ele era um disco voador??
[Vega] – [riso leve] - Bem diferente disso...Era bem mais complexo...
[Nélia]- E como é que a mídia nunca passou isso na TV...?? – [olha pasma para Pâmela] - Os aviões de hoje são mais silenciosos, mas poxa, ninguém viu uma nave estacionando? Ninguém filmou?? – [movimentar da mão para frente e para trás, com a mão no queixo].
[Vega]- E nem tem como...A nave tem material que engana a visão humana e é completamente silenciosa. Ela só estaciona em regiões que não são localizadas no mapa ou nos eletrônicos.
[Nélia]- Mas se você já tem visto de “Turismo” ...Por que teve que se esconder aqui...? – [olhar sério].
Vega lança um olhar para baixo e um semblante de decepção e vergonha.
[Vega]- Eu tive problemas com um motorista alterado que queria me estuprar em troca do pagamento de carona.... - [olhar triste].
As mulheres ficam chocadas com a declaração de Vega.
[Vega]- Ele passou a viagem inteira tentando tirar informações privadas de mim e me azarar de forma sexualmente indevida...- [olha para as moças com um semblante de culpa].
[Pâmela] – Meu Deus.... –[choque].
[Nélia]- Ué, então...Era você quem tava com o motorista lá em cima?? – [aponta horizontalmente o polegar].
[Vega]...Era...- [acena afirmativamente].
[Pâmela]- Eu escutei alguns gritos vindos de lá e uns dois tiros também.... Eu já não gostava muito do cara quando o vi... – [a mulher e a senhora se entreolham].
[Nélia]- E o que você fez...? – [feição de espanto].
[Vega] - Acabei que...- [engole seco] -...Eu dei um soco nele...- [olhar triste, direcionado para o punho fechado] - Só que o murro que eu dei nele acabou quebrando o vidro extra blindado do motorista.......-[decepção]- O resto acho que não vou precisar descrever.... - [lábios travados de vergonha].
[Yara]- Nossa......Que tenso, moço.... - [olhar sem graça].
Nélia e Pâmela ficam chocadas com o relato de Vega, e preferem não tecerem qualquer comentário de julgamento sobre o então colega.
[Pâmela]- Acho que foi por isso que escutei um barulho de alguma coisa pesada sendo jogada na rua......Achei que era ele que tinha matado alguém. Nem posso falar nada porque eu também não sou muito... – [engole seco] - Certinha.... - [misto de vergonha, espanto e choque, de braços cruzados].
[Nélia]...Éh....Nem eu...- [limpa as mãos de poeira e exibe semblante de espanto e de conformismo].
..................Alguns segundos depois................
[Vega]- Mas...E vocês? De onde vocês são...? – [sorriso tímido].
Pâmela sorri genuinamente para Vega:
[Pâmela]- Nós três nascemos na Colômbia, um país do extremo norte da América do Sul... Nos perdemos de nossos parentes a agora nós adotamos umas às outras...Viemos aqui de forma irregular também...- [sorriso simpático].
As outras duas mulheres compartilham da mesma simpatia que Pâmela.
[Vega]- Vieram em busca de quê...? – [pergunta curioso].
[Pâmela]- Ssss...- [contração dos lábios para as extremidades] - Nós viemos...- [feição de dúvida] - Em busca de uma vida melhor, de um trabalho com um salário melhor, de um lugar ao sol, sabe...- [olha para Vega, sinalizando positivamente com a cabeça] - Lá onde a gente morava tá muito difícil de se viver...
[Vega]- Eu entendo... [olhar de compreensão].
Nélia nota que Vega estava apenas com uma espécie de short meia coxa vermelho púrpura, e que as outras que estavam fora de sua mochila tinha marcas de “sujeira”.
[Nélia]- Acho que agora eu entendi o motivo de ter ficado nu...- [olha para Vega, com um olhar de confiança] - Você não tem uma roupa íntima, não é?
[Vega]- A que eu tenho está “contaminada” – [sorriso de canto].
Nélia balança a cabeça positivamente e contorce suas feições de surpresa. A senhora de longos cabelos brancos já entendera as motivações de Vega e seu drama pessoal. Esta pega a sua bolsa de couro de gado e lhe oferece algo:
[Nélia]- Use isso...- [entrega a ele] - É unissex...Dá pra comprar em qualquer feira por um bom preço e uma qualidade muito boa...- [olha para Vega séria e confiante].
O rapaz olha para a roupa íntima preta e a textura lhe agrada.
[Nélia]- É feita de nanotecnologia...Você pode esticá-la e comprimi-la do jeito que quiser. - [gesticula com as mãos fechadas, para frente e para trás] - E ela restaura sozinha se algo furar ou arranhar...- [sorri amistosamente para ele].
[Vega]- Obrigado, Nélia...- [sorriso genuíno].
O rapaz olha para trás e percebe no canto, um pequeno, mas útil banheiro para desarrochar a bexiga e se trocar. Este, volta a olhar para Nélia.
[Vega]- Eu vou me trocar... [aponta o polegar para trás].
Nélia devolve um sorriso amistoso para Vega. Nesse momento, ambos os colegas que dividem o mesmo esconderijo percebem que estão seguras entre elas...O aconchego e o alívio tomam conta daquele pequeno e escuro lugar. Os olhos de Yara, brilhavam cada vez mais para Vega. Ao vestir a peça, Vega gosta muito do que vê e se sente bastante confortável com o presente de sua colega.
=============>>> 10h00 DA MANHÃ. SOL QUENTE. NOVO PLANO DE FUGA. 90 KM POR HORA.
Sentados, os 04 começam a pensar numa rota de fuga do caminhão sem serem descobertos.
[Pâmela]- Será que vai ter outra blitz na frente? – [braços cruzados].
[Vega]- Eu realmente espero que não. Melhor eu ir lá em cima ficar de vigia e arrumar um jeito de colocar o caminhão em um ponto mais próximo por 05 minutos...
[Nélia]- Você tem o token? – [olha para Vega].
[Vega]- Tenho... – [saca o objeto de sua mochila e o exibe] – Quando eu voltar aqui embaixo, vou entregar a vocês esse token com o manual que está aqui na minha mochila. Para ativar o “Modo Desenvolvedor”, vocês precisam obedecer a uma série de comandos que o livro oriente que façam para terem controle TOTAL do caminhão. Entenderam? – [olha para as três mulheres sucessivamente, com seriedade].
Todas balançam a cabeça ao mesmo tempo e depositam confiança em Vega, que eram suas únicas chances de escaparem.
[Vega]- Não se preocupem, eu não vou a lugar algum sem entregar esse token a vocês. Podem ficar despreocupadas. Vou gerenciar alguns controles do veículo com ele pra livrá-lo de ser rastreado.
Todas as mulheres voltam a se tranquilizar com a dívida de Vega e o mesmo entrega já de mão, o manual de instruções sobre o uso e as funcionalidades do veículo e de seus acessórios para Nélia, que o agradece de forma tácita. Vega pega suas roupas e sapato, os ajeita, guarda-os em sua mochila rosa, e sai do esconderijo de onde as mulheres estavam. Cooperar juntos, era a única esperança para as três viajantes irregulares saírem ilesas. Ainda haveria muita estrada pela frente.
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