------TERRA. CIDADE RECÉM ABANDONADA. 15H30 DA TARDE. PERÍODO PÓS ARMAGEDDON. ESTADOS UNIDOS.-------

    328.084 pés. 253.720 pés. 160.489 pés. Vega caía em queda livre enquanto suas roupas ardiam em chamas. Foi do extremo calor de 2000 ºC para -90ºC como quem relaxava de férias em um parque. Um Drone supersônico registrava cada segundo que Vega testava sua resistência às altitudes absurdas. A única coisa que restava a salvo das variações de temperatura era um telefone que funcionava como um rádio comunicador carrancudo, emborrachado e espesso, de cor preta e amarela. Ao chegar na troposfera, Vega telefona para um dos controladores, que atende através de um câmbio telefônico de um veículo furgão:

[Vega]-Audrey, está registrando!?

[Audrey]-O máximo que eu posso! É o melhor drone que comprei. Você tem certeza que não vai morrer?!

[Vega]-Ainda não sei, mas seu eu morrer, vai ficar registrado também!

[Audrey]- Você é um imbecil, sabia disso?- [temerosa].

[Vega]-Relaxa, sei o que tô fazendo! Já caí de lugares bem mais altos!

[Audrey]- Quando isso acabar, eu mesma acabo com você e com o Jason! Dois idiotas!

[Vega]-Foca na câmera! Já tô quase lá! Já pensaram no que vão me dar de presente?!

[Audrey]- Um soco na cara conta?!

    Com um sorriso irônico, Vega desliga o telefone e permanece apreciando o belíssimo panorama na cidade abandonada naquela tarde ensolarada. O atrito com a atmosfera era música para seus ouvidos. Seus cabelos pareciam voar aos céus e mal dava para ver seu rosto. Enquanto em Vega pairava uma sensação de paz, o Drone desesperadamente tentava manter a velocidade da queda para acompanhar as filmagens de Vega, que já estava completamente nu e com algumas faíscas e fumaça pelo seu corpo. Todo o registro era transmitido para celulares e monitores situados de dentro do veículo onde estava Audrey, que além de furiosa, suava frio. Soldados de uma base aérea que pilotava um jato militar, curtiam as filmagens interceptadas. Vega pensa em fazer mais uma última ligação para Audrey:

[Vega]- Audrey!

[Audrey]- Fala!

[Vega]- Você por acaso trouxe minhas...[CHOQUE ABRUPTO].

    Podia se escutar longos sons de algo estourando em um raio de 10 quilômetros de forma ensurdecedora e abrupta no local. Audrey permanece atônita durante 3 minutos com o barulho e as imagens que tinha acabado de presenciar. Após a devastação, o Drone lentamente se aproxima de Vega e "pulveriza" do local após longos 10 segundos o encarando. Audrey sai do veículo às pressas e observa de longe o estrago que Vega havia feito. Uma gigantesca e funda cratera com um raio de 5km foi o suficiente para estraçalhar o asfalto, árvores, construções laterais, alguns edifícios e um carro BMW, na qual Vega havia acabado de esmagar por completo até que virasse um mero pedaço de placa compactada. Folhas das árvores e pedaços de papéis que voaram para fora de janelas de residências dançavam pelo ar em meio à luz do sol aos olhos de Vega. Com o barulho, pássaros assustados fugiram aos montes do local. Com suas roupas totalmente inexistentes, uma das folhas que circulavam pelos ares pousou em cima de Vega, que por ironia do destino, tampava exatamente suas partes íntimas. Era um anúncio de controles joysticks. "THE MORE YOU PLAY WITH IT, THE HARDER IT GETS". Um corajoso pombo embarcou pelo imenso buraco deixado por Vega e fuçou seu pequeno bico bem adentro de sua orelha para lhe prestar boas-vindas. Ainda emanando fumaça pelo corpo, Vega transmite um olhar de paisagem enquanto admirava seu feito. Sua expressão de tédio deu lugar a de uma leve satisfação. Com o telefone em mãos ainda intacto, Vega faz uma nova ligação:

[Vega]- Hey, Jason...Eu passei no teste. Agora é você quem vai pagar a minha janta.-[desliga]. 



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