LABORATÓRIO DE BIOGENÉTICA DE VANDORA. PONTA OESTE-SUL.30H53 DA MANHÃ. DIA ENSOLARADO.OTIS FOYER. PRECURSOR DO PROJETO TRANSMORFO.
Uma sala circular, composta por grandes recipientes cilíndricos à vácuo, presos a suportes reforçados e metal e muito bem conectados por algumas dezenas de cabos elétricos. Discretas lâmpadas dicroicas com fracas luzes azuis esverdeadas estavam espalhadas ao longo da sala. Em uma delas, havia um aquário de grandes dimensões o bastante para proporcionar um mínimo de comodidade para a espécime que estava sendo examinada. Uma estrela marinha grande e pesada, da espessura de um largo tronco humano. Partes de sua estrutura poderiam alcançar o comprimento dos braços de um homem adulto. Sua forma rosada e gelatinosa, de pele que mal sabia identificar-se como espelhada ou transparente, mas demasiadamente robusta, possibilizava enxergar seu núcleo interno avermelhado que mudava constantemente de cor para uma forma negra, com um pequeno ponto branco, para sinalizar seu modo feral.
Cada ponta de sua extremidade dava origem a duas ou três finas ramificações que disparavam descargas elétricas ao menor sinal de irritabilidade ou coação. Esses disparos produziam sensações excruciantes de adstringência, câimbras e dores intensas a depender de seu grau de lesão. Relatos de coceiras persistentes também foram dados por moradores que tiveram a infelicidade de ter contato com a estrela. Fileiras de dentes rígidos e pontiagudos formam-se em toda a parte de seu corpo, se conglomerando em maior quantidade na região central onde se localiza sua boca afiada. Era força suficiente para triturar uma cabeça humana, mesmo a mais resistente. O animal tentava insistentemente destruir as paredes do aquário de onde tinha sido depositado após ser capturado no meio das praias de Vandora.
[Otis
Foyer]- "Hey, Luís... vem ver isso aqui..." - [café em mãos].
Otis
olha atentamente para a estrela-marinha, admirando cada detalhe de sua força, fúria e
estrutura física, enquanto esta arranha por diversas vezes as paredes do
aquário-forte.
[Luís]- "Fiúúú...!" -[assobio]- "....Essa é brava, hein...?" -[impressionado].
[Otis Foyer]- "É porque você não deu uma olhada ainda na vermelha..." - [sorriso irônico].
[Luís]- "Tem uma ainda pior do que essa??" - [aponta espantado para o aquário].
[Otis Foyer]- "Sem dúvida. Não é à toa que ela foi deslocada para a sala de segurança máxima. Só podemos vê-la atrás de um vidro reforçado..." - [bebe o café] - "...hum, isso aqui tá bom..." -[aponta para a xícara e sorri].
[Luís]- "E como raios você conseguiu trazer essas duas estrelas pra cá?" - [intrigado, de braços cruzados]- "Quem toca nessas pestes acaba tendo a cabeça esmagada e comida por inteira. É o único ser vivo que eu conheço que é capaz de matar qualquer um dos nossos..." - [preocupação].
[Otis Foyer]- "É aí que está, meu velho amigo. Eu não precisei tocá-las." - [sorri] - "Os praianos me deram uma ajuda pra capturá-las. Eles convivem com esses bichos há pelo menos uns 300 anos desde que essa subcultura surgiu." -[bebe o café]- "E agora com esses "especiais" aqui, nós vamos ter que tomar alguma providência com o máximo de urgência." -[olha para Luís e expressa seriedade].
[Luís]- "Você fala dos sub-humanos? Concordo plenamente..." -[expressa insatisfação]- "as pessoas daqui perderam a noção de respeito pela raça. Saem trepando com tudo que rastejam. E o Estado nos ordena que essas pragas ainda sejam suplementadas pra aumentar a qualidade de vida delas, só nos premia com mais dor de cabeça." - [desprezo].
[Otis Foyer]- "Se bem que a maior parte desses especiais são pacíficos..." - [bebe o café] - "minha sina é com dois idiotas que estão perturbando a paz na sociedade:" - [exibe uma das mãos cerrada e faz uma contagem com os dedos]- "um deles, James Wesley. O outro, SITH, o palhaço da Nação. Que infelizmente, é um dos nossos..."
Luís balança a cabeça positivamente, em um tom de seriedade.
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Não tendo muito sucesso em arranhar as paredes do aquário-forte, a estrela-marinha tenta usar de força bruta para bater nas paredes do recipiente. Estava obstinada a sair de lá. O animal estica a parte superior de seu corpo ao limite e se joga de uma vez de encontro ao vidro blindado, fazendo barulhos que podiam ser escutados do outro lado da sala. A cada pancada, era uma vibração emitida em todo o compartimento, tremendo-se jarros, líquidos e outros materiais que compunham o local. Um dos telefones celulares de formato transparente com projeções "holográficas" em sua tela, se movia à cada vibração emitida pela força do animal enclausurado. O café depositado na xícara de Otis começa a transbordar do recipiente. Os dois observam preocupados.
[Luís]- "Não é melhor dar alguma coisa pra ela acalmar?" -[preocupado e nervoso].
[Otis Foyer]- "Pega a carne." -[bebe o café mesmo transbordando].
Luís se apressa para encontrar um pedaço de carne fresca no resfriador da copeira, logo junto à sala. Este apanha um suporte comprido de metal com uma ponta com um formato de um gancho afiado, e abre o resfriador, agarrando o primeiro pedaço de carne nobre que avistou com o gancho comprido, o suficiente para manter a distância do animal. Voltando à sala, Otis estava munido de um controle em suas mãos, com comandos que poderiam abrir uma das entradas em cima do aquário-forte. Por sorte, apenas um pequeno local composto por um mecanismo de fechamento arredondado, foi aberto para que o pedaço de carne pudesse ser aproximado com um mínimo de segurança. Luís encaminha cuidadosamente o alimento pregado no suporte de gancho enquanto o animal subitamente para de bater no vidro blindado. Em seu núcleo escuro de dentro de seu corpo gelatinoso, o ponto branco move-se para cima, mirando no pedaço de alimento que viria a receber.
[Otis Foyer]- "Vá depressa, Luís.... antes que ele perca a paciência..." - [fala manso e com um olhar de tensão].
Nervoso, Luís declina lentamente o alimento para baixo da pequena entrada, quando bruscamente uma das extremidades gelatinosas e afiadas da estrela marinha agarra e arranca o pedaço de carne junto ao suporte de metal.
Luís se assusta com o movimento brusco e solta o suporte de suas mãos enquanto é rapidamente agarrado por Otis pelo braço e puxado para o seu lado. A carne e a ferramenta são levadas para dentro do aquário-forte e uma grande quantidade de água salta para fora da entrada, espalhando pela sala e molhando Luís e Otis. Com cara de tacho, Otis finalmente fecha a entrada de recepção de alimentos e os dois param para observar a estrela assumir sua forma arredondada, envolvendo a carne por inteiro junto com a ponta de gancho do suporte metalizando, rasgando, esmagando e os mastigando simultaneamente, de forma que não sobrasse mais nada do alimento ou da ponta do suporte completamente dilacerado junto à carne. O processo dura em torno de 15 segundos apenas. Satisfeito, o animal volta a seu estado de relaxamento e quietude e volta a se depositar debaixo da areia do aquário-forte para dormir. O seu núcleo, que até então assumia uma cor escura, volta ao seu estado em tom cereja- avermelhado.
Luís, ainda impactado com o que viu, olha para Otis levemente ofegante:
[Luís]- "Otis..." - [ofegante] - "... como com mil raios vocês conseguiram colocar essa coisa no aquário-forte...?" - [pergunta assustado].
Otis olha para Luís.
.............FLASHBACK: PRAIAS DE VANDORA. PONTA SUL-II.38h65 DA TARDE.
Nas praias paradisíacas daquele país, as areias tinham tonalidades ambíguas cintilantes que se confundiam entre o branco e o rosa bebê. Eram muito finas, leves e flutuantes ao menor dos estímulos. O sol assumia uma tonalidade bem avermelhada perante um céu bordado com aspectos de azul blueberry e violeta, só que com intensidades mais claras. Vários praianos que lá viviam, faziam da região a sua morada e seu santuário. De todos os tipos, haviam homens e mulheres com diversos gêneros de roupas de banho, cangas, shortes, biquínis, sapatilhas e vestidos de praia, todos muito coloridos e de material nobre, bastante durável. Alguns até brilhavam no escuro e exalavam um rompante de misturas de cores às margens dos mares nas noites sombrias. Vendiam artesanatos, roupas, pescados, produtos para a pele e cabelos, até massagem ofereciam como um de seus serviços.
Pássaros de várias classes pousavam nas areias e alguns até nos mares para aproveitar o frescor das águas e a luz do sol. Os pombos curiosamente possuíam penas avermelhadas como terra. Alguns que se pareciam como gaivotas, tinham patas verde safira e suas penas brancas vinham com "faíscas" de tonalidades roxas. Outros tinham o bico, o peito e a longa cauda laranja em meio a uma penugem preta. Aves de várias cores e pinturas que mais pareciam verdadeiras obras de arte. Borboletas exuberantes também superlotavam aquelas praias, todas com variantes rosa choque e alaranjadas.
As flores das árvores e plantas eram como pragas, do tanto que brotavam. A mistura delas formavam avalanche de cores quentes que elegantemente transitavam desde o cereja ao tom de vinho. Seus frutos, pequenos saborosos, abusavam das tonalidades branca e violeta, e até deixavam uma tinta característica na boca de quem os consumia. Pequenas barracas faustosas e bonitas, construções de madeira Massaranduba vermelha com aparelhos fotovoltaicos e aberturas feitas pela própria natureza, possibilitavam que os praianos pudessem desfrutar de maior comodidade. As tecnologias eram improvisadas e todos eles se utilizavam pelo menos de um maçarico de fogo amarrado em suas cinturas para se embelezarem, lanças explosivas e flechas automáticas, esses dois últimos para garantir a diversão dos frequentadores. Lutas corpo a corpo, surf, pinturas e dinâmicas com a prática de corridas e gincanas enriqueciam a região. O tempo era belo e quase infinito para todo o proveito que os cidadãos quisessem. Eram abençoados.
De jaleco branco, coturno tático preto e luvas azuis esverdeadas, Otis precisava de uma amostra de um espécime para seu primeiro e audacioso projeto que se tornaria um dos seus maiores feitos da história daquela civilização. Ao lado dele, um dos moradores com um binóculo multifuncional tenta localizar um dos animais mais procurados e temidos daquele local. O homem tinha pujantes cabelos ruivos prendidos por uma liga na parte superior, composta de cordas enfeitadas à base de pedras preciosas de múltiplas cores e olhos bem acobreados, pele sutilmente bronzeada devido à toda vida que se expôs à luz solar. Poucas sardas podiam ser vistas em seu belo rosto, resultado do calor daquele período.
[Otis Foyer] - "Encontrou ele...?" -[ansioso].
[Magal]- "Não... à essa hora ela deve estar dormindo debaixo da areia..." - [continua procurando].
Otis, ainda ansioso para capturar o animal, persiste em esperar que o mesmo se manifeste. Curioso, ele pergunta ao praiano:
[Otis Foyer]- "Você lida com essas estrelas há quanto tempo?"
[Magal]- "Desde pequeno. Nasci e cresci aqui no mar." - [tira o binóculo por alguns segundos] - "A estrela que te falei, eu cuidei dela desde que me entendo por gente. É só ela e uma irmã, a vermelha, que ficam por aqui na ponta SUL-II. Só vão comigo e com mais ninguém aqui."
[Oitis Foyer]- "Caramba..." - [admirado] - "respeitável sua capacidade de domar esses animais..." - [sorri].
[Magal]- "Não me agradeça..." - [sorri olhando para Otis, voltando para o seu binóculo] - "meu pai que me ensinou a adestrar essas bestas marinhas, e... Olha! Acabei de encontrar uma delas... e é do jeito que você gosta." - [sorri com satisfação].
[Otis Foyer]- "O quê?? Achou??" - [ansioso e animado] - "Como ela é??"
[Magal]- "Grande, brilhante e robusta... é ela que eu te falei! Ela sempre vem pedir afago ou comida pra mim." - [Magal tira o binóculo dos seus olhos e assobia colocando os dois dedos em sua boca]- "Fiiuuuuuíííhh!!!"
O animal escuta o som do assobio e suavemente se desloca até a costa da praia. Magal agacha e sorri enquanto chama com o estalar dos dedos e braço estendido, a estrela que se aproximava. Magal saca de um pedaço de carne fresca de sua bolsa coberto com um papel manteiga e senta-se na parte rasa da praia enquanto faz sons e ruídos para chamar o animal. Este, sereno e manso, se deposita no colo de Magal, que o alimenta com o pedaço de alimento em sua boca e o acaricia sutilmente pelo seu corpo. O animal aumenta sua temperatura corporal para indicar seu contentamento com o carinho dado por Magal. Otis observa atentamente o longo processo de conquista e captura do animal enquanto o aquário-forte, já preparado e cheio d'água, estava há apenas alguns metros dali, vinculado a um robusto e luxuoso veículo "Droner" estacionado na costa. Magal consegue com muito cuidado apoiar a estrela em seus ombros, segurando-a firmemente para não escorregar nas areias. Para garantir a segurança de Otis, Magal o alerta:
[Magal]- "Peço a você que abra a tampa do aquário e mantenha a distância até eu colocar a estrela lá dentro".
[Otis Foyer]- "Vai precisar de uma escada pra subir no aquário?" -[se certifica].
[Magal]- "Não vai ser necessário. Ela só vai ficar agitada quando se tocar de que foi levada de sua morada. Até lá, ela estará mansa." - [expressa seriedade].
Magal caminha até o aquário com a estrela em seus ombros. Ao dar de frente com o recipiente de onde seria depositado o animal, Magal dá um alto, e com um dos braços, alcança a extremidade do aquário, se erguendo para permanecer em cima de seu compartimento. A pequena abertura arredondada estava aberta, e seria o bastante para introduzir a estrela adentro. Magal encosta seu rosto à estrela, a abraça e se agacha para colocá-la dentro do recipiente aquático por meio da abertura com estrutura de fechamento arredondada.
A besta sai dos braços de Magal e cai adentro para o aquário-forte. Otis observa fascinado pelo trabalho bem sucedido e tranca a abertura com seu controle remoto para que o animal não pudesse sair. Magal desce do aquário direto para a areia e assiste o animal assumir uma cor azulada, meio arroxeada. Ele percebeu que estava sendo abandonado pelo próprio dono que cuidou dele durante a maior parte de sua existência. O animal começa a ficar agitado e a se mover de um lado para o outro.
[Otis Foyer] - "Caramba, que impressionante...!" - [animado e fascinado].
Magal permanece sério, em silêncio enquanto observa o animal se debater. Otis fica um pouco sem graça com a situação
[Otis Foyer]- "...O que ele tem?..." - [pergunta preocupado].
[Magal]-...-[coça a cabeça] - "...Ela tá inconformada. Vai demorar a se adaptar à nova vida enclausurada e vai te dar bastante trabalho..." - [olhar triste e sem graça].
[Otis Foyer]- "Acha que deveríamos retornar daqui uns dias pra colocá-la de volta no mar? Ela parece abatida..." - [expressa preocupação].
[Magal]- "Se eu puder te dar um prognóstico, uns bons meses serve. Se não for prejudicar sua pesquisa, é claro."
[Otis Foyer]- "De forma alguma. Com 03 meses eu consigo a amostra e devolvo o bonitão de volta." - [olha para o aquário-forte, animado].
A carga de estresse da estrela marinha era tão alta, que a mesma já havia depositado 15 pedras preciosas pelo aquário-forte e já havia expelido uma enorme quantidade de ácido na água. A cor da estrela se torna ainda mais arroxeada e seu núcleo começa a escurecer.
[Magal]- "Se eu puder te dar um conselho, amor, carinho e atenção é tudo pra esses animais..." - [olha para Otis, com expressão de desapontamento]- "Se o seu projeto for realmente posto em prática, saiba que um ser derivado dos genes de uma estrela irá exigir a mesma dedicação com o que se dá a um filho. E essas estrelas vão precisar de algo que as distraia da dor emocional enquanto estiverem presas." - [fita o cientista].
Otis apenas balança a cabeça positivamente com as mãos na cintura e olha para baixo, pensativo e com expressão neutra em seu rosto após ouvir tudo o que havia escutado de Magal naquele momento. Os ventos da praia começam a soprar em seu rosto e Otis destina sua visão para além do mar.
[Magal]- "Não se anime ainda. Para mais, falta pegar a estrela vermelha...." - [olha para Otis] - "e se você acha essa daqui brava..." - [Magal expressa ironia em seu rosto enquanto aponta seu polegar para a estrela enclausurada] - "espera só pra ver o que é a vermelha..."
Um clima de tensão surge naquele momento. Otis começa e ficar apreensivo.
[Oitis Foyer]- "...E... ela... já te machucou...?" -[tenso e preocupado].
[Magal]- "Ela já arrancou meu braço fora uma vez...." -[olhar baixo e "sorriso" de canto]- "mas por mim está tudo bem, eu ainda gosto dela..." -[sorri]- "Fiquei três dias em recuperação para regenerar o membro de volta... fora os exercícios que tive fazer nesse braço novamente pra ficar do mesmo tamanho do outro." -[olha para o braço direito enquanto o movimenta horizontalmente para os lados e volta a olhar para Otis].
Otis começa a exibir um olhar tenso para o praiano. Magal prepara uma comprida arma taser de cor branca e símbolos cinza, com disparadores de eletricidade independentes e formato retangular, composto de luzes violeta que eram acionadas a cada disparo. Sua forma lembrava estrutura de um Rifle Sniper.
[Magal]- "Tem outro aquário-forte...?" -[pergunta para Otis].
[Otis Foyer]- "Tenho outro sim... por quê?" -[indaga].
[Magal]- "Melhor assim..." -[coloca munição no fuzil a taser]- "Essa estrela que eu vou pegar, ela não pode ficar perto de nenhuma outra espécie." -[olha com uma leve expressão de seriedade]- "Ela mata tudo o que tiver pela frente..." -[mantém a arma em um braço e saca o binóculo em outro, para ver em direção ao mar].
Bolhas e movimentações na água puderam ser vistas há alguns metros de distância da costa. O animal que estaria prestes a ser enclausurado, seria ainda mais desafiador e bestial do que a estrela capturada. A arma de precisão a taser é mirada a longa distância para o corpo da estrela maligna. Ódio puro é o âmago de sua existência.
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As portas abrem subitamente da sala de laboratório onde estavam Luís e Otis. Uma mulher loura de cabelos curtos e de pontas apontadas para trás, munida de um carrinho multiuso onde estava posto um prato com uma tampa, ambos de aço inox, e alguns tomates embalados com um elástico-teia, aparece para dar seus cumprimentos aos colegas. Era a pausa para o horário de almoço:
[Läude]- "Mas olha só, parece que fizeram uma bagunça por aqui..." - [expressa sorriso simpático] - "venham, meninos, o almoço está delicioso...!" - [chama com a cabeça].
Sem dizerem uma única palavra, Otis e Luís se entreolham sorrindo enquanto acompanham Läude até a cozinha, um espaço separado da sala onde estavam.
.................COZINHA DO LABORATÓRIO. MESA DE REFEIÇÕES.
Os três comem em silêncio. Nos respectivos pratos, havia pedaços colossais de sobrecoxa sobrepostos de condimentos que lembravam o sabor e aparência do molho madeira. Em separado, em um pequeno recipiente de vidro arredondado em tonalidade na qual era chamado pelos vandorianos de "azul-fortuna", tomates grandes, bonitos e bem rosados eram utilizados como aperitivos especiais. O seu sabor puxava mais para um "salgadinho". Estes eram comidos por inteiro com as mãos enquanto a suculenta carne, macia e temperada com, era manipuladas com talheres, também de cor azul. As refeições daquela Ilha-País eram bastante caprichadas pelas especiarias. Em seus copos, finos e compridos, uma variação de vinho de cor levemente esverdeado mais lembra um suco branco ao bebê-lo.
[Otis Foyer]- "Isso aqui está simplesmente delicioso..." -[expressa satisfação]."
[Luís]- "Com certeza..."- [limpa os lábios com um lenço].
[Läude]- "Eu que fiz...." - [diz orgulhosa].
[Otis Foyer]- "Esplêndida como sempre..." - [os sorri e levanta seu copo para um brinde].
Os três brindam com seus respectivos copos erguidos à luz forte de uma luminária e comemoram o projeto "Transmorfo".
[Läude]- "Um brinde à vida..." -[sorri].
[Otis Foyer]- "Um brinde à saúde e ao nosso trabalho..." -[olha para os colegas com satisfação].
[Luís]- "Um brinde à nossa raça...!" -[expressão de firmeza e satisfação].
[Läude]- "Um brinde à todas as formas de vida..." -[corrige Läude, com o dedo indicador delicadamente apontado para cima enquanto sorri].
A moça vira a cabeça para o lado. Já Luís, aparenta estar incomodado com a homenagem.
[Luís]- "Não está falando dos especiais, está?" -[expressa rejeição em seu rosto].
[Läude]- "Ah, não fala assim, Luís... são criaturas fascinantes, só possuem mais limitações do que nós..." - [bebe o vinho].
[Otis Foyer]- "Limitações essas que eu não gostaria de experimentar..." - [expressa tensão em seu rosto] - "meus sinceros pêsames à eles..." -[bebe o vinho].
[Läude]- "Vocês também são muito pessimistas com os especiais...!" - [mostra desapontamento]- "Existem pessoas boas nesse meio..."-[bebe mais vinho]- "e nada que uma boa suplementação para eles não resolva..." -[grande sorriso genuíno e empolgante].
[Otis Foyer]- "Então você os acha fascinantes...?" -[sorri genuinamente para Läude enquanto apoia sua mão sob seu rosto, com o cotovelo sobre a mesa].
[Läude]- "Às vezes eu queria ter algumas limitações para superar... " - [termina de beber o vinho] - "Sabem... uma vida perfeita demais é meio... digamos... entediante..." - [gesticula suavemente com as mãos enquanto divaga e sorri para os colegas].
Otis e Luís se entreolham e tacitamente decidem não mais discutir sobre o assunto espinhoso que romperia a paz entre os três. Preferiram focar no atual projeto que embarcaram em conjunto.
[Luís]- "Mas... cortando um pouco do suspense... para o que é exatamente esse projeto "Transmorfo" ?" - [disfarça o olhar de constrangimento focando na bebida e no rosto do colega] - "É uma espécie de arma biogenética?" - [limpa a boca com o lenço].
[Otis Foyer]- "É muito mais do que isso. Meu objetivo é criar um dos nossos, só que com propriedades muito mais aprimoradas."
[Luís]- "Mas como isso pode resolver problemas futuros no País?"-[confuso e gesticulador].
[Otis Foyer]- "Quero adicionar flexibilidade, autossuficiência e autocontrole nas funções biológicas, fisiológicas e cerebrais desse novo ser. Vai ser um trabalho difícil, eu sei... mas se hoje nós temos a suplementação com base no DNA das estrelas-do-mar, e nossa espécie-mãe era um animal que também deu origem a essas estrelas, muito provavelmente eu posso manipular essa genética em nosso favor..." -[expressa otimismo enquanto aponta seu dedo polegar suavemente sobre a mesa].
Läude se mostra intrigada e preocupada ao mesmo tempo, apesar do seu leve sorriso otimista com o planejamento de Otis. Seu olhar é de receio enquanto seus lábios exibem animosidade.
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Após uma pausa para o café, os três se dirigem até o corredor por onde havia um grande vidro espelhado reforçado, que mostrava do outro lado, uma sala similar onde estavam Luís e Otis, só que com um grande contentor feito à base de metal reforçado. Este, era fortemente vinculado do teto e ao piso com uma comprida janela de vidro blindado e altamente vigorosa. Lá, era por onde daria para avistar a estrela-marinha vermelha, a variante mais enérgica e agressiva de todas vista. Ela jogava seu corpo contra as paredes do aquário-forte com toda a sua força, e permanecia em fúria por pelo menos 60 horas sem pausas para trégua. Além de extremamente robusta, era persistente e vingativa. Os três olham para o animal perplexos com tamanha periculosidade.
[Läude]- "Meu Deus, essa daí não é perigosa demais pra ser colocada no experimento??" - [fica assustada e abismada, olhando para Otis].
[Otis Foyer]- "Não é certeza de que vou utilizá-la, mas se não tiver jeito, terei que fazer algumas alterações..." - [expressa neutralidade em sua face].
[Luís]- "Santo Forte, essa daí é ainda mais brava do que a outra...!" -[expressa medo]- "E o Magal?? Como ficou?" -[pergunta abismado].
[Otis Foyer]- "Tive que pagar o triplo pro coitado... ele saiu todo arranhado..." - [sorri, timidamente] - "mas se curou em minutos." - [volta a admirar a fúria da estrela vermelha].
[Luís]- "Ela é grande..." - [espanto em seu rosto].
[Läude]- "..." -[tensão e preocupação enquanto toca o vidro].
[Luís]- "Mas espera... da última vez você me disse que ela tinha se auto reproduzido, não foi...? E aonde estão os filhotes?" -[aponta o dedo para o vidro em direção ao aquário-forte].
[Otis Foyer]- "Ela matou os seis filhos pequenos de uma única vez...." - [olhar sério].
Os perturbadores sons de colisões do animal contra as paredes se perpetuaram enquanto os olhos de Foyer focam-se fixamente para o que ele considerava ser o prenúncio de um "futuro promissor para Vandora". Além de seriedade, em seu semblante, pode ser transmitida uma profunda ambição pelo seu trabalho.
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