DIÁRIO DE VEGA.23H30 DA NOITE.NOVA YORK.HOTEL SUII.ANO 8852.03 DE JULHO.

LUMINÁRIA LIGADA. MESA DE ESCRITÓRIO. CADEIRA CONFORTÁVEL. CHOCOLATE QUENTE À VISTA. CALÇA JEANS VERMELHA, CINTURA BAIXA. CAMISA TÉRMICA ROSA ESCURA E BRANCA AO CENTRO. BOTA PRETA. TUDO ESCURO E TODOS DORMINDO, APARENTEMENTE.

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    "Acho que já escrevi isso pelo menos umas mil vezes aqui nessa maldição desse caderno. Mas como odeio telas, especialmente de telefones, reafirmo mais uma vez: as pessoas daqui são chatas e entediantes. Uma das raças que mais necessitam de união e solidariedade, é a mais desunida e destrutiva que já presenciei na minha breve estadia aqui neste planeta. Ao mesmo tempo que exigem algo dos outros, a reprimem na mesma intensidade. São paradoxais. É a única raça que eu conheço que não suporta ser controlada, mas quer ter controle de corpos. Quando confrontados, se esquivam. Quando em bando, massacram. Quando é um mais fraco, intimidam. Tudo é muito melindroso, difícil, vazio, arisco, falso. Conviver aqui, é andar na corda bamba. Tudo aqui se resume à mera rivalidade pela competição e à dominação pelo poder. As pessoas daqui só conseguem se encantar por aquilo que elas podem tomar, nunca por aquilo que elas têm que conquistar. É tudo muito estranho. Os valores aqui cultivados são capengas, muitas vezes, ultrapassados. Acho que é pelo fato de serem seres que estão mais suscetíveis à morte ou à eterna danação, que os mesmos tomam medidas tão descabidas a ponto de machucar seus semelhantes."

    "Me espanta como os humanos daqui desprezam sua própria raça e fazem de tudo para pisar uns nos outros. Não gosto e tenho medo de machucar mais alguém com as minhas mãos, pois já vi de perto o que é tirar a vida de alguém de forma acidental, por mais desprezível que fosse. Não me agrada a ideia de parecer alguém que esmaga outros seres vivos só pelo privilégio de ter a força para tal. Não quero isso pra mim. Só quero viver pleno e feliz com a minha existência. Quero ter a sorte de achar as poucas pessoas queridas que tenho em meio a tanto caos. Sinto falta de BIOTH, de Vandora. Não que o meu lar não tenha problemas, mas é abissal a diferença de tratamento que essas pessoas dão umas para as outras assim como dão ao diferente. O diferente aqui é uma ameaça. É um fardo, um estorvo. Desperta raiva, medo e inveja. Mas para minha sorte, eu ainda consigo me defender. Eu POSSO me defender. A minha tristeza, é pelos mais fracos e impotentes. Ao invés de protegerem os mais frágeis, os humanos daqui os usam como bode expiatório, um apoio para esticar os pés. Queria ter mais coisas positivas a dizer sobre as pessoas daqui, mas meus traumas só reforçam o quanto tudo isso aqui é, ao mesmo tempo, lúgubre e estranho. Apesar de sua beleza peculiar, o ambiente é carregado de tensão, é sufocante, é repressor...."

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    Vega tem seu momento de concentração imediatamente interrompido por um olhar curioso e intrometido, de cabeça ousadamente virada para o lado a fim de enxergar melhor o que estava escrito no caderno rosa do amigo enquanto ele escreve:

[Jason]- Tá escrevendo o quê aí...? -[expressa interesse].

    Vega olha para a parede por alguns segundos com um irônico semblante de um sorriso sua face antes de responder ao amigo:

[Vega]-...[coça a cabeça com a caneta]- Escrevendo aleatoriedades...-[sorriso descolado enquanto olha para Jason].

[Jason]- Aleatoriedades tipo o quê?-[expressão irônica e curiosa, sobrancelha levantada].

    Vega encara Jason de forma irônica:

[Vega]- Aleatoriedades tipo, escrevendo alguns pornôs...-[sorriso indecente].

[Jason]- Aham, e você tá escrevendo na sua língua nativa aí só pra ninguém bater punheta vendo, éh?-[braços cruzados]- Dialeto engraçado esse seu, hein...?-[mão no queixo, expressão irônica].

[Vega]- PRRRRFFFFSSS.....!!

    Vega escora sua cabeça à mesa junto aos seus braços, deixando vazar alguns risos "estourados". Ao se recompor, desliza a mão nos cabelos e responde:

[Vega]- Você sempre sendo um idiota...-[sorri sedutoramente].

[Jason]- Cof, cof...! Obrigado...E você, um completo baitola...-[sorriso de deboche e satisfação enquanto desliza a parte oposta dos dedos na camisa].

[Vega]- Ah, que fofo...-[expressa doçura]- Vai se foder, antes que eu me esqueça, carinha de balinha...-[sorri genuinamente].

    Jason manda dois "beijinhos" para Vega e sai sorrindo em direção à cafeteira da sala pegar um cappuccino. Vega resolve abrir um pouco de suas confissões para Jason:

[Vega]- Eu estava escrevendo sobre minha estadia aqui na Terra. Quero guardar essas anotações e não deixar que a minha língua se perca.

    Jason, com o copo térmico em mãos, olha para Vega:

[Jason]- Entendo...Mas tu não tá falando mal aí da gente não, tá??-[desconfiado].

[Vega]- Rssss...Ha, ha...Relaxa, não estou falando de vocês...Vocês são legais...-[faz gesto de coraçãozinho para Jason].

    Jason toma a bebida, sorrindo debochadamente para Vega. Se aproximando, muda de assunto:

[Jason]- Mas, e aí, vai fazer alguma coisa nesse 04 de julho...?-[bebe mais um pouco]- Além de trepar com metade de um auditório...-[vira o rosto de lado e adota uma voz mais baixa e expressão irônica].

    Vega larga o caderno e o lápis e faz uma expressão irônica de "desentendido".

[Vega]- Ué, cara, acho que eu vou trepar com a sua mãe...-[mão no queixo e expressão irônica].

    Jason expressa "dúvida" irônica em sua face.

[Jason]- Pô, cara, minha mãe já morreu...Você pode aproveitar e cair de boca no meu pau. -[dedo polegar e indicador levemente desviados do queixo de Jason].

    Vega mostra o dedo do meio para Jason enquanto sorri. As ofensas românticas terminam quando Jason, sem camisa e só de calça e sapato sociais, saca sua roupa apoiada em um cabideiro e a sacode para apoiá-la em seu ombro. Ele sai da sala direcionando um olhar orgulhoso para Vega e um andar descolado. Vega balança negativamente a cabeça enquanto exibe um "sorriso amarrado" para Jason. Antes que fechasse a porta, Jason aponta para o amigo e dá o "alerta".

[Jason]- Aí...!A operação "04 de Julho" tá de pé...-[faz um sinal de vigilância com os dois dedos mirados para Vega]- NÃO falte...-[olhar fixo].

[Vega]- Tá bom, amigo chato...-[confirma com a cabeça]- Sai daqui, vai...-[sorriso de tédio].

[Jason]-...Tchau, Mona...!Tsc!-[dá uma piscadela e fecha a porta].

    Vega dá um leve riso enquanto balança a cabeça negativamente e volta ao seu caderno rosa. Olhando para a folha onde escrevia, ele já não sabia mais o que anotar. Ele decide fechá-lo, guardar a caneta e ir em direção ao seu quarto de dormir. Nada na vida de Vega pode ser mais inviolável do que seu caderno. É impressionante como ninguém tentou interceptar seus pertences até o presente momento.






Comments

  1. Não sei se meu último comentário foi postado, mas farei a mesma pergunta… Em que ano Vega está? 8852? Se for, será que teremos ou usaremos papel ?

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    1. No momento em que ele escreve o diário, ele está no ano de 8852 d.C, mas ele chegou ao planeta Terra em 15 de julho de 8850 d.C e desde então ele permaneceu por lá na condição de "Turista". Apesar de escasso em uma era altamente tecnológica, o papel resistirá bravamente...^^

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    2. E será composta pelo mesmo material? Celulose?

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    3. Provavelmente será um papel mais sofisticado, poderá até ter uma espécie de simulador de papel em nanotecnologia.

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