---NASCIMENTO DE VEGA. ANO 70.093.17º MÊS. 7º DIA.16H68 DA MANHÃ. BIOTH----
As luzes se acendem e se apagam suavemente do recinto. Não há como distinguir se era um pedaço de um sonho ou da realidade. Tonalidades de verde com pontos estrelados em meio a um vácuo espacial se misturavam em seus olhos. Por muito tempo, ela imaginou que estaria navegando em meio a um vazio escuro, com somente uma singela iluminação clara acima de sua cabeça. Tudo o que podia escutar, era um eterno som ambiente do espaço onde permanecia encolhida e adormecida. Por muito tempo dormia, pois sua realidade se resumia a um sonho interminável, estático. As estrelas do vazio brilhavam com intensidades diferentes à medida que a luz acima de sua cabeça diminuía ou aumentava. O mesmo ritmo era mantido até o momento em que um celular em cima de uma pequena mesa provoca a quebra de um ciclo.
--------------SOM DE LONGAS VIBRAÇÕES-----------
O recinto estava escuro, fechado, privilegiado apenas por umas poucas iluminações meio azuis e esverdeadas que faziam parte do design daquele interior. As mesas, as paredes, algumas lâmpadas, algumas estruturas feitas de tela infinita e o piso escuro, com fileiras de pequenos espaçamentos iluminados entre um espaço e o outro. Nas telas infinitas, a representação da escuridão espacial e sua imensidão de estrelas brilhantes. No fundo do sofisticado recinto, estava preso a uma estrutura de aço maciça, um enorme vácuo cilíndrico de vidro reforçado composto por um líquido amniótico produzido artificialmente. Dentro do espaço cilíndrico, havia uma estrutura metálica acima dele, composto por uma lâmpada dinâmica na qual podia ser projetadas várias cores, de diversas tonalidades.
Enquanto o aparelho telefônico não parava de vibrar, ela só queria saber a origem do incômodo barulho. Não vinha de nenhum lugar daquele profundo e vazio espaço estrelado onde residia em seu mais profundo sono. Pela primeira vez, levantou suavemente a sua cabeça e começou a observar de um lado para o outro, a fim de identificar de onde vinham as longas vibrações. Apesar de em posição fetal, e parecer estar com frio, Vega se incomodava com aquelas vibrações, pois de nenhum lugar vinha aquele estranho som. O barulho a perturbava, mas não sabia como sair do transe. As vibrações do telefone celular permaneciam ao passo que Vega começava a estender seus braços e virava-se intranquilamente para os lados. Seus olhos ainda permaneciam fechados e seu corpo agitado em meio ao líquido amniótico. Vega se mexia tentando identificar a origem do incômodo barulho, até que o aparelho que estava em cima da mesa, logo à sua diagonal, cai ao chão, emitindo um som mais estridente do choque entre o objeto de tela transparente e o piso escuro e brilhante.
--------------BARULHO DE UM FORTE ESTALO-------------
Vega abre os olhos. Sua mão toca bruscamente a parede de vidro cilíndrica logo à sua frente. Ela percebe que estava com uma máscara de oxigênio presa em seu rosto e um estranho tubo, que mais parecia um longo e fino pedaço de partes carnosas e composta de pele viva, presa ao seu umbigo por pequeninos tentáculos finos grudados à sua pele. O tubo se estendia até a uma pequena entrada para a estrutura metálica na qual havia um espaço dedicado à reserva de nutrientes essenciais. O ambiente estava escuro e com poucas iluminações azuis-esverdeadas. Vega começa a se mostrar mais agitada quando percebe que não estava dentro de um sonho, mas sim, de um recinto. O aparelho telefônico continua a vibrar em alta intensidade. Vega, já agoniada por se ver enclausurada no vácuo cilíndrico, arranca fora sua máscara de oxigênio junto com o o tubo anexado a seu umbigo e explode a parede de vidro blindada com um único golpe de mão fechada.
[FORTE SOM DE ESTOURO]
O barulho ecoa por todo o laboratório e atrai a atenção de dois observadores em regime de plantão, que estavam na copeira preparando uma refeição:
[Otis Foyer]: ...O que foi isso?-[aponta para a porta].
[Sawari]- [pensa por alguns segundos quando volta para si]- Isso veio do quarto...!O quarto da menina....!-[mostra-se alerta e assustada].
Os dois colegas começam a se apressar para ir em direção à origem do barulho.
[Otis Foyer]- Rápido, pegue as armas...-[abre o armário e saca duas munições, jogando uma para Sawari].
Sawari joga uma das armas para seu colega e os dois colocam rastreadores em seus rostos, partindo logo em retirada da copeira para o quarto de onde veio o som. Ambos correm apressados.
[Sawari]- Será que é outra invasão?-[ofegante].
[Otis Foyer]- Espero que não, mas temo que podem ter entrado no quarto...!-[apreensivo].
[Sawari]- Ah, não...Tudo menos isso!-[nervosa].
Os dois ficam cada vez mais próximos do quarto de onde se hospedava Vega. O desespero deles aumentam a cada segundo que se aproximam do recinto, apertando ainda mais os seus passos.
[Sawari]- Só espero que não tenho raptado a...!-[porta elétrica metálica se abre].
Os dois cientistas adentram o recinto ofegantes de ansiedade quando se deparam com Vega nua, sentada em uma suave posição "de canto", rente ao que restou do vidro cilíndrico estilhaçado em quase sua totalidade, enquanto todo o líquido amniótico havia derramado ao chão. Alguns poucos pedaços intactos ainda estavam presos à estrutura de aço. Os dois respiram aliviados por descobrirem que a origem de tamanho barulho, não era de uma invasão. Ambos notam que o celular de Foyer estava caído ao chão e não parava de receber notificações.
Ao aumentar a intensidade da luz de onde estava Vega, Otis retira seus óculos incrédulo e o dispensa em uma mesa, não conseguindo conter seu sorriso diante do que acabara de ver. Deslumbrada, Sawari deixa cair a sua arma e coloca suas duas mãos em sua boca quando se depara com Vega.
Vega observa de forma ingênua o ambiente à sua volta. Seus belos e olhos verdes amendoados contrastavam com a iluminação sobre seu delicado e simétrico rosto hexagonal. De tonalidade levemente escura e de abundantes e sedosos cabelos curtos e pretos, seu corpo parecia emanar brilho de tão vivas que eram suas cores. Seus lábios perfeitamente ovalados e sem divisória envoltos em sua boca, lhe dava uma forma ainda mais especial em seu rosto. O lábio superior, era suavemente curvilíneo, enquanto o inferior, um pouco menor que o superior. Sua boca, parecia formar uma pequena "ondinha". Seu queixo, suavemente quadrado. Seu nariz, desenhado por mãos divinas, e sua ponta, levemente empinada. Até os seus finíssimos cílios pareciam delicadas penas enfileiradas em "três andares".
Vega tinha o formato de seu corpo simetricamente arredondado nos mínimos detalhes. De curvas finas e elegantes, parecia uma linda boneca. Até as mãos e os pés eram delicados. Suas unhas pareciam vidros espelhados em tom rosê. Tudo fora milimetricamente calculado para dar à Vega toda a beleza necessária para sua criação. Enquanto a moça observava o mundo pela primeira vez, os dois pesquisadores ficavam embasbacados com a sua presença.
Os dois cientistas se aproximam de Vega cada vez mais encantados com moça, e à medida em que ficavam mais próximos à ela, eram notados por ela como quem são notados por uma criança. Aliviados, ambos dispensam seus pertences e ficam fascinados com sua tamanha beleza e doçura no olhar inocente de sua nova filha:
[Sawari]- Meu Deus, como você é linda...! Olha, Otis...-[se agacha, fascinada]- Oiii, meu amooor...!-[sorriso de derretimento].
[Otis Foyer]- Vega...Minha querida. Meu anjinho...-[sorriso genuíno enquanto fica ajoelhado para falar com a filha].
[Sawari]- Bem vinda ao mundo, minha Boneca....-[encantada].
Vega não sabia interpretar o que seus pais estavam dizendo, mas entendia o que eram aqueles sorrisos destinados para ela. Dessa forma, a moça exibe seu primeiro pequeno sorriso em sua face como retribuição pela ternura, para a alegria de seus criadores:
[Sawari]- Ai...! Que coisa mais FOFA....!-[encantada].
[Otis Foyer]- É a menina mais adorável que já vi na minha vida...-[sorri tolamente para Vega].
[Sawari]- Você é muito linda, Vega...-[sorriso genuíno].
Vega sorri timidamente para Otis e Sawari e, lentamente, estende uma de suas mãos para para se conectar com seus pais. Otis delicadamente coloca os dedos de sua mão nos de Vega e as duas mãos se grudam uma à outra. Otis sente a temperatura da mão de Vega ligeiramente maior. Pela primeira vez, a moça passou a se sentir em casa. Os pesquisadores se sentam ao piso e, relaxados, se encaram sorridentes e felizes um para o outro.
[Sawari]- Você criou ela com tanto carinho, Otis...-[diz orgulhosa].
[Otis Foyer]- Não sabe o trabalho monumental que que deu pra moldar essa menina...-[sorriso sem graça].
[Sawari]- Eu sei...-[confirma positivamente]- Eu sei quantas noites você perdeu nesse projeto...-[contente].
[Otis Foyer]- E depois de vários experimentos que deram errado...Nós finalmente criamos a nossa garotinha...-[feliz e cansado].
[Sawari]- Nossa...É um sonho realizado pra mim...Como você seu uma tonalidade mais escura para ela?
[Otis Foyer]- Olha, foi bem difícil dar essa tez pra ela, por sorte, consegui conceder uma aparência mais diferenciada embora em não tenha conseguido encaracolar os cabelos.
Sawari, contente, acena positivamente, observando com atenção às explicações de Foyer.
[Otis Foyer]- Mas como ela é um Transmorfo, ela pode modificar o tipo e o tamanho dos cabelos, inclusive a altura e a cor da pele e dos olhos da maneira que quiser...-[sorri olhando para a colega].
Feliz e grata, Sawari encara brevemente o colega e fita Vega, acariciando levemente seus cabelos molhados.
[Sawari]- Saiba que eu serei a melhor mãe desse mundo...-[sorriso genuíno].
Os dois voltam a olhar para o doce semblante de Vega, que só tinha interesse em observar todos os cantos e objetos do recinto, como um filhote de gato farejando ambientes desconhecidos, embebido na mais pura inocência.
[Sawari]- [semblante de tristeza e acenando negativamente]- Ela podia tanto ter estado aqui pra ver -[olha para Otis].
[Otis Foyer]- Sim...Ela. -[olha para Sawari suspirando].
[Sawari]- Isso será um problema pra nos preocupar...?-[apreensiva].
[Otis Foyer]- Hum? Não...-[acena negativamente]- Isso não vai atrapalhar o desenvolvimento dela...De forma alguma. -[sorri].
Ao lado da recém-nascida, uma parte do vidro cilindrado podia refletir o seu rosto e uma parte de seu corpo. Vega pela primeira vez podia observar o reflexo de si mesma. Vega percebe seu próprio rosto e seu corpo ao se deparar com seu espelhamento. Ela se observa atentamente por alguns segundos quando se depara com um retrato refletido pelo pedaço da parede blindada. Mesmo de longe, Vega enxergada muito bem. Era uma mulher loura, de cabelos curtos e espetados para trás.
[Otis Foyer]- Parece que a nossa menina vai precisar de algumas roupas novas...-[olha para Sawari].
[Sawari]- Pois já vou providenciar...!-[sorriso e disposição]- Vou trazer um lindo vestido camisete pra você...-[olha para Vega, que sorri suavemente para a sua criadora].
[Sawari]- Vou trazer algumas roupas íntimas confortáveis pra ela experimentar...-[se levanta para ir em direção à porta do quarto].
[Otis Foyer]- Tá bem...-[sorri, olhando para a colega].
[Sawari]- Se precisar de ajuda é só chamar...-[faz sinal de telefonema com as mãos enquanto sorri].
[Otis Foyer]- Pode deixar, eu vou trazer uma toalha pra ela se secar...-[sorri].
Sawari saca de sua grande bolsa lilás junto a uma chave de veículo e sai a passos largos do recinto em busca de roupas para a filha.
[Otis Foyer]- Querida, me espere aqui que vou trazer algo para se secar...-[avisa à Vega]- Não saia daqui, eu já volto...-[sinaliza com a palma de sua mão e sai apressado do recinto].
Vega observa inocentemente seu pai sair do recinto, mas com expressão serena e tranquila. Confiante de que estava de fato em lugar seguro e estaria acolhida. Dentro do recinto, Vega repara que havia à sua direita, uma cama de suporte preto, brilhante e maciço. Grande e macia o suficiente para repousar e sonhar novamente. De cobertor e travesseiro com matéria-prima feita à base de nanotecnologia e de cores azuis-esverdeadas cintilantes e ambíguas, a moça percebe que na verdade esteve o tempo todo seu próprio quarto, projetado para dar um espaço tranquilo, seguro e aconchegante para ela. Do lado da cama, o retrato pelo qual avistou em seu reflexo no restante de vidro quebrado. A mulher loura pela qual Vega passou a observar e a pensar frequentemente sobre ela.
No celular transparente caído sob a mesa, pode-se identificar os incessantes sons vibratórios e flashes de luzes para sinalizar as dezenas de notificações de ligações e mensagens para Foyer:
-------------------[SONS DE VIBRAÇÖES]------------------
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"DOUTOR FOYER, MEUS PARABÉNS, CAMARADA...!".
"OTIS, VOCÊ É UM DOS MAIORES GÊNIOS DA HUMANIDADE! DEUS O AGRACIE POR TUDO".
"VOCÊ É INCRÍVEL, CHEFE! MEUS PARABÉNS!"
"É UMA GRANDE HONRA SER CIDADÃO DE UMA MESMA NAÇÃO QUE O SENHOR, DOUTOR FOYER!"
"DÊ BEIJOS E GRAÇAS PARA SEUS COLEGAS POR MIM, MEU CARO AMIGO OTIS! NOSSO GRANDE GÊNIO!"
"VIVA VANDORA! PARABÉNS FOYER! NOSSO GARANTIDOR DA RAÇA!"
"PARABÉNS PELA SUA MAIS NOBRE CRIAÇÃO, DOUTOR FOYER!".
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